\ A VOZ PORTALEGRENSE: Junho 2008

segunda-feira, junho 30, 2008

António Marques Bessa

Sociedade
página 8
30 junho 08
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Tratado de Lisboa tem sido conduzido “no isolamento e no secretismo”
Em entrevista exclusiva ao REGISTO, António Marques Bessa, catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas aborda as crises europeia e nacional, no rescaldo do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa
Vitório R. Cardoso REGISTO
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Num momento de crise da construção europeia e da inexistência de estratégias eficientes para a projecção de poder e ambições nacionais portuguesas, o semanário REGISTO anotou a análise crítica do professor catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), António Marques Bessa, sobre o relacionamento entre Portugal e a Europa.
Autor de obras de referência nacionais e internacionais no campo da Ciência Política, especialista dos estudos da Geopolítica e das Elites, António Marques Bessa tem nos últimos anos lançado diversos “avisos” à classe política portuguesa e ao rumo dos negócios entre Portugal e o Mundo.
“Quem Governa - Uma análise histórico-política do tema da Elite”, “A Arte de Governar”, “Introdução à Política” ou “Introdução à Etologia - A nova imagem do Homem” são algumas das suas obras, que têm servido de referência no estudo e investigação da Ciência Política em Portugal.
No rescaldo da vitória do “Não” da Irlanda aoTratado de Lisboa e de possíveis consequências e impactos para o processo da construção europeia, o catedrático alerta para o que diz ser a “preparação” de um “Governo estrangeiro” para Portugal, num momento em que se comemoram os 200 anos da vitória luso-britânica na Guerra Peninsular.
Sempre que o tema da integração europeia é focado a questão peninsular ou luso-espanhola acaba por ser referenciada. António Marques Bessa acredita que “a Espanha não deve ser nem uma preocupação nem uma barreira”, mas critica o primeiro-ministro quando “lhe deu na ideia de falar espanhol, mostrar que sabe falar castelhano”.
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Que impacto para Portugal se o Tratado de Lisboa entrar em vigor?
A classe política portuguesa tem conduzido este processo sozinha, no isolamento e no secretismo. Parece que têm medo do povo. E com razão. O povo, em Portugal, costuma corrigir os desvarios da sua classe dirigente. O melhor é fazer tábua rasa do povo e depois elogiar muito as decisões populares, ou seja, dos representantes de ninguém. Os impactos só se podem ver no futuro mas para um país de dez milhões de pessoas, sem recursos, descapitalizado, sem alimentos, que poderemos esperar? O governo do estrangeiro. Os britânicos vivem o seu complexo de ilha coroada, de ilha imperial, não estão dispostos a agachar-se.
Faz então sentido a denúncia de Nigel Farage sobre o totalitarismo “à soviética” da União Europeia?
Eu denunciei já há muito tempo a formação de uma classe política de eurocratas. É o começo da consolidação de uma nomenclatura de funcionários bem pagos que nada querem saber dos cidadãos. A cidadania diminuirá e os privilégios da nomenclatura aumentarão.
O esquema europeu baseado em altos e médios funcionários não vai a lado nenhum. A não ser ao marasmo, para onde já se inclina. Não basta ser entusiasticamente europeu. É preciso saber onde termina a Europa e quem é que lhe vai dar estrutura, ou seja, coluna vertebral. Porque ainda lhe falta muito para a ter.
Os povos continuam a responder pelas suas identidades de modo que não há nacionalismo europeu, a não o ser o sentimento europeu muito presente no pessoal político, a quem o assunto interessa.
Haverá algum paralelismo com os ideais Pan-Europeístas de Napoleão de há 200 anos?
Napoleão quis criar um Império continental de Lisboa a Moscovo e São Petersburgo, do Canal ao sul da Itália. Hoje as coisas são semelhantes: sem perspectiva marítima a Europa veste khaki, aposta pouca na construção marítima e na navegação. Os navios de transporte fogem às suas bandeiras e são construídos no Oriente. Os três maiores portos do mundo estão na China.
Admira-me que os Estados europeus, exceptuando o Reino Unido, a França e a Itália, só se ocupem em controlar mares locais e costas, como se tivesse desistido do “sea power”.
Os países com alguma tradição marítima não têm condições para a impor na União. Terão de vestir khaki à força porque a política pública estará alinhada com a política da Comunidade.
Sendo assim, existem ainda os chamados atritos ou conflitos entre países de visão e vivência maritimistas e continentalistas?
Não. Existem países que ainda se estão a continentalizar e organizar internamente como a Rússia, a China, o Brasil e países que ultrapassaram essa fase e se envolveram em fortes actividades marítimas de Guerra e Comércio como é o caso dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França. Os Países do Oriente tornaram-se grandes construtores navais sem maritimidade suficiente, mas hegemónicos em termos de comércio marítimo. É preciso lembrar que mais de 90 por cento dos bens segue a rota marítima. A UE ainda não percebeu o problema e continua a apostar nos caminhos-de-ferro, estradas e aeroportos. Numa península totalmente rodeada por mar, cheia de ilhas, isto é verdadeiramente um paradoxo.
Que soluções para Portugal? Qual o actual estado da geopolítica portuguesa?
Para Portugal, infelizmente, já passou o tempo de tomar decisões. Mas a sua elite política é claramente continentalista. Nem vale a pena apontar-lhes o velho caminho do mar. Não o compreendem.
Nos dias que correm fazem ainda sentido termos como soberania, independência e nacionalidade?
Só para alguns. Não faz sentido para os funcionários e eurocratas, isto é, para a nomenclatura. Irá fazendo sentido para cada um, a seu modo, na medida em que perceba a terra dos mortos e a comunidade de sonhos.
Sobre as elites, como analisa as opções dos actuais líderes europeus como parte integrante de uma “elite” Haverá alguma contra-elite? E no caso português?
As contra-elites morreram de cansaço ou esconderam-se de vergonha. Desgastaram-se em embates sem sentido por toda a Europa culta. Aqui também. Ou entraram no “grande sistema” como fizeram os comunistas, bloquistas e quejandos ou não conseguiram entrar, mas porque não conseguiram votos para um deputado. A vontade geral dos potenciais representantes do povo representado é estar visível.
A elite faz como Ernst Junger recomendou: retira-se para a floresta. E aqui também. A floresta pode ser um convento, uma universidade, uma Misericórdia, um Hospital, o campo de Vale de Lobos, as serras de Torga, o País dos Uvas de Ramalho, a Terra dos Hobbit de Tolkien, A Costa Negra de Conan o Bárbaro, as Escarpas de Mármore de Junger, e assim por diante.

