\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

domingo, fevereiro 01, 2009

Crónica de Nenhures




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Parlamento Europeu
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A União Europeia é uma realidade política que ultrapassa ideologias. Hoje, é inquestionável que face à Globalização, a união económica de um conjunto de Países europeus foi uma decisão correcta. Fazer frente às grandes potências económicas como os EUA, a China ou a Índia, que são grandes Estados em termos de população e de área, só entidades que tenham grandezas semelhantes o pode. A existência do Mercosul é o exemplo maior de que a União Europeia tem razão de ser.
Contudo, é normal que haja maneiras diferentes de entender a União Europeia, tal como existem diferenciadas políticas para a sua funcionalidade. A pluralidade de pensamento sobre o futuro da União Europeia faz dela algo de vivo em termos políticos. A ideologia ajuda a compreender os propósitos quanto ao que se “quer” da e para a União Europeia. Desta forma, as eleições para o Parlamento Europeu são aquelas em que o factor ideológico é mais forte. Não existindo o chamado “voto útil”, é fácil tomar a decisão do “voto ideológico”.
Neste momento, conhecem-se dois cabeças-de-lista às eleições de 7 de Junho próximo ao Parlamento Europeu. Pelo PCP volta a ser cabeça-de-lista Ilda Figueiredo, enquanto que pelo PNR é a “estreia” de Humberto Nuno de Oliveira.
Não há a menor dúvida que, dos deputados portugueses ao Parlamento Europeu na presente legislatura, quem mais se destacou foi Ilda Figueiredo, como no passado foi durante várias legislaturas Joaquim Miranda, também do PCP.
Pode parecer estranho tal facto, mas é explicável. De todos os partidos políticos portugueses, o que mais “aposta” no Parlamento Europeu tem sido o PCP. Enquanto os outros partidos, PSD, PS e BE, “enviam” para Estrasburgo “militantes incómodos” ou em “fim de carreira”, o PCP tem feito do Parlamento Europeu uma Tribuna, onde sem complexos afirma o seu eurocepticismo. Reaccionário, o PCP é contra qualquer avanço na construção europeia, sendo mais um “velho do Restelo”, do que um factor construtivo. A sua permanente crítica não é elemento de progresso, o que o diminui em termos de credibilidade política, algo que não o tem preocupado. A votação que sempre obtém “inclui” tantos eurocépticos como antieuropeus do tipo terceiromundistas. Os votos alcançados pelo PCP são sempre um “voto de protesto” contra a União Europeia.
Humberto Nuno de Oliveira tem pela frente um árduo desafio. Conhecedor profundo da História da Europa, principalmente a do século XX, sabe que a União Europeia é um facto político que hoje, face à grande crise económica mundial, é um “ancoradouro” que vai protegendo Portugal de “maiores males”. Se Portugal não estivesse de “armas e bagagens” na “Europa dos vinte e sete”, a crise traria mais falências, mais desemprego, e, sobretudo, fortíssimas desvalorizações do escudo, em suma, a “tempestade” seria avassaladora.
O eurocepticismo de Humberto Nuno de Oliveira não é contra a União Europeia em si, mas contra o vigente Federalismo Europeu, sendo defensor de uma Europa das Pátrias. Também é contra uma Europa a “diferentes velocidades”, porque tendo uma posição geográfica ultra-periférica, tal seria desastroso para qualquer politica de desenvolvimento em Portugal.
Nacionalista, defende posições de vanguarda, sendo a recusa da entrada da Turquia uma consequência da sua coerência ideológica. A Europa de Humberto Nuno de Oliveira vai do Atlântico aos Urais.
Ilda Figueiredo e Humberto Nuno de Oliveira vão lutar com frontalidade e verdade pela sua Ideia de Europa. Os percursos profissionais e políticos de cada um dão a garantia de um Diálogo com os Portugueses saudável.
Mário Casa Nova Martins

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