\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

terça-feira, abril 15, 2008

Crónica de Nenhures

Guerras da Religião
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Há presentemente uma guerra entre a Igreja, neste caso a Católica, e o Estado em Portugal? A resposta, tendo em conta as últimas intervenções públicas quer do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, CEP, D. Jorge Ortiga, quer do reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz, é afirmativa.
Se o primeiro questiona o Estado, através do Governo do Partido Socialista, sobre questões de natureza económica, nas quais diz a Igreja Católica estar a ser lesada, já o segundo refere-se ao próximo centenário da Implantação da República.
Não nos vamos imiscuir nas relações entre a CEP e o Governo, tudo não passa de questões de natureza económica, fiscal, mas vamo-nos deter na questão colocada por Braga da Cruz.
Das palavras do reitor da UC, parece que o importante no dia 5 de Outubro de 1910 não foi a mudança de Regime, mas sim o início de uma perseguição à Igreja Católica. Desta forma, parece que o que vigorava em Portugal não era uma Monarquia mas uma Teocracia da Igreja Católica.
É verdade que a História da Primeira República não pode ser feita sem que nela esteja um capítulo, com muitas páginas, que narre as perseguições que a Igreja Católica sofreu naquele período. Mas a vivência da Primeira República cujo expoente máximo é Afonso Costa e o Partido Republicano, depois Partido Democrático, não se resume à luta entre clericalismo e anti-clericalismo, laicismo e anti-laicismo. E a Igreja Católica não foi a única perseguida pelos furibundos Republicanos. Que o digam os Monárquicos que se mantiveram fiéis, para raiva dos “Adesivos”! E os próprios Republicanos que se opunham ao totalitarismo do partido de Afonso Costa.
Se a Igreja Católica quer dar a sua versão do que foi a Primeira República, só lhe fica bem. Contribuir para o Debate das Ideias é sempre de louvar, mas querer-se fazer passar como a entidade que representa o Regime anterior à República, não só é falso, como não lhe fica bem. O processo laicização em Portugal começa com o Primeiro Liberalismo, e continua, com a excepção do interregno do reinado de D. Miguel, até ao fim da Monarquia.
Não se percebe este “abrir de feridas” por parte da Igreja Católica. Nos tempos que correm, “guerras” entre Religião e Estado, são sempre guerras perdidas para a Religião. E neste caso, com razões de natureza económica subjacentes, ainda pior para o opinião pública, sempre tão susceptível quanto se fala em manter privilégios, para não se falar na “opinião publicada”, maioritariamente contra a Igreja.
MM

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