NO NAME BOYS

Benfica na Liga dos Campeões


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Ser Benfiquista não está ao alcance de qualquer um!
E eu Orgulho-me de o ser.
Mário

sexta-feira, junho 27, 2008

Simca Aronde 1300

Para “situar” melhor o nosso Simca Aronde 1300, de 1955, edito duas fotografias que encontrei na internet. A única diferença reside na cor, que era cinzenta, tudo o mais é igual. No local onde encontrei as fotografias referia exactamente o ano de 1956.
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Também encontrei um desenho que mostra o banco da frente, corrido, e o tablier. Curiosamente, os estofos do nosso Simca tinham esta cor, verde, e padrão. Digo ainda que no tablier, “escondidos", à direita estava o porta-luvas, a meio o cinzeiro e à esquerda o rádio. Tinha quatro mudanças, ficando a manete junto ao volante.
Mário Casa Nova Martins
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quinta-feira, junho 26, 2008

Simca Aronde 1300

Esteve na Família durante precisamente duas décadas. Comprado em 1955, foi “dado” em troca em 1976.
Foi o nosso primeiro carro. Deixou saudade.

Não era um carro de luxo. Seria um “utilitário”. Foi de Vila Real de Santo António a Caminha. Andou pela Galiza e em Castela. Nunca nos deixou “em terra”.
Encontrámos estes livros, cartazes e a miniatura.

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A fotografia mostra fielmente
como era o nosso Simca Aronde 1300
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Era esta a cor. Mas a frente e os faróis trazeiros eram diferentes.
Faltam-lhe os cromados laterais que se vêem na fotografia acima. Simca Aronde (modelo 9 Aronde)
Mário Casa Nova Martins

Simca Aronde

Hergé “utilizou” o Simca Aronde (modelo 9 Aronde). Foi em L’Affaire Tournesol. Na página 20 encontramos oito vinhetas em que ele aparece como táxi.
Não teve sorte o Simca, que “acabou” dentro do lago, embora todos os seus ocupantes se salvassem. Como convém!

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Táxi Simca de “O Caso Girassol”

Religião

Simca Aronde

Constructeur : Simca
(Simca Aronde P60 Élysée)
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Dates de production1951-1964Production totale1 400 000 véhiculesModèle précédent
Simca 8
Modèle suivantSimca 1300 / 1500Classevoiture familialeMoteur(s)
1.1 L ohv I4
1.2 L ohv I4
1.3 L Flash ohv I4
1.3 L Rush ohv I4
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O modelo Simca Aronde existiu entre 1951 e 1964.Eis a sua História:
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La Simca Aronde était une berline familiale fabriquée de 1951 à 1964 par le constructeur automobile français Simca, ex-filiale française de Fiat. À la différence des précédents modèles de la marque, copies conformes de modèles Fiat, l'Aronde fut le premier à dévoiler un design original, bien que sa base mécanique soit strictement dérivée de la Fiat 1200. Il est également le premier modèle monocoque de la marque.
Le nom « Aronde » a été choisi car il signifie « hirondelle » en vieux français et l'hirondelle est symbole de la marque Simca.
Ses qualités : direction précise et légère, nervosité, bon freinage entraînant une conduite globalement agréable.
Ses défauts : essieu arrière sautillant et inconfortable, commande de boîte très imprécise et première non synchronisée.
Trois générations d'Aronde se sont succédé, la 9, puis la 90A, et enfin la P60.
.9 ArondeLa Simca 9 Aronde a été construite de 1951 à 1955.
La première série étant produite de 1951 à 1953 (calandre en podium), et la seconde, de 1954 à 1955 (calandre en arc de cercle).
C'est en 1950 que Henri-Théodore Pigozzi achète la licence de fabrication des Stabilimenti Farina, sur base de la nouvelle Fiat 1100, sortie en 1948, qui deviendra la base de la future Simca 9 Aronde.
La Simca 9 Aronde est présentée le 31 mai 1951, c'est la première Simca française, elle n'a presque plus rien en commun avec un modèle Fiat existant comme la Fiat 1400 (modèle de la même époque).
C'est une voiture à structure monocoque dont la carrosserie est dessinée par Roger Dumas, son style ressent de la forte influence américaine, avec une ligne du style ponton, c'est l'une des premières voitures françaises avec les ailes avant intégrées dans le reste de la carrosserie, sa face avant bénéficie d'une calandre dite en podium ou en escalier et, en son temps, elle disposait de très larges baies vitrées.
Elle parait résolument moderne face à la Traction de Citroën ou aux autres productions Renault et Peugeot de l'époque. Malgré sa modernité apparente, la Simca 9 Aronde ne prend pas de risques et reste fidèle à la propulsion. Elle est mue par le même moteur Fiat de 1221 cm3, identique à celui qui équipait les Simca 8 1200, qu'elle remplace, mais dispose de 45 ch. L'intérieur des premières Simca 9 Aronde est tapissé d'un tissu rayé (année-modèle 1951), vite surnommé « drap de déporté » car la guerre était encore dans tous les esprits, ces premières versions ont la particularité d'avoir leur batterie de 12 V sous la banquette avant.
La première série de la Simca 9 Aronde 1951 se reconnaît par le monogramme de calandre à fond noir et le pare-chocs arrière en une seule pièce, contre trois à partir de 1952.
.Aronde 1300L'Aronde 1300 a été construite de 1956 à 1958 (entre la fin de la Simca 9 et le début de la P60). Les lignes de sa carrosserie, dite « Océane » étaient inspirées d'une voiture américaine : la Kaiser 1953, la ressemblance la plus frappante se situant au niveau de la calandre. C'est en 1957 que Simca, faisant preuve de sa grande maîtrise des moyens de relations publiques a su redonner un retentissement à l'opération des records du monde qui faisaient rage entre les grands constructeurs de cette époque. En effet, une Aronde strictement de série fut prélevée le 20 mars sur la chaîne de production et était la 538 080e produite depuis 1951. Le départ fut donné à Monthléry le 9 avril à 6h01. La voiture tourna donc pendant 38 jours et 37 nuits pour arriver le 16 mai à 14h et y parcourir 100 000 km a une moyenne de 104 km/h.
.Aronde P60La Simca Aronde P-60 est la dernière création de Simca au début des années 1960, P pour personnalisation et 60 pour la décennie. Elle a été construite de 1958 à 1963. Le 22 mai 1963 elle a été remplacée par la Simca 1300.
L'Aronde P-60 est le terme générique qui définit : Étoile, Étoile Super, Étoile 7, Élysée, Monthléry, Monthléry Spéciale, Monaco, Monaco Spéciale, Plein-Ciel, Plein-Ciel Grand Carrossier, Océane, Océane Grand Carrossier, Châtelaine, Artisanale, Messagère, Intendante, Ranch.
Au total, ce sont 1 274 819 Aronde qui ont été construites. C'est principalement grâce à ce modèle que Simca a pu se hisser à la place de second plus important constructeur automobile français à la fin des années 1950. Il faut aussi noter que Simca avait le don de communiquer sur son cheval de bataille et durant toute sa carrière, l'Aronde bénéficia d'intenses campagnes de presse.

