\ A VOZ PORTALEGRENSE: Setembro 2008

terça-feira, setembro 30, 2008

Do Alfarrabista

Do Jornal Bibliográfico de Setembro da Livraria Alfarrabista Vieira (livrariavieira@yahoo.com / Rua das Oliveiras 14-16, 4050-448 Porto, 223 325 103) chegou-nos este livro que é constituído por fotografias a preto e branco de Igrejas do Alto Alentejo.
Não é, nem poderia ser um trabalho exaustivo. Por exemplo falta entre outras as Igrejas portalegrenses de São Lourenço e do Senhor do Bonfim, que são referências para a arte religiosa da região em análise.
Mesmo assim, é um trabalho datado de 1950 e editado pela IN-CM em Outubro de1982, que fica como uma memória visual daquele património à época. [mj]

segunda-feira, setembro 29, 2008

100.000

100.000
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No momento em que escrevo este Postal, o Contador de Visitas marca 99.995. Muito em breve irá chegar aos 99.999. Como não tem espaço para outro algarismo à esquerda, penso que voltará ao zero.
Quando tal acontecer, posso dizer que alcancei 100.000 Visitas.
Não foi logo no início que coloquei o Contador. Também não sei quando. Mas o importante é dizer que antes dos vinte e oito meses de existência «A Voz Portalegrense» alcançou este score.
É motivo de orgulho para mim poder dizer que um obscuro indivíduo de um lugar perdido no mapa de Portugal conseguiu ser lido por tanta Gente. Mas maior ainda é a Honra de ter Gente que aceita a minha maneira de ser, pensar, agir.
O que ao longo deste tempo editei é o que sou, penso, faço. Nunca fugi a desafios. Sempre enfrentei as situações sem vacilar, sem temer as consequências dos meus pensamentos e actos. Nunca me escudei na covardia!
«A Voz Portalegrense» foi um semanário conservador. Dele “copiei” o nome para o Blogue. Nada mais me liga a Portalegre, terra que nunca foi conservadora, mas foi, é e será perversa nas relações entre e com os seus filhos, naturais e adoptivos.

Cheguei aos 100.000 Visitantes! A todos Eles/Vós agradeço a Visita.
Obrigado.
Bem-Hajam!

Mário

Machado de Assis

Machado de Assis, 2-6-1839 / 29-9-1908
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No Centenário da sua Morte

domingo, setembro 28, 2008

O Melhor e o Pior

Mais morto que vivo
Em 2003, a Dom Quixote publicou a edição de bolso do romance «Dom Casmurro», de Machado de Assis.
Para a estupefacção do editor, algum tempo depois este recebeu um cartão oficial da Câmara Municipal de Lisboa, assinado pelo seu então presidente, Pedro Santana Lopes, agradecendo o envio do livro.
Até aqui, tudo normal. A perplexidade deveu-se ao facto de o cartão pedir ao editor que transmitisse ao autor o apreço do autarca – e de o envelope ser dirigido ao «Exmo. Sr. Machado de Assis, aos cuidados das Publicações Dom Quixote». Afinal, o escritor brasileiro morreu no dia 29 de Setembro de 1908.
Consta que na origem da gafe estava uma secretária do presidente da Câmara, e que este, ao contrário do que os homens públicos costumam fazer em tais casos, não apenas não transformou a subordinada em bode expiatório como até a promoveu. O que talvez configure a magnanimidade nobre mas algo desmedida. P.N.
6 actual 27 Setembro 2008 Expresso

Tintim
A Universal desistiu do projecto de uma trilogia em 3D sobre Tintim, por considerar a sua viabilidade financeira demasiado arriscada. A concretizar-se, a trilogia será realizada por Steven Spielberg, Peter Jackson e por um terceiro realizador ainda por determinar. O projecto está orçado em 91 milhões de euros. Apesar da desistência da Universal, a Paramount persiste no projecto, mas dado o avultado investimento que representa é necessário que surja um outro parceiro.
ALEXANDRE COSTA

6 actual 27 Setembro 2008 Expresso

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O melhor e o pior

O melhor é a notícia segundo a qual Spielberg já não deve realizar a sua parte da trilogia sobre Tintin. Conhecendo as deturpações que o realizador tem feito da História, de certeza que a sua adaptação de Tintin também corria os maiores riscos de adulteração face ao que Hergé escreveu e desenhou.
Portanto, uma excelente notícia esta!

