\ A VOZ PORTALEGRENSE: António Martinó de Azevedo Coutinho

quarta-feira, julho 08, 2009

António Martinó de Azevedo Coutinho

Estádio da Fontedeira
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OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS...
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Menos vale só do que bem acompanhado
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Hesitei bastante em escrever e, depois, em solicitar a publicação deste texto não previsto.
Achei, por fim, que devia fazê-lo.
Não conheço, obviamente, o primeiro dos comentadores do meu desabafo Delenda Stadium! Mas agradeço-lhe a solidária participação assim como o lúcido e firme contributo para o actual retrato da nossa terra.
De Mário Casa Nova Martins, autor desta oportuna iniciativa que me acolhe e que me honra, nem sequer agora falo, por desnecessário.
Quero, como razão fundamental deste escrito, dar publicamente conta a Avelino Bento, a Mário Freire e a Carlos Semedo, três amigos e colegas de distintas gerações e formação, de quanto me sensibilizaram as suas gratificantes palavras de activa e sincera solidariedade.
O Dr. Mário Freire quebrou mesmo o seu propósito de apenas participar nesta tribuna depois das férias e sentiu-se impelido a expressar o testemunho que confirma uma atempada embora frustrada intervenção, cívica e personalizada, a propósito das ameaças pendentes sobre o nosso estádio municipal.
Em suma, todos partilhamos a crença, experimentada e convicta, de que uma escola não se resume a meras questões de construção civil, umas toneladas de betão com algumas pinceladas de tecnologia. A prometida escola de referência europeia (até poderia ser mundial) não passa de um estribilho e nada significa, como garantida mais-valia, para Portalegre. As escolas de Cristóvão Falcão e da Praceta, que ela iria substituir, dispõem de referências seguras que, devidamente apoiadas e modernizadas em instalações e em equipamento, poderão atingir a excelência pretendida. O que está verdadeiramente em causa é muito mais a alma do que o corpo das instituições, muito mais a qualidade destas do que a sua quantidade ou dimensão...
Em contrapartida, a demolição pura e simples de um estádio significará uma perda, autêntica e irreparável, para a nossa comunidade. Não leio habitualmente a imprensa desportiva e não posso confirmar que o nosso máximo responsável autárquico tenha recentemente afirmado que nenhum clube da cidade merece jogar num campo com relvado natural. Recuso-me mesmo a acreditar que tal expressão, ou semelhante, possa ter sido proferida por alguém dotado de algum poder de decisão sobre os destinos de Portalegre...
Isso significaria uma visão troglodita do nosso futuro colectivo, onde nenhum cidadão provavelmente mereceria uma maternidade para nascer ou uma sepultura digna para repousar após a morte. Levada até às suas últimas consequências no campo da prática desportiva, esta teoria dirá que, de facto, podemos todos jogar futebol descalços, em terreno pelado e com uma bola de trapos... Afinal, noutros tempos, não foi assim?
Não devemos brincar com coisas sérias.
Bem vistas as coisas, se tudo por aqui nesta lamentável e artificial ameaça for tão irreversível e definitivo como, por exemplo, o aeroporto na Ota, o TGV já, ou a terceira ponte para a outra banda, ainda podemos trazer à nossa discussão caseira os derradeiros argumentos, precisamente os de vida e de morte...
Não foi o betão (o Centro Comercial Fontedeira) que há anos fez desaparecer do seu provisório local o improvisado (mas eficaz) heliporto instalado na cerca do nosso Hospital? Queremos que seja novamente o betão (a futura Escola de referência europeia) que em definitivo elimine o seguro local alternativo (precisamente o relvado do actual Estádio Municipal) a partir de onde, em grave e urgente emergência, tantas e tantas vezes um helicóptero tem contribuído para salvar vidas, portalegrenses... e não só? Vamos remeter esta função para o novo Heliporto, que dista alguns quilómetros do Hospital?
A consciência cívica e o sentimento bairrista de cada um de nós devem, no mínimo, impelir-nos a uma activa tomada de posição. Quer pensemos em termos do Desporto, quer pensemos em termos de Educação, quer pensemos, até, nestas decisivas e concretas questões em que cada segundo pode separar a Vida da Morte, de que lado estamos?
Por mim, conforta-me e encoraja-me a estimulante e solidária companhia dos amigos a colegas atrás citados.
António Martinó de Azevedo Coutinho

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