quarta-feira, junho 25, 2008

A Conquista do Oeste


HOW THE WEST WAS WON [1962 TRAILER]
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A EPOPEIA DO OESTE
1965, 265 Cromos, Íbis
20x27 cm, 64 Páginas
Cromos: 265 foto cromos reproduzindo imagens do filme "A Conquista do Oeste" da Metro Goldwin Mayer. A colecção incluía cromos duplos e quádruplos.
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Um filme e uma colecção de cromos. A Memória da nossa Juventude.
Mário

segunda-feira, junho 23, 2008

Nonas

Homenagem ao Nonas, Gente d’Algo.
Um Amigo!
Abraço.
Mário
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Massimo Morsello "Leon Degrelle"

Broncas do Camilo

Alentejo

Três lisboetas armados em ricos perante um alentejano...
Diz o primeiro lisboeta:
_ Eu tenho muito dinheiro. Vou comprar o banco BPI!
Diz o segundo lisboeta:
_ Eu sou muito rico... Eu vou comprar a fábrica FIAT Automóveis!
Diz o terceiro lisboeta:
_ Eu sou um magnata. Vou comprar todos os supermercados Continente!
E os três ficam esperando o que o alentejano vai dizer.
O alentejano dá uma baforada no cigarrito, engole a saliva... faz uma pausa... cospe no chão e diz:
_ Nã vendo!...
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By mail, from "esta terra do fim-do-mundo"

sábado, junho 21, 2008

Solstício

Stonehenge

quinta-feira, junho 19, 2008

Corto Maltese

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aujourd’hui, "extrême"

Hergé

Hergé
À LA RECHERCHE DU TRÉSOR DE
Rackham le Rouge

Le véritable Trésor de Rackham Le Rouge, créé en noir et blanc par Hergé dans le feu de l'action feuilletonesque du Soir volé, n'avait jamais été publié en album. Dans la version couleur éditée et imprimée par Casterman en 1944, l'auteur a réorchestré les 183 strips originaux, coupé certaines cases, étoffé de nombreux décors, corrige les dialogues, tissant parfois la saveur populaire des phylactères. À la recherche du Trésor de Rackham Le Rouge invite le lecteur dans les coulisses de l'œuvre intégrale et originale, sur les traces de l'authenticité. D'une case à l'autre, les auteurs ont minutieusement cherché à voir et à savoir comment, pourquoi, Hergé a méticuleusement modifié le visage de son récit.
Tempos atrás falámos de «Les Vrais Secrets de La licorne». Agora, novamente graças ao eBay, conseguimos «À la Recherche du Trésor de Rackham Le Rouge». Um facto que celebramos!

quarta-feira, junho 18, 2008

Crónica de Nenhures

A Paz dos Bravos
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Diz o Povo e com razão que “o que tem que ser tem muita força!”. A razão está do seu lado, a luta que trava é justa. Mas o Sionismo, que não Israel ou o Povo Israelita, continua a massacrar o Povo Palestiniano. Se o Estado de Israel tem o direito à existência, e tem, também o Estado Palestiniano também tem que existir.
O Estado Palestiniano não se confina ao espaço geográfico que Tratados Internacionais actualmente o definem. É verdade que parte do território está ocupado por Israel e que a Cidade de Jerusalém é a Capital da Palestina, assim como é a Capital de Israel. Jerusalém é uma Cidade que é pertença da Humanidade, berço das três Religiões Monoteístas, mas é simultaneamente Capital de dois Estados. Mas também é verdade que a maior extensão de território Palestiniano está ocupada pela Jordânia, um Reino fantoche, “cavalo de Tróia” de interesses sionistas na região.
Agora, por interferência diplomática do Egipto, Israel aceita uma trégua de seis meses com os Palestinianos. É uma vitória das forças democráticas contra a corrupta Fatah, há muito dependente de Israel e cada vez mais isolada no Mundo Árabe e dentro da Palestina. Mahmoud Abbas, o seu líder e presidente da Autoridade Palestiniana mantém-se no lugar graças ao apoio de Israel e dos EUA. Agora, embora “parte interessada”, não teve qualquer papel de relevo nas negociações. É cada vez mais uma figura incómoda para a resolução dos problemas daquela Região do Médio Oriente.
Em contrapartida, o Hamas, vencedor justo das últimas eleições democráticas realizadas na Palestina, assume a liderança quer política, quer militar contra a ocupação estrangeira da Palestina. Tal facto não é do agrado dos EUA, de Israel e da Jordânia, mas a verdade é que o Futuro é com o Hamas e os outros Movimentos Democráticos Palestinianos, e não com a corrupta Fatah.
MM