O pior é sem dúvida a carta enviada a Machado de Assis pelo gabinete de Pedro Santana Lopes na Câmara Municipal de Lisboa, a agradecer o envio de «Dom Casmurro»…
Parece anedota, mas existe o original. E Santana Lopes não é inimputável na questão. No cartão está a sua assinatura! Será que se ele disser que não leu o cartão, tal serve de desculpa? Não o cremos…
O anedótico está mais rico, com mais esta “pérola de cultura” à Santana Lopes…

mj

sábado, setembro 27, 2008

Ricardo António Alves

Anarquismo e Neo-Realismo.
Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século
Ricardo António Alves
Editora Âncora
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A matriz literária do pensamento de Ferreira de Castro está explicita nos seus livros, do juvenil Criminoso por Ambição (1916) ao evocativo Os Fragmentos (1974). Percebê-la, enquadrando a acção cívica do escritor oposicionista ao Estado Novo, é o propósito deste breve estudo. Não era fácil ser-se escritor nesse tempo extremado. Não o era sequer para os da «situação», embora estes não vislumbrassem um horizonte de provável gaveta e possível prisão, como sucedia aos demais. Ser da oposição, mas nela independente - como foi o caso do autor de A Selva -, só era suportável tendo um peso literário e uma influência pública que pusesse ao abrigo das grandes intolerâncias e das pequenas velhacarias aqueles poucos não-arregimentados que disso faziam condição de existência.
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Ricardo António Alves nasceu em Lisboa, em 1964. Licenciado em História, é responsável pelo Museu Ferreira de Castro desde 1990. Publicou 100 Cartas a Ferreira de Castro (1992), Correspondência - Ferreira de Castro/Roberto Nobre (1922-1969) (1994), Eça e os Vencidos da Vida em Cascais (1998), José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV (1999), além de vários artigos. Fundou as revistas Vária Escrita (Sintra, 1994) e Boca do Inferno (Cascais, 1996), coordenou o Arquivo de Cascais - Boletim Cultural do Município (1996), dirige a Castriana - Estudos sobre Ferreira de Castro e a sua Geração (Ossela, 2002).

Paulo Otero

Matthew Gregory Lewis

O MONGE
Matthew Gregory Lewis
Livro considerado capital na literatura do fantástico, O MONGE retira o seu poder sugestivo da grande ousadia por que o tema é tratado, a par de uma cativante ingenuidade. Aliás, aquela mesma ousadia não ficaria impune: Lewis esteve perante a iminência de um processo e o «corpo de delito» viu-se apreendido.
Publicado no final do século XVIII, há a anotar a particularidade interessante de ter sido escrito por um moço de vinte anos. Nele estão detectadas as influências múltiplas de Cazotte (OS AMORES DO DIABO), de Diderot (A RELIGIOSA), de Goethe (O FAUSTO) (possivelmente também do de Klinger), de Schiller (O VISIONARO) e de PEDRINHO de Spietz.
Como uma cunha, o pecado instala-se no coração de Ambrósio, inspirado pregador de um convento de dominicanos em Madrid, apreciadíssimo pelo dom da palavra de que é senhor e venerado pela irrepreensível virtude que aparenta, Lewis vai empenhar-se em mostrar como, na conjunção de um certo número de factores, a minúscula fenda instalada na alma do monge é susceptível de fazer periclitar toda a estrutura antes julgada férrea.
Tentado por Satã, a «pequena mancha» do orgulho crescera, crescerá até englobar, primeiro, a bela Matilde, que lhe revela um mundo desconhecido de desvairada sensualidade; depois, uma jovem mulher por quem se sente irresistivelmente atraído e que acabará por violar. Para saciar o apetite despertado e enlouquecido, valer-se-á dos mais torpes estratagemas e dos mais abjectos crimes.
Um sopro tempestuoso premonitor do Inferno abre caminho aos seus passos, nem sempre firmes, mas finalmente inexoráveis, sendo as páginas em que Lewis descreve o fogo infernal obras-primas de «horror sagrado».
Fantásticos, realistas ou ingénuos, entrecruzam-se no livro - demónios, assassínios, fantasmas, torturas, lúgubres subterrâneos, encontrando-se subjacente no romance uma potente critica aos barbarismos de um poder que de espiritual decerto toma o nome inúmeros episódios secundários concorrem para criar em O MONGE aquele «esplêndido céu de tempestade» referido por André Breton.


Nos inícios deste Setembro, fizemos referência à obra de Cazotte «Os Amores do Diabo», deixado o caminho aberto para falar da obra de Lewis.
Fazemo-lo agora, recorrendo ao texto da badana, mas sem que antes se diga, e se reforce o agradecimento ao
Ilustre e Culto Harms, que saiu recentemente uma nova edição de «O Monge» na editora Bonecos Rebeldes.

mj

sexta-feira, setembro 26, 2008

A Estrela Misteriosa

Com o charuto na mão, o banqueiro Blumenstein, versão de 1947
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Com o charuto na mão, o banqueiro Bohlwinkel, versão de 1966
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Versão de 1947
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Versão de 1966
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Versão de 1947
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Versão de 1966
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Versão de 1947
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Versão de 1966
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Versão de 1947
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Versão de 1966
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A Estrela Misteriosa é um dos álbuns das Aventuras de Tintin mais discutidos. E tudo por causa do nome do banqueiro e da bandeira dos EUA.
O nome do banqueiro, Blumenstein, que é indiscutivelmente um nome de origem judaica, e a escolha dos EUA, através do símbolo que é a sua bandeira, não são de todo inocentes. Hergé queria, na personagem de Tintin, simbolizar a luta entre o Bem e o Mal, mostrando a rivalidade pelo progresso entre a Europa de Tintin e os Estados Unidos da América de Blumenstein.

