\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Crónica de Nenhures

Autárquicas em Portalegre
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Percorrendo o espectro político-partidário do concelho de Portalegre, tendo em conta as próximas eleições autárquicas, o que se pode dizer a esta distância temporal?
Se se pode dizer “muito”, sabe-se “pouco”, mas esse “pouco” permite, em antevisão, prever que tudo vai ficar como está. O PSD terá a segunda maioria absoluta, e fará o terceiro mandato consecutivo à frente da Câmara Municipal de Portalegre.
A Direita extra-parlamentar, liderada pelo PNR, não se apresentará à corrida eleitoral. Não tem estruturas mínimas no concelho, facto que a impede de construir uma lista, embora tenha votos, como se viu nas últimas eleições legislativas.
O CDS, por certo, aproveitará a oportunidade para candidatar o seu presidente concelhio, um jovem advogado estagiário que, como antes fizera o seu patrono, desta forma adquire notoriedade pública, tão importante para o seu futuro profissional. Espera-se que o CDS, além da Assembleia Municipal, concorra também a algumas freguesias do concelho.
O PSD recandidata o actual presidente, que ganhará folgadamente. Se tal facto político será bom ou mau para o concelho de Portalegre, é algo que abordaremos proximamente.
O PS, partido estruturante do concelho e do distrito de Portalegre, está numa encruzilhada. Sabe que não tem hipóteses de ganhar, desde que o actual presidente se recandidate, um dado certo por razões várias, independentemente do candidato que apresente. Pode parecer estranho, mas quem conhece a realidade local e as variáveis e condicionantes de uma eleição autárquica, sabe que quem está no poder é que volta a ganhar ou perde. No caso concreto de Portalegre, e fazendo uma retrospectiva histórica, foi Rui Simplício, o presidente, que perde e não João Transmontano que ganha, tal como foi Amílcar Santas, o presidente, que perde e não Mata Cáceres que ganha. O demérito dos derrotados era maior que o mérito dos vencedores.
Assim, o PS pode escolher um de dois caminhos: ou apresenta um nome do “passado”, e o mais “pronunciado” é um perdedor nato, e “arrisca” a manter os 6 – 1, isto é, o PSD mantém os seis vereadores e o PS mantém um; ou “aposta” no futuro, e candidata um nome jovem, “novo”, sem comprometimentos com as derrotas anteriores, ficando garantidamente nos 5 – 2, podendo “lutar” pelos 4 – 3.
Há quatro anos, o eleitorado comunista cometeu a injustiça de não reeleger Luís Madeira Pargana. Vai durante muito tempo “pagar” esse erro político. O candidato do PCP não vai conseguir ser eleito vereador.
A votação do BE nas últimas legislativas “colocou-o” em quarto lugar, à frente do CDS. Pressupondo que vai apresentar candidato, fica a dúvida se consegue crescer e aproximar-se dos comunistas.
Será que faria falta uma candidatura independente à autarquia de Portalegre? Uma pergunta que fica, para já, sem resposta.

Mário Casa Nova Martins

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