Restauração

1640

Inconformista

terça-feira, junho 17, 2008

S

Um dia hei-de te dizer
Que há sempre o dia seguinte
Por muito que te custe crer
Mesmo que nada tenhas a ver
Verás que a saudade
É maior quando por instinto
Interiormente eu sinto
Que aquilo que foi verdade
Deixou de ser a razão
Para que no dia seguinte
Não venha a dizer que não
Se me estenderes a mão!
m

segunda-feira, junho 16, 2008

MasterBlog

A Minucha entendeu, com uma grande “dose de Amizade”, atribuir a esta modesta Casa uma Distinção.
Aceitamo-la com o maior Orgulho e Agradecimento.
Obrigado Minucha.

Agora é a minha vez de, em jeito de agradecimento, o dedicar a Todos os que uma vez por aqui passaram.
Muitos Deles sei que continuam a visitar-me, o que me enche de Alegria. Alguns são Companheiros de Armas. Outros, Amigos.
A Todos o meu Bem-Hajam!
Mário

Livro

João Carlos Espada está para a Esquerda, como José Miguel Júdice está para a Direita. Ambos vieram dos espectros das extremas, e evoluíram para um centro político. Depois voltaram a movimentar-se ideologicamente, o primeiro para a direita chegando a Conselheiro de Estado a convite de Aníbal Cavaco Silva, e o outro mais para esquerda para compagnon de route do Partido Socialista.
Curiosamente, o passado Fascista de Júdice parece “pesar” menos no próprio, do que o passado Estalinista - Maoísta - Trotskista em Espada.
Júdice é um pragmático, na essência nunca deixou de ser um Homem de Direita, e faz da Política não uma Arte, mas uma maneira de rentabilizar os negócios em que está envolvido. E exemplos como o de Júdice pululam à Direita e à Esquerda em Portugal e não só, diga-se.
Diferente é Espada, que se define como um ideólogo. Como tal, tem ao longo do tempo “escolhido” Mestres, de quem se torna depois divulgador do seu Pensamento, uma vez que até à data não conseguiu produzir nada de relevante no Pensamento Político Português. Se há muito mandou às malvas Lenine, Trotsky, Estaline e Mao, depois deitou às urtigas Karl Popper.
João Carlos Espada é hoje o maior divulgador de Winston Churchill em Portugal. Sem dúvida que a sua “atracção” por genocídas é gritante!...
Por esse mundo fora, a figura de Churchill tem sido alvo de uma aprofundada análise quanto às consequências das suas decisões políticas. E estas começam ainda antes da Primeira Guerra Mundial. O “herói” da Segunda Guerra Mundial é tão responsável pelos Crimes de Guerra que nela foram praticados pelos derrotados Hitler e Mussolini, assim como pelos vencedores Estaline, ele próprio, Roosevelt e Truman. Mas “isto” não “aceita” Espada.
Os livros que comenta, e que são um libelo acusatório à estratégia de Churchill, desagradam-lhe. Daí, em defesa do seu actual “ídolo”, as “comparações in-comparáveis” que faz.
MM

Crónica de Nenhures

Tempo de Opções
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Chegou para ficar. E se não se fala dela há mais tempo, é porque a estratégia dos socialistas resultou em pleno, ao conseguirem adiar o inadiável para depois das eleições legislativas, que ganharam.
Sabia-se que a crise económica chegara a Espanha, e que Portugal, já em crise há vários anos, iria por arrastamento “solidarizar-se” com ela. Pois é, “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”, lá diz o ditado popular!
Mas a verdade é que a Espanha não é uma Nação, mas sim um conjunto de Nações. E tal facto permite-lhe que em termos económicos haja sempre uma Nação que está numa situação que serva de “locomotiva” para o processo de revitalização da economia como um todo.
O mesmo já não se passa com Portugal. Ficará para a História que a grande oportunidade perdida das últimas três décadas em Portugal foi o falhanço do Norte de Portugal liderado pela Região do Grande Porto em termos económicos, face aos apoios recebidos da Europa Comunitária. O contrário é o sucesso da Região de Lisboa e Vale do Tejo.
As lideranças da Região do Porto, em que em muitos dos piores aspectos se “visualizam” em gente como Manuel Serrão, Pedro Abrunhosa ou Jorge Nuno Pinto da Costa, Fernando Gomes, Narciso Miranda ou Valentim Loureiro, não conseguiram criar ou gerar um pólo de desenvolvimento como o que aconteceu na Catalunha, País Basco e está a acontecer na Galiza pós Fraga Iribarne, um “empecilho neo-franquista”, vulgo “excrescência castelhana” na Nação Galega.
O Norte de Portugal nunca deixou a visão provinciana, segundo a qual os insucessos tiveram, têm e terão a ver com o Terreiro do Paço. Se algo corre mal, a culpa é do Governo de Lisboa. Assim não há futuro. Hoje Vigo é a capital da Região entre o Golfo da Biscaia e o norte do Rio Douro.
É com a cada vez maior importância económica da Galiza em Portugal que os portugueses devem contar para uma futura retoma económica.
Fortalecer os laços políticos, económicos, culturais e sociais com a Galiza, é fundamental para Portugal, a par do estreitamento de relações com a Catalunha e o País Basco, outros dois motores da economia da Ibéria.
MM