Todavia, George Remi sucumbiu ao politicamente correcto.
Hoje no álbum o banqueiro chama-se Bohlwinkel, e o país terrorista é um país imaginário de nome São Rico.
Mas o nome do barco da expedição PEARY, Kentuchy Star, não muda. Mantém a tonalidade americana, no fundo, como também o nome do banqueiro mantém a tonalidade original.
Mário Casa Nova Martins 

quinta-feira, setembro 25, 2008

Crónica de Nenhures

A actualidade de Tintin
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O Mundo vive uma crise económico-financeira de proporções ainda não quantificáveis, porque está para ficar e durar. Começou nos Estados Unidos da América, rapidamente chegou à Europa, e neste momento não há Continente ou País que já não sinta os seus efeitos. Sete anos de Capitalismo Selvagem, selvática e criminosamente fomentado e protegido pela Administração liderada por George W. Bush, são os responsáveis por tudo o que se está a passar. E a impunidade da Plutocracia é evidente em todo o processo!
Wall Street é o símbolo da usura, tão bem definida por Ezra Pound. A ela se devem as maiores crises, desde o Crash de 1929. Com o fim de Primeira Guerra Mundial, o centro económico-financeiro passou de Londres para Nova Iorque, da City para Wall Street, e nunca a instabilidade dos mercados foi tantas vezes posta à prova. E tudo por culpa da Oligarquia Financeira Transnacional!

Em 1942, o repórter Tintin envolve-se em mais uma aventura. Naquela noite fazia um calor insuportável. Passeando com Milu, Tintin percebe que uma enorme estrela brilhava na constelação da Ursa Maior. A estrela misteriosa aumentava a cada instante, tornando mais forte o calor.
No Observatório, Tintim descobre que se tratava de um gigantesco meteorito vindo em direcção à Terra. A colisão acarretaria o fim do mundo! Contudo, o mundo não termina, porque o meteorito passa a raspar a Terra. Mas um pedaço dele cai no oceano Árctico, originando um pequeno terramoto.
Um astrónomo descobre no meteorito um metal desconhecido - o calystène. Então, uma expedição científica, comandada pelo capitão Haddock, vai atrás do precioso meteorito.
Mas o interesse pela exploração económica do calystène leva também uns aventureiros sem escrúpulos a tentar apossar-se dele. Tintin e seus amigos terão de enfrentá-los nessa corrida, em que seus inimigos usam de toda sorte de golpes baixos para chegar na frente.

Os inimigos da expedição organizada pelos Fonds Européen de Recherches Scientifiques, F.E.R.S., da qual faz parte o Físico e Professor da Universidade de Coimbra Pedro João dos Santos, estão representados, originalmente, pelo Banco Blumenstein, do banqueiro Blumenstein que financia e dirige à distância a expedição do PEARY.
E quando o Kentucky Star se aproxima do meteorito, desce um escaler, no qual, originalmente, é bem visível a bandeira dos EUA! Mas do Aurore já tinha sido um hidroavião com Tintin a bordo que vai descer em pára-quedas no solo do meteorito em primeiro lugar, ficando a posse do dito nas mãos da F.E.R.S..
Nada de mais simbólico e actual. Hergé, ao escrever esta aventura, em plena Segunda Guerra Mundial, como que antecipa o futuro. O Capitalismo é o vencedor da contenda, quer o Capitalismo de Mercado simbolizado pelos EUA, quer o Capitalismo de Estado simbolizado pela então URSS.
Nesta batalha pela posse do meteorito não são os EUA e a sua Banca que ganham. Aqui a lei do mais forte não venceu!
E agora, como será?
Mário Casa Nova Martins

