\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Crónica de Nenhures

A imprensa católica de Portalegre
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Em artigo publicado na revista Sábado da passada quinta-feira (SÁBADO – Nº 257 – 19 a 25 de Fevereiro de 2009 – pgs. 52 a 56), fica-se a saber que a igreja católica portuguesa tem três programas na televisão (70X7, Caminhos e A Fé dos Homens), que controla o grupo Renascença (a Rádio Renascença, a RFM, a Mega FM e a Rádio Sim), tem a Agência Ecclesia (dá notícias da igreja em Portugal), e que tem cerca de 800 jornais de inspiração cristã (com 12 a 36 páginas e uma tiragem mensal de 2,4 milhões de exemplares).
É sem dúvida um universo na área da comunicação social de grande monta, abarcando a internet, a componente escrita, televisiva e da rádio. É o denominado Quarto Poder, em grande força e vigor.
Mas se o Quarto Poder é forte em termos de quantidade, pode questionar-se muita da sua qualidade e principalmente de influência. O magistério da influência da comunicação social da igreja católica portuguesa não corresponde ao número de “veículos” que a igreja detém.
Esse “desequilíbrio” é fundamentalmente em termos da comunicação social escrita. A maioria dos jornais ditos de inspiração cristã são meros órgãos paroquiais, que não exercem a menor influência na comunidade em que se situam. Desta forma, a quantidade não é sinónimo de qualidade.
Hoje, a sociedade não está motivada para ler a imprensa cristã, fazendo com que os casos de sucesso de jornais ligados à igreja católica sejam uma pequeníssima minoria. Por exemplo, na diocese de Portalegre – Castelo Branco, o semanário de Castelo Branco «
Reconquista» é um projecto de sucesso, porventura porque a vertente eclesial se dilua pelo jornal, nunca dando o aspecto de jornal da Fábrica da Paróquia.
Recentemente, o semanário de inspiração cristã «
O Distrito de Portalegre» sofreu alterações gráficas e em termos de direcção. Quanto à primeira, deu-se uma mudança que tornou o jornal mais atractivo. Quanto à última, mais importante, o segundo número da sua nova direcção mostrou que dificilmente “algo mudou para que tudo ficasse na mesma”. Alterações de vária ordem, que o novo director levou a cabo, mostraram que os tempos são outros.
Quiçá, um dos problemas do jornal seria o facto de nas últimas duas décadas existirem órgãos ou funções que “diminuíam” o estatuto da figura do director. A existência de um conselho de redacção, que se mostrou sempre ineficaz em termos de participação na feitura do jornal e na definição e escolha de conteúdos, e a delegação de funções, mais do que poderes, em figuras que tanto podiam ter a designação de “chefe de redacção”, “director executivo”, ou outra, num jornal com a dimensão de «O Distrito de Portalegre», não resultaram. É fundamental que o jornal tenha um director “forte”, que defina uma linha de acção e que por ela possa ser responsabilizado. E que responda perante quem de direito, neste caso o bispo da diocese.
Outra questão importante para o jornal tem a ver com a comunidade em que se insere. Não é possível, em termos práticos, que o jornal abarque toda a diocese. Existem nas cidades da diocese jornais de prestígio, como por exemplo o «
Ecos do Sor», ou o «Reconquista». Não faria grande sentido entrar em “guerra” com estas instituições.
«O Distrito de Portalegre» terá que ser, como sempre foi, um jornal local. Mas hoje tem campo de manobra para se “estender” aos concelhos limítrofes, onde, curiosamente, não há jornais, sendo que a aposta nestes concelhos, Arronches, Marvão, Castelo de Vide, Nisa, Crato, Alter do Chão e Monforte, é exequível.
Contudo, toda esta vasta região em termos de área, mas de fraca densidade populacional e pobre em termos de tecido empresarial e comercial, tem um denominador comum, a sua fraca religiosidade. Tal facto dificulta a aceitação de um jornal que dê grande ênfase à religião, em desfavor da vida cívica. É, pois, necessário saber conciliar todos os factores, para que num futuro próximo seja alcançado o antes enunciado objectivo da viabilidade económica do novo projecto para o jornal.
“Espectador” que somos, não tendo qualquer pretensão à “qualidade” de colaborador, ou outra, fazemos esta “análise” como leitor do jornal. Que assim se diga
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Mário Casa Nova Martins



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