Livro

É sempre contraproducente dizer mal de algo em que se foi protagonista, modesto ou não, depois de se ter sido afastado do processo em causa. Mas assim não o julgou Scott McLellan, e fez mal!
«What Happened: Inside the Bush White House and Washington's Culture of Deception» é a obra de um perdedor, de um mal agradecido. Enquanto tudo lhe correu de feição, McLellan era um “devoto” Bushista. Depois tornou-se mais anti-Bush que o próprio George W. Bush com a sua incompetência e os seus embustes. Misérias humanas.
Incompetente também é Luís Filipe Veríssimo, ou então escreveu este texto sobre o Iraque e o livro de McLellan “com os pés”.
Será incompetente, se ao escrever desconhecia que quer à direita, quer à esquerda, houve gente que desde a primeira hora foi contra a invasão do Iraque. A esquerda não tem o monopólio quer do anti-Bush, quer do anti-guerra do Iraque. Mas Veríssimo parece que é “vesgo”, ao colocar a “virtude” na esquerda e a “ignomínia” na direita.
Como Veríssimo não será “vesgo”, então decididamente escreveu “com os pés”. Nos EUA em jornais e livros desde o início que à direita se criticou a decisão de invadir o Iraque, como agora em relação ao Irão. Como Veríssimo que ser “mais papista que o papa”, isto é mais esquerdoide que qualquer esquerdista, como que vandalizou a página da revista com torpes insinuações e, pior, à maneira estalinista “reescreveu” a História.
MM

Iraque

COLABORADORES
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A imprensa americana está comentando o recém-lançado livro de Scott McLellan, que foi porta-voz da Presidência durante três anos e agora conta tudo sobre a campanha mentirosa para justificar a invasão do Iraque e outras sujeiras do Governo Bush. A única novidade do relato é ser feito por alguém que estava dentro da Casa Branca e participou — muitas vezes enganado também, diz ele agora — do logro que resultou na guerra mais longa em que o país já se meteu e cujo custo em vidas humanas continua a subir. A imprensa americana está comentando menos outra coisa que já se sabia mas ninguém com as credenciais de McLellan tinha dito antes: a sua própria cumplicidade na campanha mentirosa. Com a autoridade de quem se encontrava com ela quase todos os dias, McLellan descreve uma imprensa subserviente, que raramente questionava as mentiras do Governo e, com poucas excepções, aceitava todas as razões da direita guerreira.
O New York Times», besta negra dos conservadores americanos com a sua linha pró-democratas e internacionalista, forneceu os exemplos mais notórios de colaboração com o engodo nas suas matérias de primeira página em que a super-repórter Judith Miller transmitia as alarmantes ficções do escroque iraquiano no exílio Ahmad Chalabi sobre as armas de destruição em massa do Saddam. O «Times» depois pediu desculpas aos seus leitores, mas nenhum outro grande jornal americano que ajudou a promover a guerra teve o mesmo escrúpulo. MaLellan chama a atitude da maior parte da imprensa em relação a Bush, antes e depois da invasão do Iraque, de «reverencial».
Apesar de persistir nos Estados Unidos o mito de uma imprensa dominada por «liberais», o facto é que — de novo, com excepções — a direita não tem do que se queixar dos jornais americanos. Mesmo os não abertamente reaccionários, como o «Wall Street Journal», preferem um centrismo não muito bem equilibrado. Agora mesmo, com as eleições presidenciais se aproximando, o desequilíbrio aparece.
Não fizeram metade do barulho com as ligações do republicano McCaincom religiosos malucos mas brancos, como o que disse que Deus castigou Nova Orleães pelos seus pecados com o furacão, que fizeram com a ligação de Obama com aquele pastor radical negro. «Double standards» é o termoem inglês para dois pesos e duas medidas. Os «double standards» da imprensa americana estão à mostra.
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
46 actual 13 junho 2008 EXPRESSO