Ezra Pound


Ezra Loomis Pound CANTO XLV - WITH USURA
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By Ezra Pound, 1885-1972
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Canto LXV
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With usura hath no man a house of good stone
each block cut smooth and well fitting
that delight might cover their face,
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with usura
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hath no man a painted paradise on his church wall
harpes et luthesor
where virgin receiveth message
and halo projects from incision,
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with usura
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seeth no man Gonzaga his heirs and his concubines
no picture is made to endure nor to live with
but it is made to sell and sell quickly
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with usura, sin against nature,
is thy bread ever more of stale rags
is thy bread dry as paper,
with no mountain wheat, no strong flour
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with usura the line grows thick
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with usura is no clear demarcation
and no man can find site for his dwelling
Stone cutter is kept from his stone
weaver is kept from his loom
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WITH USURA
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wool comes not to market
sheep bringeth no gain with usura
Usura is a murrain, usura
blunteth the needle in the the maid's hand
and stoppeth the spinner's cunning. Pietro Lombardo
came not by usura
Duccio came not by usura
nor Pier della Francesca; Zuan Bellin' not by usura
nor was "La Callunia" painted.
Came not by usura Angelico; came not Ambrogio Praedis,
No church of cut stone signed: Adamo me fecit.
Not by usura St. Trophime
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Not by usura St. Hilaire,
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Usura rusteth the chisel
It rusteth the craft and the craftsman
It gnaweth the thread in the loom
None learneth to weave gold in her pattern;
Azure hath a canker by usura; cramoisi is unbroidered
Emerald findeth no Memling
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Usura slayeth the child in the womb
It stayeth the young man's courting
It hath brought palsey to bed, lyeth
between the young bride and her bridegroom
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CONTRA NATURAM
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They have brought whores for Eleusis
Corpses are set to banquet
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at behest of usura.
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Canto 45
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Com Usura
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Com usura nenhum homem tem casa de boa pedra
blocos lisos e certos
que o desenho possa cobrir,
com usura
nenhum homem tem um paraíso
pintado na parede de sua igreja
harpes et luthes
ou onde a virgem receba a mensagem
e um halo se irradie do entalhe,
com usura
ninguém vê Gonzaga seus herdeiros e concubinas
nenhum quadro é feito para durar e viver connosco,
mas para vender, vender depressa,
com usura, pecado contra a natureza,
teu pão é mais e mais feito de panos podres
teu pão é um papel seco,
sem trigo do monte, sem farinha pura
com usura o traço se torna espesso
com usura não há clara demarcação
e ninguém acha lugar para sua casa.
Quem lavra a pedra é afastado da pedra
O tecelão é afastado do tear
COM USURA
a lã não chega ao mercado
a ovelha não dá lucro com a usura
A usura é uma praga, a usura
embota a agulha nos dedos da donzela
tolhe a perícia da fiandeira. Pietro Lombardo
não veio da usura
Duccio não veio da usura
nem Pier della Francesca, nem Zuan Bellini veio
nem Usura pintou "La Callunia".
Angelico não veio da usura; Ambrogio Praedis não veio,
Nenhuma igreja de pedra lavrada, com a inscrição: Adamo me fecit.
Nenhuma St Trophime
Nenhuma Saint Hilaire,
Usura enferruja o cinzel
Enferruja a arte e o artesão
Rói o fio no tear
Mulher alguma aprende a urdir o ouro em sua trama;
A usura é um câncer no azul; o carmesim não é bordado,
O esmeralda não encontra um Memling.
Usura mata a criança no ventre
Detém o galanteio do moço
Ela
trouxe paralisia ao leito, jaz
entre noivo e noiva
CONTRA NATURAM
Putas para Elêusis
Cadáveres no banquete
a comando da usura.
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quarta-feira, setembro 24, 2008

Eu

Um Docinho,
Mas quem? Eu!!!???
Diria antes um Diabinho,
Com este ar que Deus me deu…

mj

terça-feira, setembro 23, 2008

A Disciplina de História

A Revista ÚNICA do Expresso de 20 de Setembro último trás um trabalho intitulado «Viagem pelo Portugal dos manuais antigos». Nele a Autora, Nair Alexandre, aborda as temáticas de livros que vigoraram principalmente no período do Estado Novo.
Não vamos tecer qualquer comentário ao que lá está escrito. Apenas aproveitamos o ensejo para editar as capas dos nossos livros da Disciplina de História que no então Liceu Nacional de Portalegre tivemos do terceiro ao sétimo ano.
Na semana passada falámos da actualidade quanto aos programas de História e seus manuais. Também não vamos fazer qualquer paralelo com os do passado.
O que tínhamos a dizer sobre o assunto, dissemos então.
Contudo, não queremos deixar de falar de Alguém que ao termos o privilégio de Ele ter sido nosso Professor de História, o Dr. Francisco Calado Godinho Barrocas, nos criou o interesse pela História.
Ainda hoje temos anotações a lápis feitas pelo Dr. Francisco Barrocas em nossos manuais. Recordamos nele um Saber enciclopédico. Dele guardamos uma Amizade inesquecível.
Mário Casa Nova Martins

A Disciplina de História

No 7.º ano a matéria é mais específica
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No 6.º ano a matéria era um aprofundamento dos 3.º, 4.º e 5.ºs anos

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Os livros dos 3.º, 4.º e 5.º anos
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Estes três livros da ASA eram auxiliares para o estudo da História.
No fundo resumiam a matéria e tinham no final de cada capítulo um conjunto de perguntas sobre o tema tiradas de exames nacionais.

