\ A VOZ PORTALEGRENSE: Luís Leite Rio

sexta-feira, junho 05, 2009

Luís Leite Rio

Conjurado – Conspirador, que reage e que se insurge
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Recordar a acção dos ditos "40" conjurados que em 1 de Dezembro de 1640 derrubaram a dinastia castelhana, é tradição desde o tempos do saudoso Sr. D. Duarte Nuno de Bragança, verdadeiro Português, esconjurado pela República, e que, de forma esclarecida soube manter viva, junto de muitos portugueses, a chama e a esperança de um dia ser devolvida ao povo de Portugal a democrática forma monárquica de governo do estado.
Em plena ditadura Salazarista e Republicana, de forma bastante discreta, (a possível para a época), alguns defensores da Monarquia como a melhor forma de organização do estado, juntavam-se para jantar conjurando, discutindo estratégias, formas de combater o governo e a República, mostrando que havia alternativas e esperança.
Na época juntavam-se, técnicos, intelectuais, artistas e alguns (poucos) membros da nobreza de Portugal, não conformados com o caminhar do país e que honesta e convictamente se esforçavam para derrubar a republica ditatorial e acreditando, talvez ingenuamente, que seria possível, com o apoio popular, reimplantar a Monarquia Portuguesa.
Hoje, caída a ditadura mas não a república, quando ainda seria possível discutir as vantagens de uma Monarquia, quando seria necessário desmistificar toda a encenação montada pelo capital e pela falsa nobreza em torno da instituição real, continuam a fazer-se os "Jantares de Conjurados", mas maioritariamente por Esconjurados.
Cidadãos maioritariamente republicanos que com uma coroa ao peito e um autocolante no carro, desprovidos de qualquer real convicção, aproximam o seu ego de uma corte inexistente, de um titulo nobiliárquico, caduco, quase sempre inválido e na maioria dos casos duvidoso. Alguns, muito poucos, realmente monárquicos pactuam com a pantomina, talvez por paixão que sempre é cega…
Cautelosamente ninguém se levanta por um Rei Português, nem mesmo o possível herdeiro se apresenta como alternativa, só como capa de revista…
Esconjuraram-se os portugueses que por obrigação histórica e familiar deveriam defender a instituição real e o país, esconjuraram-se aqueles que por reflexão consideram a monarquia como uma alternativa e possível, esconjuraram-se os responsáveis da própria instituição pela manutenção dos ideais.
O acessório é hoje o essencial. A festa o social e a aparição nos média transformaram-se no principal objectivo dos ditos monárquicos, em detrimento da alternativa, da solução do País.
Bom proveito para o jantar dos esconjurados.
Viva o Rei. Viva a Rés Pública.
Luís Leite Rio

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