\ A VOZ PORTALEGRENSE: Luís Filipe Meira

sábado, julho 18, 2009

Luís Filipe Meira

ESPÍRITO de VERÃO - I
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(…) E Verão! Há calor no ar e cheiro a festa. É tempo de férias e lazer. A cidade, o país, o mundo movimentam-se em busca da felicidade (…)
Era com este genérico que começava o programa ‘Espírito de Verão’ que eu há muitos anos atrás animei na sempre saudosa Rádio São Mamede. A leveza com gosto da silly season, pontuada por assuntos mais sérios, marcava as manhãs de domingo entre as 9 e as 13 horas.
Confesso que enveredei por este caminho, porque ontem, quando entrei de férias, senti alguma nostalgia de tempos vividos. Paradoxalmente, o verão – à medida que a idade avança – torna-se mais nostálgico porque não temos as mesmas armas para entrar em jogo, e é cada vez mais difícil encontrar a felicidade onde já fomos felizes. Posto isto, e sem levezas nem demasiada nostalgia, vou tentar reeditar neste espaço o Espírito de Verão.
Por estes dias a violência voltou à Irlanda do Norte, confrontos entre católicos e protestantes têm incendiado as ruas de Belfast desde segunda-feira. Os moderados do Sinn Féin acusam os dissidentes radicais do IRA de estarem na origem dos confrontos. Estes confrontos intuem a primeira sugestão:
Hunger é um filme magnífico. Primeira obra do artista plástico Steve McQueen, venceu a câmara de ouro em Cannes e chegou recentemente ao formato DVD.
Hunger assenta sobre os últimos meses de vida de Bobby Sands, militante do IRA que faleceu na sequência de uma greve de fome na prisão. Vivia-se o final da década de 70, e a luta dos nacionalistas irlandeses contra o exército britânico – Margaret Thatcher era primeira-ministra – estava ao rubro. A violência de parte a parte era animalesca, e de intensidade idêntica fora e dentro das prisões. Os militantes do IRA, a viverem em condições infra-humanas, utilizavam todos os meios para alcançarem o estatuto de presos políticos, sendo o primeiro passo greve à higiene – os dejectos e restos de comida eram utilizados artisticamente nas paredes das celas – sendo o último a greve da fome.
A forma como McQueen nos mostra a degradação física e psicológica de Sands é arrepiante. Hunger é um filme sobre o sofrimento e mais arrepiante se torna por ser feito a partir de uma realidade sempre crua mas nunca militante.
Hunger é um verdadeiro quadro vivo ou não fosse McQueen um artista plástico.
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A anos luz de Hunger está O Complexo Baader Meinhoff, filme de Uli Edel que vi recentemente em DVD e que nos traz a memória de uma Alemanha aterrorizada pelas Brigadas Baader Meinhoff.
O filme baseia-se em factos reais e isso acaba por lhe dar alguma credibilidade. Foram tempos em que o medo estava presente no dia-a-dia. Vale a pena ver nem que seja para recordar ou ficar a conhecer esses difíceis tempos.
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John William Coltrane
(23 de Setembro de1926 – 7 de Julho de 1967)
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A terminar, é imperativo recordar que a 17 de Julho de 1967 desaparecia com apenas 40 anos – devido a cancro no fígado – um dos mais extraordinários músicos de sempre, John Coltrane. Ontem passaram 42 anos.
John Coltrane tocava saxofone tenor, e o seu nome marcará para sempre a história do jazz em particular e da musica em geral.
John William Coltrane, um musico para todas as estações.
Luís Filipe Meira

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