\ A VOZ PORTALEGRENSE: Mário Silva Freire

terça-feira, julho 07, 2009

Mário Silva Freire

OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS …
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Ainda se está a tempo!

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A leitura do texto Delenda Stadium do meu amigo António Martinó fez-me quebrar o acordo que já tinha feito com o outro meu amigo, Mário Casa Nova, gestor deste blog, de continuar a escrever n’A Voz Portalegrense só depois do tempo de férias. Mas as evidências e o calor de que esse texto é portador não podem continuar a deixar-nos indiferentes perante um atentado ao bom senso e à perda de uma oportunidade de se valorizar, no seio da cidade, o património natural e o incentivo pelo desporto ao ar livre, não necessariamente o futebol.
O meu juízo de cidadão afirma que nesta gestão autárquica muitas coisas se fizeram que merecem aplauso mas muitas outras merecem um vivo repúdio. E é para estas que um responsável autárquico tem que estar atento e ponderar todas as opiniões contrárias às dele para ver se, de facto, aquilo que pretende decidir e o bem que essas possíveis decisões poderiam trazer não iriam implicar males maiores. E considerar todos aqueles que veiculam as opiniões contrárias, sem anonimatos nem calúnias, com cara e com nome, como colaboradores e co-construtores do bem comum.
Foi nesta linha que já em 20 de Março de 2007, na altura em que estava em discussão pública a revisão do PDM, escrevi ao Presidente da Comissão Mista de Coordenação do PDM uma carta em que, entre outras considerações, dizia, relativamente à zona do Estádio Municipal:

- “trata-se de um local onde a prática do desporto ao ar livre é intensa, seja por adultos, seja por jovens (…), sendo essa prática potenciada pela existência do Pavilhão Gimnodesportivo;

- essa zona, desafogada sob o ponto de vista urbanístico, e estando circundada por outros equipamentos desportivos e de lazer, tendo por fundo a Serra da Penha, aparece-nos com um grande potencial paisagístico, de prática desportiva e de lazer”.

E, mais adiante, sugeria que “nas alterações que vierem a ser introduzidas no PDM, a zona do Estádio Municipal se constitua como um parque, devidamente arborizado com espécies autóctones que, até certo ponto, pudessem compensar os abates de árvores que foram efectuados nos jardins já mencionados (da Corredoura e do Tarro). Esse parque poderia conter equipamentos lúdicos para crianças, circuito de manutenção, mesas e bancos que facilitassem o convívio e o descanso, etc.”

A resposta que me foi dada teve em conta aspectos de natureza administrativa e terminava: “face ao exposto não foi possível considerar a sua pretensão.”
Com esta carta, com resultados nulos, tinha sossegado a minha consciência cívica. Mas ela veio agora a ser perturbada pelo texto do Martinó.
Por outro lado, não posso estar mais de acordo com o Avelino Bento, meu amigo, quando diz, num comentário ao texto, a propósito da tal “escola de referência”: massificar mais o ensino? Deixem estar as pequenas e médias escolas. Essas, sim, fazem um trabalho eficaz de ensino e aprendizagem e de cidadania: é no espaço de socialização comunitária que todos aprendemos mais coisas, outras coisas: o mundo, a vida...
Tenhamos, pois, a esperança de que a sabedoria possa vencer e contribuir para que em Portalegre haja locais aprazíveis onde apeteça respirar e fazer exercício e onde a aprendizagem das nossas crianças se faça em escolas à escala da nossa cidade!
Mário Freire

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