quinta-feira, junho 12, 2008

Espanha

Crise da economia espanhola agudiza
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Todos os indicadores mostram resultados negativos.
Zapatero ainda não assumiu a gravidade da situação
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O Governo espanhol é a única entidade que resiste a aceitar o facto de o país estar a viver uma das crises económicas mais sérias da sua história recente. Chama-lhe "desaceleração", acrescentando-lhe o qualificativo de "intensa" ou "profunda", consoante os casos.
A palavra 'crise' não foi ainda pronunciada por nenhuma instância oficial. E, no entanto, nenhum dos indicadores clássicos deixa margem para dúvidas, jáque todos apresentam resultados negativos. Os especialistas dizem que é obrigação do Executivo não contribuir para o pessimismo generalizado, mas acrescentam que é uma grave irresponsabilidade não aceitar a realidade, porque é um dos elementos básicos para elaborar uma estratégia adequada para a neutralização da crise. Embora ninguém se atreva a falar em público de recessão, muitos aceitamque já não é um horizonte impossível.
Em Espanha, quatro factores básicos coincidiram para explicar a situação: a influência da crise desencadeada pelo fenómeno das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos; a subida desenfreada dos preços dos produtos petrolíferos: a alta dos custos dos alimentos básicos; e o rebentar da bolha imobiliária, com o seu efeito imediato em todo o sector relacionado com a construção. O resultado foi uma descida das taxas de crescimento (a taxa homóloga foi em Maio de 2,7%, a mais baixa desde 2002, e prevê-se uma taxa inferior a 2% no final do ano), um aumento muito significativo do desemprego e da inflação, uma descida das receitas do Estado pela menor actividade e o desaparecimento do «superavit» nas contas públicas, entre muitos outros. O problema é que ninguém se atreve a vaticinar a duração deste clima, que afectou seriamente a confiança dos cidadãos. No Governo mantém-se a tesede que no final deste ano já se observarão alguns sintomas de recuperação, mas há analistas que consideram que isso não sónão será assim, como em 2009 o perfil da crise se agravará.
O ministro da Economia, Pedro Solbes, que é também vice-presidente do Governo e goza de toda a confiança do primeiro-ministro Zapatero, acredita que terminará o ano com uma inflação do 3,5%, desde que os combustíveis se mantenham nos preços médios actuais; contudo, os dados de Maio elevamjá este número para 4,7%, o mais elevado desde 1995. Há alimentos básicos (pão, leite, ovos, carne de frango...) que têm registado subidas superiores a 40%.
O desemprego apresenta resultados similares. Há actualmente mais 318 mil desempregados que em 2007, totalizando 2,35 milhões de pessoas, com taxasque são as mais altas entre todos os países europeus. A associação patronal CEOE teme que o ano termine com cerca de três milhões de desempregados, o que terá impactos significativos nas despesas para cobertura dodesemprego. Os imigrantes são os mais afectados, e estão a ser tentadas fórmulas que incentivem o regresso aos seus países de origem.
As vendas de automóveis caíram 24.3% em Maio. E na Bolsa, nos cinco primeiros meses do ano, venderam-se menos 12% de títulos do que em igual período de 2007. O consumo de gasóleo caiu cerca de 10% em Março. Areceita do IVA baixou nos quatro primeiros meses do ano cerca de 10.2% e só no mês de Abril caiu l9.7"o. A descida na venda de apartamentos foi de 40% emAbril e já há mais de um milhão de habitações no mercado à procura de compradores, que escasseiam devido às restrições aocrédito hipotecário e à subidada Euribor para os 5%. O consumo privado, que representa 60% do PIB, está a crescer ao ritmo mais lento dos últimos 13 anos e o índice de confiança dosconsumidores desceu dos 96,7% em 2004 para 63,8% em Abril deste ano. O prazo de liquidação de dívidas é hoje 140% mais altoque em Abril de 2007 e as caixas de aforro registam operações de crédito duvidoso no valor de €13 mil milhões.
O panorama, seja qual for oponto de vista, é desolador. E o pior é que, na opinião dos especialistas, as previsões do governo impediram que, até agora, fosse avançado um pacote mínimo de soluções.
ANGEL LUÍS DE LA CALLE
correspondente em Madrid
economia@expresso.pt
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A ESPANHA EM NÚMEROS
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PIB por habitante (2007)
30.120 dólares
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PIB (2007)
1.351.608 milhões de dólares
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Taxa de inflação acumulada anual em Maio de 2008
4,7%
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Taxa de crescimento homóloga (Maio 2007 – Maio 2008)
2,7%
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Taxa de crescimento prevista oficialmente para 2008
2/2,3%
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Taxa de crescimento (previsão OCDE do PIB preços mercado)
1.6% (contra 6,6% em 2007 e 8,3% em 2006)
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Crescimento das importações em 2008 (previsão OCDE)
3,6% (contra 6,6% em 2007 e 8,3% em 2006)
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Taxa de desemprego (Maio 2008)
9,3% (contra 8,3% em 2007
Expresso, 07 de Junho de 2008
ECONOMIA 19
MUNDO

quarta-feira, junho 11, 2008

Livro(s)

CHURCHILL SOB FOGO CRUZADO
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O que é realmente novo é que as críticas contra Churchill reapareçam simultaneamente da esquerda e da direita (no passado, costumavam alternar entre a esquerda e a direita).
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Dois livros recentíssimos, já amplamente comentados na imprensa internacional, acabam de reabrir a polémica sobre Winston Churchill e a necessidade da II Guerra Mundial. O facto em si mesmo não é novo. Numa sociedade livre, nenhum líder está isento de crítica e reapreciação — e Churchill esteve sempre no centro de controvérsia, incluindo durante o período em que liderou a resistência britânica.
O que é realmente novo é que as críticas contra Churchill reapareçam simultaneamente da esquerda e da direita (no passado, costumavam alternar entre a esquerda e a direita).
À direita, temos o notório Patrick Buchanan com um título bombástico: “Churchill, Hitler and “The Unnecessary War”: How Britain Lost the Empire and the West lost the World”. Da esquerda vem Nicholson Baker com “Human Smoke: The Beginning of World War II, the End of Civilization”.
Sendo ambos americanos, ambos sustentam que a América não devia ter entrado na guerra ao lado de Inglaterra. E ambos responsabilizam Churchill por esse facto.
O argumento de Buchanan é o mais antigo, e era bastante difundido em parte da elite inglesa antes da guerra. Hitler não era uma ameaça para a Inglaterra, era sobretudo anticomunista. Teria destruído a Rússia bolchevista e ocupado uma boa parte do continente. Mas o que Churchill conseguiu foi entregar metade da Europa aos russos e perder o Império britânico — em defesa do qual disse ter entrado na guerra contra a Alemanha.
O argumento de Baker pode na melhor das hipóteses ser considerado pacifista. Na pior, será designado por relativista (não sendo no entanto claro que os dois termos se excluam). É certo que a Alemanha nazi era péssima, mas Churchill e os seus homens eram sobretudo imperialistas e anti-comunistas. Para manter o império britânico – que acabaram por perder – alastraram a guerra ao mundo inteiro e usaram métodos bárbaros semelhantes aos de Hitler.
Este espaço não permite uma discussão detalhada sobre estes argumentos — que, numa sociedade livre, certamente requerem discussão serena e não apenas indignação. Mas duas coisas podem ser ditas. A primeira é que aquelas críticas a Churchill têm como explícita motivação a crítica à actual intervenção anglo-americana no Iraque. Isso é obviamente um disparate: não sabemos o que Churchill teria dito sobre o Iraque actual; e não vale a pena reescrever o passado por causa de uma divergência legítima sobre o presente.
A segunda foi dita por John Lukacs ao “Herald Tribune”: “Churchill sabia que ou Hitler dominava toda a Europa ou os russos dominavam metade dela. E metade da Europa livre, sobretudo a parte ocidental, era melhor do que nada”.
João Carlos Espada
jcespada@netcabo.pt
Expresso, 07 de Junho de 2008
PRIMEIRO CADERNO 53