Brasil

No Céu

O céu estava ficando muito lotado, então São Pedro resolveu baixar um Decreto:
«Para entrar no céu a pessoa deveria ter passado por um dia terrível no dia da sua morte».
O decreto entrou em vigor imediatamente.
Então, quando a 1ª pessoa chegou, São Pedro perguntou:

_ Como foi seu dia, como você morreu?
_ Já fazia muito tempo que eu estava desconfiando que Minha mulher estava me traindo...
Então, resolvi voltar para casa mais cedo e pegá-la em flagrante.
Quando cheguei em meu apartamento, que fica no 25º andar, minha mulher estava enrolada numa toalha, muito nervosa, e agindo de uma forma suspeita.
Comecei a procurar em todos os cantos da casa debaixo da cama, dentro do guarda-roupa, etc. mas não encontrei ninguém.
Eu já estava desistindo de procurar, quando olhei para a sacada e vi o safado pendurado no corrimão.
Transtornado, peguei a vassoura e comecei a bater na mão dele, até que ele se soltou e caiu do 25º andar.
Mas por infelicidade minha, ele caiu sobre um toldo que amorteceu a queda e não morreu.
Fiquei com tanta raiva que peguei o que tinha de mais pesado dentro de casa, que era a geladeira, e joguei em cima dele.
Só que eu me emocionei tanto que tive um ataque do coração e morri.
E disse São Pedro:
_ Realmente seu dia foi terrível!
_ Pode entrar!
Cinco minutos depois chegou o 2º candidato à entrada ao céu.
E São Pedro perguntou:

_ Como foi seu dia, como você morreu?
Respondeu o 2º candidato:
_ Bem, eu estava fazendo meus exercícios diários na varanda do meu apartamento no 26º andar, quando escorreguei e caí.
Por sorte, consegui me segurar no corrimão do apartamento abaixo do meu (25º andar).
Já estava quase conseguindo me levantar, quando apareceu uma mulher enrolada em uma toalha e um maluco começou a bater nas minhas mãos com um cabo de vassoura, então cai.
Mas como um toldo amorteceu minha queda, não morri.
E lá estava eu todo dolorido tentando me levantar, quando o mesmo maluco jogou uma geladeira em cima de mim.
São Pedro começou a rir e disse:
_ Já entendi tudo. Pode entrar!
Depois de mais cinco minutos, chegou o 3º candidato.
E como de costume, São Pedro lhe perguntou:
_ Como foi seu dia, como você morreu?
E o rapaz meio tonto respondeu:
_ Olha, o senhor não vai acreditar... mas eu estava pelado dentro de uma geladeira, e até agora não entendi o que aconteceu...
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by mail, from near Quinta da Regaleira

segunda-feira, setembro 22, 2008

Homem do Norte

Ao Nonas, Homem do Norte
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Um homem do Norte, É SEMPRE um homem do Norte, carago!
Um industrial de Paços de Ferreira foi à Noruega comprar madeira para a sua fábrica de móveis.
À noite, sozinho no bar do hotel, repara numa loira encostada ao bar.
Não sabendo falar norueguês, pediu ao barman um bloco e uma caneta.
Desenhou um copo com dois cubos de gelo e mostrou-o à loira.
Ela, sorriu e tomaram um copo.
De seguida começou a tocar uma música romântica.
Ele, pega novamente no bloco, desenha um casal a dançar e mostra-lhe.
Ela levanta-se e vão dançar.
Terminada a música, regressam ao bar e é ela que pega no bloco.
Desenha uma cama, uma cadeira e uma cómoda e mostra-lhe.
Ele vê e diz:
- Sim, sim, sou de Paços de Ferreira!...
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By mail from Lisbon
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Guilherme de Faria

