\ A VOZ PORTALEGRENSE: Desabafos

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Desabafos

O Rei e o Príncipe da Beira foram assassinados numa esquina do Terreiro do Paço com a Rua do Arsenal, em Lisboa. Passam hoje cem anos.
Quem lucrou com este crime político? Parece fácil dizer que foram os republicanos, uma vez que passados pouco mais de dois anos, em 5 de Outubro de 1910, era implantada a República em Portugal. E de facto assim foi.
Hoje, tal como na altura, sabe-se que uns foram os mandantes e outros os executores. Dos primeiros há que referir em primeiro lugar os denominados Monárquicos Progressistas, e quanto aos segundos a Carbonária. Foram monárquicos quem colocou as armas nas mãos dos carbonários, que diligentemente fizeram o seu papel na sórdida conspiração.
O objectivo era aniquilar a Família Real, se bem que tempo houve em que se afirmava que o alvo a abater seria João Franco, e que houvera uma falha no sistema de comunicações. E tudo porque no dia seguinte seguiriam para o exílio um conjunto de políticos suspeitos de tentativa de insurreição armada contra o Regime.
Diga-se que em 1908 o Partido Republicano, que governava a Câmara da cidade de Lisboa, não tinha nem força política nem estruturas para sozinho desencadear o processo do atentado. A própria Carbonária, o seu braço armado, não tinha condições de logística para a envergadura que os assassinos vieram a demonstrar no acto. Tudo requereu e obedeceu à mais minuciosa das preparações. Nada foi deixado ao acaso.
E enquanto os restos mortais de D. Carlos I e de D. Luís Filipe caminhavam para a sua última Morada, faziam-se romarias à campa dos assassinos! Que eram aclamados como heróis!
João Franco Castelo-Branco foi demitido. Os mandantes regressaram ao Paço e governaram até ao fim da Monarquia. Depois, disseram-se Republicanos de toda a vida.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 01/02/2008
Mário Casa Nova Martins

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