Leilão

Parafraseando Roberto Browning: O que é difícil não é escrever um livro; é saber ler um livro.
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Por um livro único, o bibliómano "rejeitaria a coroa das índias, o Papado, todos os museus da Itália e da Holanda, se os houvesse de trocar por esse único exemplar".
Machado de Assis
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DUAS PALAVRAS
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Estou muito velho e já não tenho espaço para os livros.
Resolvi, por isso desfazer-me de parte da minha biblioteca.
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Muitos lotes são não só interessantes como invulgares. Chamo a atenção, entre outros, para o Cancioneiro da Ajuda, para as Ordenações e vários volumes que respeitam ao antigo direito, para Kant, para Sade, para a edição de 1808 da sentença da revisão do processo dos Távoras e uma cópia manuscrita, provavelmente de fins do século XVIII, para uma colecção de periódicos do tempo da Mana da Fonte e onde figura o primeiroartigo de Camilo Castelo Branco, para um atado com folhetos de literatura de cordel, para Eça de Queirós, para o Orfeu e alguns modernistas; e, em especial, para uma Cervantina fora do comum e que conta espécimes preciosos e raríssimos - por exemplo, uma edição do D. Quixote publicada em Lisboa em 1605 e saída da oficina de Pedro Crasbeeck e que é, talvez, exemplar único, como provei numa comunicação que proferi em 1999 na Associação dos Arqueólogos Portugueses e que tem separata e entra também neste leilão (lote nº 259).
Quando vi levarem os livros, acudiu-me ao espírito o episódio d’A Morgadinha dos Canaviais em que o herbanário assiste com o coração apertado ao corte das suas árvores.
E com uma saudade imensa que me despeço de amigos de todas as minhas horas, mas espero que quem adquirir as obras - sejam ou não as mais cotadas comercialmente - as estimem tanto como eu as estimei.
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Lisboa, Fevereiro de 2008-06-11
Guilherme Goldegel de Oliveira Santos

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Deste Ilustre Escritor e Bibliófilo temos estes dois livros

terça-feira, junho 10, 2008

10 de Junho

sexta-feira, junho 06, 2008

Inquirições IV

A Prova
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Parece que nem tinha chegado a tocar com os dedos na porta, e eis que se abre como que por obra de um impulso mental da minha parte. Dou um passo em frente. Entro um pouco a medo. A sala não tem nenhuma abertura por onde possa entrar uma réstia de luz. Mas mesmo assim consigo vislumbrar que tem a forma de um triângulo e que não tem nada dentro. As paredes, o tecto, o chão estão despidas de qualquer ornamento.
Não sinto qualquer constrangimento. A decisão foi correcta. Avanço em direcção ao circuncentro. Tudo parece em conformidade com a racionalidade dos elementos. Afinal não há razão para temer o desconhecido. Só os ignorantes temem o que não conhecem. O medo é gerado pela ignorância. A razão tudo explica. Não vale a pena negar. Os sentidos são um produto da razão. Sinto, logo existo.
Acredito na razão. Fecho os olhos. Os meus sentimentos estão plenos de certezas. À mente começam a chegar sensações. Invade-me um prazer imenso. Vejo que à minha volta tudo é claro, em meu redor há uma luz forte. Não sei a sua fonte, mas o meu pensamento brilha com aquela luz. Nada do que ou em que penso é escuro. Sei que a vida é luz.
À vida está associada a luz. E quando o afirmo, começo a ouvir umas vozes indistintas. Há imagens associadas a esses murmúrios. Aproximam-se de mim. Quero resguardar-me junto a um qualquer vértice da sala, mas não consigo deslocar-me em nenhum desses sentidos. Sinto que os meus pés estão a elevar-se do chão. Não consigo contrariar a anormalidade na lei da gravidade. Subo. Estou quase a atingir o tecto.
Agora, os vultos estão mesmo por debaixo de mim. São gente. Parece que não me vêem ou que simplesmente me ignoram. As palavras que proferem são horrendas. Falam de Alguém que se dizia O Messias e que mataram. Estão felizes. Fizeram o que tinham que fazer. E Deus está contente. Era um blasfemo.

Felicidade, por uma Vida aniquilada!
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, junho 05, 2008

H. P. Lovecraft


H. P. Lovecraft 1933 WPA Newsreel Interview

H. P. Lovecraft

A D. Harmes, Cultor de Lovecraft
À
Cidade do Sossego
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El Intruso