Bem-Haja, Caríssimo Manuel Azinhal.
Mário

Heráldica e Emblemática

Crónica de Nenhures

Knut Hamsun em revista
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A 16 de Julho de 2006, em três momentos, referindo a Nouvelle École, apresentando uma Biografia e uma Bibliografia, e no dia seguinte, a 17, falámos de Knut Hamsun.
Agora é a revista “actual” do Expresso do passado sábado que fala da edição de um livro deste escritor norueguês e Prémio Nobel da Literatura. O livro «Fome» é editado pela Cavalo de Ferro, com tradução de Liliete Martins, acompanhado de um prefácio de Paul Auster.
Com os dados que conhecemos, esta edição será a primeira em Portugal. É que continuamos sem saber se a edição da Guimarães Editores, anunciada em «Pan» em 1955, chegou a ver a luz do dia.
O texto principal de Rogério Casanova não trás nada de novo para quem já lera «Pão e Amor» e «Pan», ou o número 56 da Nouvelle École, um número excelente dedicado a Knun Hansum. Em contrapartida, a caixa que escreve intitulada “O teste de sanidade” é de um absurdo terrível.
Hoje em dia, quando se fla de Autores como Ezra Pound, Louis-Ferdinad Céline, já não se vem com a “história” da loucura do primeiro e do anti-semitismo do segundo. Estes factos fazem parte da “petite histoire” e já nada têm a ver com a Obra que legaram à Humanidade. Pound nunca foi louco e Céline escreve sob o espírito do tempo.
Mas em Portugal ainda não se chegou a essa etapa. Serôdios, mais que antifascistas ou politicamente correctos, estes críticos precisam de se actualizarem, para que escritos como o referido não sejam “coisas do passado”.
Por fim uma referência à “nova” Guimarães Editores, de Paulo Teixeira Pinto. É que Knut Hamsun figurava no Catálogo da Editora. Hoje ele já não aparece, o que mostra o desinteresse acerca deste Autor. Mas outra coisa não seria de esperar da “santa e nobre aliança entre extremos e tudo o resto” que é hoje a Guimarães, de saudosa memória…
Mário Casa Nova Martins

Knut Hamsun


A dieta moderna
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A OBRA-PRIMA NA ORIGEM DO MODERNISMO
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TEXTO DE ROGÉRIO CASANOVA
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NA CERIMONIA em que recebeu o Prémio Nobel, Hamsun começou o seu discurso de agradecimento com a seguinte declaração de humildade: «Não é nada fácil ser eu.» A mesma frase aplica-se a qualquer um dos seus protagonistas. O narrador de Fome, por exemplo, exige do leitor o mesmo enfático diagnóstico: não é fácil se ele. Seguimos as suas peripécias, atordoados e indecisos. Queremos ajudá-lo, mas não sabemos como. Devemos oferecer-lhe dinheiro? Um abraço? Ajuda psiquiátrica?
O narrador é um jovem artista faminto, à deriva nas ruas de Cristiania (Oslo). Vive sozinho, pensa sozinho. Fome é um daqueles raros romances essencialmente sociopatas; podia ter sido escrito por um homem que tivesse passado a vida inteira fechado num quarto.
Os objectivos do narrador são, na sua lunática opinião, modestos: procura apenas inspiração, validação divina do seu inquestionável génio, e um bife mal passado. A sua privação não é vista como uma forma de combate espiritual. O único combate é travado contra a coerência, sob todas as suas formas.
Oscilando constantemente entre uma confiança ilimitada e um dilacerante autodesprezo, a sua mente estranha leva-o a fazer coisas estranhas. Inventa elaboradas mentiras, e palavras novas, de «grande significado gramatical». Tenta penhorar os botões do seu casaco, mas recusa histericamente a generosidade de estranhos. Decide escrever uma tese em três partes sobre o conhecimento filosófico: «Naturalmente, teria oportunidade de chumbar alguns dos mesquinhos sofismas de Kant.»
A tese não passa do estado embrionário (o narrador tenta conjurá-la escrevendo repetidamente a data 1848 em «todosos cantos da página»), mas é tratada como um facto consumado. Os supostos «artigos de jornal» que o vão salvando docolapso iminente surgem como projectos megalomaníacos (ensaios pomposos sobre «os crimes do futuro» ou o «livre-arbítrio»), mas grande parte da sua energia criativa parece ser gasta em tarefas mais prosaicas, como inventar nomes falsos para senhorios inexistentes.
Não há lugar à análise de motivos ou intenções. Ocasionalmente, o seu narcisismo provoca explosões de indignação, mas quase sempre dirigidas a uma fonte exterior. Particularmente hilariantes são as diatribes contra uma pressentida conspiração divina: «À medida que ponderava o assunto, parecia-me cada vez mais incompreensível que me tocasse justamente a mim estar destinado a ser cobaia dos caprichos misericordiosos de Deus. Era um modo de proceder bastante estranho, este de passar por cima do mundo inteiro para escolher-me precisamente a mim. Quando aqui havia outros, como o alfarrabista Pascha ou o despachante naval Hennechen.»
Refém das suas neuroses e da sua exuberante anarquia emocional, o narrador vai obedecendo cegamente a todos os impulsos, concretizando aquelas pequenas sugestões absurdas que uma mente desesperada faz a si própria. Devo mentir a este agente da autoridade? Devo perseguir aquela rapariga até à porta de casa? Devo gastar todo o dinheiro que tenho em bolos de chocolate? Estas questões recebem o mesmo tempo de antena, e são tratadas com a mesma ponderação, que as personagens de George Eliot devotavam a questões de reforma social. Hamsun e Dostoievski foram os primeiros a realçar o homem não como criatura social ou intelectual, mas como sistema nervoso. Isaac Bashevis Singer, apresentando o livro a uma audiência americana, escreveu que toda a literatura modernista vinha de Hamsun. É difícil não notar as semelhanças com os seus herdeiros directos: Kafka e Beckett. Como eles, Hamsun foi um génio cómico. Como eles, quase patologicamente introspectivo.
Fome não nos permite o acesso a um mundo, a um microcosmos naturalista de relações sociais, mas a uma consciência explodida; uma consciência desesperada, que faz do desespero um santuário, e de santuário um inferno.
Publicada originalmente em 1890, Fome é a primeira grande obra-prima do século XX.
42 e 43 actual 20 de Setembro 2008 Expresso

