\ A VOZ PORTALEGRENSE: Jaime Crespo

segunda-feira, outubro 19, 2009

Jaime Crespo

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“Os Peixes” dos Mestres Viriato Mafaldo e António Camilo (Portugal)
Esta obra situa-se junto à Igreja Matriz
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Aquando das minhas férias, em Agosto, no meu concelho natural, Nisa, fiquei a saber através de conversas informais de café das dificuldades das empresas “Granitos Maceira” e “Singranova”, as quais me foi dito que teriam vários meses de salários em atraso aos seus trabalhadores, e que muitos trabalhadores devido a essa situação ou haviam já abandonado as empresas ou procuravam outros trabalhos que lhes garantissem o sustento.
Resolvi então escrever no meu
Blog um texto sobre o assunto, tentando com o mesmo chamar a atenção para o problema e reunir algumas vontades solidárias para com os trabalhadores.
Após a publicação desse texto também nos blogues “Jornal de Nisa” e “Núcleo do Bloco de Esquerda de Nisa”, recebi um mail alegando que também a empresa “Granisan” estaria a passar por problemas idênticos aos das empresas anteriormente citadas, pelo que resolvi publicar segundo texto versando o mesmo assunto.
Entretanto aceitei o convite que me foi formulado pelo coordenador do Núcleo do Bloco de Esquerda de Nisa para integrar as listas deste partido à Câmara Municipal de Nisa e numa das acções de campanha em que participei, precisamente na sessão pública realizada em Alpalhão, baseei a maior parte da minha intervenção referindo-me ao assunto vergonhoso dos salários em atraso nas empresas referidas.
Para lá do esclarecimento de que nada me move contra nenhum dos empresários proprietários ou co-proprietários das empresas, apenas me move a vontade de no campo político resolver o problema que não só é gravíssimo para os trabalhadores mas já afecta toda a vida económica e social dos concelhos vizinhos de Nisa e Crato e mesmo do distrito de Portalegre.
Para provar que no Bloco não comemos empresários à ceia, venho aqui deixar o meu modesto contributo para que os órgãos competentes iniciem uma acção concreta e definida para solucionar este problema.
Ora nessa sessão pública, fomos informados por um encarregado das empresas “Granitos Maceira” e “Singranova” que na primeira empresa existem dois meses de salários em atraso e três subsídios (de férias ou Natal), na “Singranova” o atraso é de quatro meses e que os actuais problemas das empresas se devem a grandes dívidas ao fisco e, salvo erro, segurança social. Situação que indicia uma má gestão de que as empresas e especialmente os seus trabalhadores estão agora a ser vítimas pois o fisco calcula o imposto a pagar em face dos lucros que a empresa obteve.
Ainda assim, e como a minha preocupação é fazer parte da solução e não do problema, apresento aqui a minha proposta de solução.
Tendo em conta a grave crise que o país atravessa, esta só pode ser ultrapassada com mais emprego, com mais produção. A falência de mais empresas, o aumento dos desempregados e consequentemente o aumento das despesas com os respectivos subsídios de desemprego, só podem empurrar o país para uma crise ainda mais grave, pelo que é imperioso encontrar uma solução que não só garanta aos trabalhadores o pagamento integral dos salários a que têm direito, bem como garanta a continuidade da laboração das empresas e a manutenção dos postos de trabalho e sendo possível voltar a empregar os trabalhadores que entretanto se despediram.
O primeiro passo para essa solução será solicitar uma intervenção de um dos deputados do Bloco na Assembleia da República, dando assim a conhecer ao país tão grave assunto.
O segundo passo, uma vez que das informações que nos foram dadas os principais credores das empresas são o fisco e a segurança social, portanto entidades públicas, julgo ser possível a intervenção dos respectivos ministros do futuro governo junto destas entidades e das administrações das empresas de modo a reconverter a actual divida sem comprometer o presente e o futuro das empresas.
O terceiro passo, será o futuro governo nomear um administrador credível e de competência reconhecida, de modo a acompanhar a gestão das empresas, garantir que os acordos que venham a ser firmados sejam cumpridos, que defenda os direitos dos trabalhadores e que evite a repetição de uma gestão danosa que a todos afecta.
Este é o meu contributo para uma tentativa de solucionar o problema da exploração dos granitos no concelho de Nisa. Espero que o problema não seja votado ao esquecimento, que se deixem falir e fechar mais umas quantas empresas, que não se enviem mais trabalhadores para o desemprego, que o Concelho não morra mais um bocadinho.
E aguardo outros contributos com soluções diferentes destas mas que também resolvam o problema.
Repito, só sairemos da crise com mais trabalho, com mais empresas, mas também com os direitos dos trabalhadores assegurados e com salários que sejam mais que o preço de se manter vivo.
Jaime Crespo

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