quarta-feira, junho 04, 2008

Inquirições III

O Selo de Salomão
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Quando passo a porta, e depois de me ambientar à penumbra, enxergo não um corredor mas uma sala em forma hexagonal. Em cada face do hexágono está uma porta. A vontade de saber a que conduz cada uma delas cresce. Sinto-me forte para entrar. Há uma paz neste lugar, que contrasta com o frio que me enregelou quando empurrei a porta.
Mas serei capaz de dar o passo necessário para conhecer o que me espera? O que vou encontrar? Por onde devo iniciar a demanda? Porquê este desejo absurdo pelo desconhecido? Como de um momento para o outro deixo a dúvida e entro na certeza? O arbítrio da escolha conduz-me à porta que me está à esquerda. Porquê? Não sei o que me impeliu nesta direcção. Mas não vou recuar, recusar.
A distância que me separa da porta é curta, mas mesmo assim não dei por a percorrer. Uma força como que me impeliu para ela. Gostava de me lembrar quantos passos dei, mas agora parece que não andei, que não me movi em direcção a ela. Será que ela veio ter comigo? Fui eu que a busquei, ou foi ela que me procurou? Estou junto dela, que faço? Entro?
O que há pouco me parecia uma certeza é agora uma dúvida. Mas porque é que eu tinha a certeza de que queria entrar e agora já não sei se quero? No fundo tenho a consciência de que tudo o que tenho feito é percorrer um caminho à procura de algo. Mas que ainda não sei se encontrarei, porque a própria imagem que tenho do que procuro é muito ténue, vaga. Este dualismo que me corrói não me deixa decidir.
Qual o risco que corro ao transpor a porta? O que haverá para além dela? Que importa saber antes? Não vou esperar mais. Este é o momento em que tenho que tomar a decisão. De uma vez por todas. Esta espera começa torna-me fraco. E não posso fraquejar, agora que estou tão próximo de saber o que vou descobrir. Tenho que encontrar a força necessária para avançar.

Por onde vou? Sei que vou por aqui!
Mário Casa Nova Martins

Crónica de Nenhures

Obama versus McCain
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A eleição presidencial nos EUA mobiliza sempre menos de metade dos eleitores. Menos de cinquenta por centos dos americanos vota naquela que é a mais importante eleição política mundial, dado ser este o país mais importante do planeta.
Todavia, fora dos Estados Unidos, principalmente na Europa, esta eleição é vista com uma intensidade elevada. É que, no caso europeu, a América é um parceiro político e económico de extrema importância, e qualquer conflitualidade na política ou economia internas, gera efeitos consequentes na Europa.
Mas, dado o estatuto de única superpotência, a eleição presidencial nos EUA, principalmente neste ano de 2008 que marca um fim-de-ciclo pela impossibilidade do actual presidente se candidatar a um terceiro mandato, acresce de importância, mesmo a nível interno.
Neste momento são já conhecidos os dois principais candidatos. Pelo Partido do Elefante está John McCain, e pelo Partido do Burro é Barak Obama. Se o primeiro representa a “evolução na continuidade” o segundo é uma “força de mudança”.
Seria catastrófico para o mundo se o Bushismo tivesse uma quarta oportunidade. Recorde-se que a primeira foi com George Bush, que delapidou o Património de Ronald Reagan, vindo a perder a eleição para um segundo mandato para Bill Clinton, e as duas seguintes para o filho George W. Bush, um indivíduo que tem que ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.
McCain representa o continuar da ilegítima invasão do Iraque, do genocídio do Povo Palestiniano, dos interesses das multinacionais e dos monopólios americanos, da exploração desenfreada dos recursos naturais principalmente de África, das agressões ao Planeta em termos ambientais, enfim, é a face do que de pior a política americana gera no presente.
Obama é “a outra face da moeda”. Surge contra o establishment, mas quando for eleito tomará consciência que não vai poder “mudar o mundo”. O sonho dará lugar à realidade. Não lhe será possível lutar contra as forças sinistras do Capitalismo selvagem americano de que o seu adversário McCain é “testa de ferro”.
Com a eleição de Obama, na América “algo vai mudar para que tudo fique na mesma”? É um receio legítimo. Mas com McCain as “certezas” de “mais do mesmo” são, certas! E isso é o que menos interessa para Portugal, a Europa e o Mundo.
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, junho 03, 2008

Inquirições II

Upupa epops
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Estive lá dentro, mas não me quero lembrar. A beleza do conjunto do portal da entrada contrasta com o feio do corredor por onde se entra e que dá para um pátio interior. Este é mal iluminado, porque ao escuro da pedra de que é feita a parede, alia-se a altura desta, parecendo que o céu está muito alto e que a luz penetra nele com dificuldade.
À minha direita via-se uma escadaria que conduzia aos pisos superiores, enquanto à esquerda encontrava-se uma porta baixa e estreita que presumi levar aos subterrâneos. O resto é parede que se eleva sem uma única janela em toda a volta, parecendo que se está dentro de um cilindro, porque ela gera a figura geométrica do círculo.
Entrei sem ter necessidade de me fazer avisar. É que o portão de entrada estava semi-aberto. Também não se ouvia qualquer som, o que sugeria que não havia ninguém por perto. Mas não era fácil caminhar. Aquele silêncio oprimia. O vento, que também não se ouvia, sentia-se áspero. Como a luminosidade era fraca, havia sombras por todo o lado, tudo parecia mover-se sem que existisse alguma coisa móvel.
Dirigi-me à escadaria. E para passar a angústia que se ia apoderando de mim, fui contado os degraus à medida que os subia. Ao chegar ao topo, contara entre cada patamar 6 6 6. Tal como o portão da entrada, a porta estava semi-cerrada. Pelo que pude ver, vislumbra-se por detrás dela um corredor. Empurrei a porta e ouvi um brusco bater de asas. Uma ave de plumagem avermelhada, marcada de perto e branco, com um tufo de penas na cabeça, sai do interior, soltando um grito que com o eco se fez frio e penetrante.
Fiquei como que petrificado face ao inesperado da situação. O indigno e sujo duchifat deixara um rasto de temor. A poupa, considerada alimento impuro e proibido pelo Antigo Testamento, fizera jus à condição de símbolo satânico.

Que os seus adoradores se confundam com o Anjo Caído!
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, junho 02, 2008

Páginas da Nossa Vida

Páginas que merecem ser vistas e lidas
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E que estão de Parabéns. Nasceu a “
Quinta”!

domingo, junho 01, 2008

1 de Junho

Início da Época Balnear
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Bons banhos!

mj

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