O teste de sanidade
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Como Pound, Céline e outras presenças incómodas no Cânone, Hamsun foi politicamente testado pelo século XX - e falhou. As evidências não deixam grande margem de manobra ao revisionismo: apoiante entusiástico do regime nazi, Hamsun chegou a oferecer a sua medalha Nobel a Goebbels, e a escrever um elogioso obituário de Hitler. A posição mais caridosa que se pode adoptar é atribuir esse percurso à senilidade.
Orwell escreveu que para produzir uma grande obra de arte as opiniões de um escritor têm apenas de «ser compatíveis com a sanidade», no mais restrito sentido clínico.
Hamsun é um argumento contra essa tese. A sua mundividência não chega sequer a ser ideologia. As grandes monstruosidades intelectuais obedecem a um padrão bem definido: identifica-se um preconceito e ergue-se um edifício ideológico para o sustentar. Hamsun nunca chegou ao segundo estágio; as suas «opiniões» eram pura patologia. Não havia esqueletos no seu armário - apenas sombras e poeira. R.C.
43 actual 20 de Setembro 2008 Expresso

domingo, setembro 21, 2008

Luna Aurea

LUNA AUREA
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SACERDOTISA DEL TEMPLO DE LA LUZ DIVINA, MUJER SABIA

sexta-feira, setembro 19, 2008

Feira de São Mateus

São Mateus é o apóstolo padroeiro de Elvas e de Viseu. Certamente haverá outros locais em que assim acontece, mas esta efeméride nestas duas Cidades traz-nos memórias de outros tempos.
Na nossa juventude era hábito ir-se ao
São Mateus em Elvas, uma viagem curta de pouco mais de meia centena de quilómetros. A chamada Procissão dos Pendões era um momento solene, ao qual se juntava o passeio pela Feira, sem dúvida a melhor do distrito, que ombreava com a Feira de São João em Évora.
O facto de Cidadelvas a ela se referir, trouxe-nos uma cascata de recordações.

Diferente é
São Mateus em Viseu.
Aqui passamos uma década, na qual nunca deixámos de visitar a Feira, e curiosamente a primeira vez que fui a Viseu coincidir com o Feriado Municipal e Festividade do Santo, em 1973, era tennager. E este ano por lá se passou, e não tenho vergonha de dizer que andei nos 'carros-de-choque'....
A vida é feita de pequenas memórias, e as Feiras de São Mateus fazem parte desse património.
mj

Murmúrios das Profundezas

O Flávio enviou-me o livro de que é co-Autor «Murmúrios das Profundezas».
Esta obra de BD é uma homenagem de um grupo de portugueses cultores de
Howard Phillips Lovecraft ao próprio Lovecraft.
É composto por seis contos.
_ «Horrores de Blackcreek Mountain», Arte + Argumento de Rui Ramos
_ «Conflito de Titãs», Argumento de Flávio Gonçalves, Arte de Vanessa Bettencourt, Colaboração de Rui Ramos
_ «O Estranho Caso de Edgar Pickman», Argumento de Diogo Campos, Arte de Diogo Carvalho, Cor de Rui Ramos
_ «Êxodo de Yithia», Argumento de Luís Belerique + Ricardo Reis, Arte de Luís Belerique
_ «Transpor o Abismo», Argumento de Diogo Campos + Rui Ramos, Arte Vanessa Bettencourt, Colaboração de Luís Belrique
_ «Rua dos Remorsos», Argumento de Rui Ramos, Arte de Phermad
No final está uma curta biografia dos Autores.
Também se pode adquirir através do endereço:
murmuriosdasprofundezas@gmail.com
E consultar em:
http://murmuriosdasprofundezas.blogspot.com/
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Com uma tiragem de 200 exemplares, de certeza que em breve este livro se vai tornar uma raridade. Consideramos todos os contos de qualidade, pelo que se pode dizer ser uma edição de sucesso.
mj

