\ A VOZ PORTALEGRENSE: Duarte Branquinho (Cadernetas de Cromos)

domingo, novembro 09, 2008

Duarte Branquinho (Cadernetas de Cromos)

Espaço: 1999 (1977), uma das minhas colecções e séries de TV favoritas da altura.
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Sábado, 19 de Março de 2005

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O Eurico de Barros faz hoje na sua coluna no
Diário de Notícias a nostalgia dos cromos.
As colecções que ele lembra, conheço-as através do meu pai, como por exemplo a “Raças e Povos do Mundo (ou seria só Raças do Mundo? - todos os nostálgicos são afligidos por lapsos de memória). Estão a imaginar alguém atrever-se a lançar uma colecção de cromos com a palavra “raça” no título, nestes tempos de democracia hipócrita e vigiada?” Concordo com ele, esta hoje seria vista como um manual politicamente incorrecto. Para muitos, esta colecção nos dias que correm devia ser composta por um cromo apenas...
Voltando às colecções, no meu tempo (como muito bem diz o Eurico, todos os nostálgicos gostam muito de escrever “no meu tempo”) os primeiros cromos de que me recordo tinham que ser colados com cola Cisne, aquela da embalagem cilíndrica verde e branca que tinha um compartimento para a pazinha auxiliar. Eu era bastante organizado na gestão do estado e conservação das minhas cadernetas. Cada vez que tinha carteirinhas novas, era habitualmente após o TPC que preparava meticulosamente tudo na minha secretária para actualizar a colecção do momento.
Completar uma colecção era uma tarefa hercúlea e um mérito reconhecido pelos colegas da escola. Para isso, era necessário estar sempre atento às trocas no recreio para conseguir os “difíceis” (seriam mesmo difíceis?) que podiam valer vários repetidos. Aqueles momentos pareciam a Bolsa de Nova Iorque dos pequeninos em alta. Quando estava já na recta final, era necessário pedir à minha paciente avó paterna para me levar aos “homens dos cromos” à entrada da estação do Rossio, com as malas abertas repletas dos tão desejados rectângulos de papel ilustrados, ou convencer o meu pai a preencher o impresso incluso nas cadernetas que permitia encomendar os últimos da colecção.
Os cromos fizeram parte da minha infância e hoje tento revivê-la ao ajudar o meu filho nas suas colecções, apesar de as coisas terem mudado muito...
Duarte Branquinho

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