\ A VOZ PORTALEGRENSE: Desabafos

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Desabafos

O definhamento que as estatísticas mostram em termos demográficos em relação a Portugal é bem elucidativo.
As estatísticas da população portuguesa em 2006 prolongam as tendências comportamentais de longo prazo. Há menos nascimentos, menos mortes, menos casamentos, mais divórcios. O défice demográfico aumenta. Em vez de 2,1 nascimentos por cada mulher, valor mínimo que mantém a prazo o volume de população, houve somente 1,36 nascimentos (menos 57 377 do que seria necessário e menos 3 950 do que em 2005).
Portugal está a envelhecer e a desertificar-se em termos humanos. O interior do país cada vez é mais um deserto de gentes, enquanto numa faixa do litoral que vai do rio Sado ao rio Minho se aglomera a larguíssima maioria dos portugueses.
O Alentejo é cada vez mais uma Província sem habitantes. Todos os anos, o saldo entre nascimentos e mortes pende assustadoramente para valores altamente negativos. E a situação só tende a agravar-se.
Por mais que se anunciem políticas que visem inverter a situação, nada de concreto avança. O que se vê é cidades como Évora, Beja, Elvas e Ponte de Sor a absorverem gentes dos concelhos limítrofes, e tal acontece porque ou têm indústria, ou têm serviços, e conseguem criar postos de trabalho.
Já assim não acontece a Portalegre, que nos últimos anos viu fechar fábricas e não conseguiu cativar investimentos nesta área. Vê o seu comércio definhar, sem que se encontre solução para este declínio. Não luta pela deslocalização de Serviços, que se vão embora a um ritmo dramático.
E muito grave, não consegue que as gentes que terminam os cursos no seu Instituto Politécnico permaneçam na Região, por manifesta falta de oferta de trabalho.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 29/02/2008
Mário Casa Nova Martins

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