quinta-feira, setembro 18, 2008

Magazine Grande Informação

Portalegre, a Robinson e o Suicídio
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A revista Magazine Grande Informação, N.º 25 de Setembro / Outubro, fala de Portalegre em dois momentos.
O primeiro, página 37, surge integrado no tema «No reino da cortiça», onde Ana Isabel Cabral, numa caixa, fala da Sociedade Corticeira Robinson. Nela, afirma: _ “Sedeada em Portalegre, a Sociedade Corticeira Robinson representa uma das empresas mais emblemáticas do sector corticeiro em Portugal. Embora se mantenha com o nome original inglês, há muito que a unidade fabril é detida por capitais nacionais. O fabrico de aglomerados para pavimentos e revestimentos continua a ser o seu principal negócio seguindo a maioria da produção para o estrangeiro.” Acompanha este parágrafo a fotografia de um artesão da cidade trabalhando a cortiça.
A outra referência a Portalegre é um trabalho de investigação, páginas 52 a 57, de Lídia Isabel Nicolau. O suicídio em Portalegre é a temática, e a Autora, através de três casos concretos, os de Dona Laurinda, Senhor Francisco e do Zé, aborda esse flagelo que no Alentejo tem alta taxa de sucesso.
Carlos Casaquinha, enfermeiro, Manuel Sardinha, psiquiatra, e Fernando Areal falam de causas que podem levar ao suicídio, não esquecendo variáveis em que Portalegre são factor a considerar. E para situar os casos concretos de suicídio passados em Portalegre, estão testemunhos do neto do Senhor Francisco, o Nuno Rolo, da Carolina, amiga do Zé, e da Ana Almeida, amiga da Dona Laurinda.
Recorde-se que no seu livro «E se eu gostasse muito de morrer», Rui Cardoso Martins fala do suicídio em Portalegre.
Se o livro de Rui Cardoso Martins é de leitura obrigatória, pelas razões que acima são expostas e pela revista em si, este número da Magazine Grande Informação também merece ser lido.
mj

quarta-feira, setembro 17, 2008

Crónica de Nenhures

A crise no Ensino em Portugal
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A História mostra que a Escola é um “instrumento” civilizacional, mas também que é um “instrumento ideológico. Quem detinha a Educação, detinha Poder. A Escola é um factor de dominação, daí a importância que sempre terá.
Não “andando” muito no sentido do passado, recordar-se-á a importância que era dada aos Jesuítas pelo facto de serem eles a deterem um espécie de monopólio do Ensino pelas terras por andes a Companhia de Jesus evangelizava.
Em Portugal fez “escola” a disputa entre Dominicanos e Jesuítas pelo privilégio do Ensino. O marquês de Pombal expulsou os Jesuítas de Portugal. Mas antes já os afastara do Ensino, e teve a preocupação de criar o Colégio dos Nobres, que, curiosamente se veio a revelar um nado-morto.
A Primeira República utilizou a Escola para “criar” o Homem Novo, o Homem Republicano. E de certa forma conseguiu-o. Neste curto período da História de Portugal, foi inquestionável a ênfase que os Republicanos davam à Escola, criando uma rede por todo o País, que o Estado Novo ampliou, se bem que diminuísse o cariz ideológico.
A Terceira República, principalmente nos anos a seguir a 1974, tentou impor a denominada Cartilha Marxista ao Ensino, mas o tempo veio diluindo essa importância. Hoje há mais disparates que ideologia, como é exemplo o que vem nos manuais estudados pela reportagem da revista Sábado da passada semana.

Falámos na Cartilha Marxista. E ela começa a ser “imposta”, em pleno Marcelismo, com a denominada Reforma Veiga Simão.
Hoje é mais ou menos consensual que a passagem de Viga Simão pelo Ministério da Educação trouxe mais malefícios que benefícios. E quiçá o mais mal foi ter permitido que gente ligada ao Partido Comunista Português assentasse arraiais na Avenida Cinco de Outubro. O PCP desde o tempo de Veiga Simão que controla a Educação em Portugal.
Também a passagem de Roberto Carneiro pela Pasta da Educação foi um desastre. Experiências pedagógicas, que rimam com demagógicas, foram implementadas. Havia um frenesim no sentido de aplicar à Educação em Portugal os métodos e técnicas mais progressistas, muitas vezes ao arrepio dos Comunistas do Ministério.
Hoje assiste-se a uma guerra surda entre Socialistas e Comunistas pela “posse” do Ministério da Educação. Com uma imprensa francamente desfavorável, a actual Ministra tem lutado contra o poderosíssimo lóbi Comunista na Educação. Dificilmente vencerá, porque o PCP tem um aliado de peso, o PSD. Pois é, em Portugal é assim a Política.
Mário Casa Nova Martins

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