\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de um Dia bem passado

domingo, fevereiro 17, 2008

Crónica de um Dia bem passado

Um Dia de outros Tempos
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Nunca assistimos a uma prova de Todo-o-Terreno, e muito menos tínhamos ido a uma Passeio, que nesta modalidade desportiva usualmente se faz. Contudo, esta semana fomos “desafiados” pelo nosso Amigo Rui Dias e irmos ao 5º Passeio TT de Vale do Peso, uma aldeia do concelho do Crato, a cerca de 20 km de Portalegre.
Aceitámos com um certo espírito de “aventura”, algo que com o avanço da idade começa a ser estimulante. E a dita começo com o encontro do grupo constituído por quatro jeeps e oito elementos, junto às bombas de gasolina da Galp do Domingos & Companhia para o café matinal. Depois seguiu-se pelos Fortios, cruzamento da Alagoa para Flor da Rosa, e aqui viragem à direita para Vale do Peso.
Chegados, foi tempo de confirmar a inscrição e tomar-se um sumo de cevada na Sociedade Progresso, agremiação local datada de 1920. Já munidos com o comprovativo da inscrição, tomou-se um pequeno-almoço a cargo da Organização no Salão Multiusos. Por volta das dez da manhã teve lugar o briefing, seguindo-se a partida para o 1.º Sector, que tinha a extensão de 17,500 km, sempre por terra batida, como convém, e com os motards em primeiro lugar.
No Road Book, ao quilómetro 5, está um obstáculo definido como “barragem”. Era uma pequena charca muito usual no Alentejo, que tinha que ser ladeada. Com é usual nestes casos, evidentemente que a passagem se faria por dentro de água, o que fazia aumentar a adrenalina, já um pouco “em alta”, graças aos obstáculos entretanto suplantados a uma velocidade “interessante”.
Então, o Passeio “parou”, porque vários “passaram e voltaram a passar”, ficando muitos deles “atascados”, sendo necessário retirá-los, o que se tornou num momento de espectáculo.
Findo o “divertimento”, lá se seguiu até ao final do Sector. Aí houve um tempo, curto de descanso.
O
Sector era para ter 22, 200 km. Mas uma caçada ao javali perto do Ramal de Cáceres, que passa junto a Vale do Peso, obrigou-o a encurtar cerca de 7 km.
A “dureza” desta segunda parte foi maior, o que “agradou”!
Regressados a Vale do Peso, seguiu-se o almoço no Salão Multiusos. Como “entrada”, tomatada de moelas. Depois comeu-se uma “grãozada”, que em Viseu chamávamos “rancho”, onde a orelha e outras partes menos “nobres” do porco foram “rainhas”. Acrescente-se que as duas “iguarias” estavam “inocentes” quanto aos temperos.
O “prato” seguinte deveria ser galinha do campo estufada. Porém, foi com a maior surpresa que se constatou que pelos lados de Vale do Peso as galinhas só tinham ossos pequenos, tipo de asas, e pele. Não se encontrou carne avícola! Além de desenxabida… A sobremesa era fruta do pomar local. Terminou o lauto almoço, tal como vinha “anunciado” pela Organização no Road Book, com um café.
Fazia ainda parte do Passeio um “porco assado”, que aconteceria lá para o final da tarde. Assim, findo o almoço, voltou-se novamente à charca para nova “ronda” de passagens e “atascansos”, para “alegria do povo”.
Mas, que a verdade seja dita: o porco assado estava divino! Acompanhado de pão tipo caseiro e de sumo de cevada, como já acontecera ao almoço e durante a tarde, honrámos o dito. Começámos pelos couratos, que diligentemente degustávamos. Só depois provámos a febra. O tempero, à base de ervas da região, dava-lhe um paladar soberbo. Estrategicamente colocados, ou não tivéssemos a “escola” coimbrã para estes “eventos”…, pudemos acompanhar o passar do tempo em companhia tal, que ficará guardada na nossa não fugaz memória gastronómica.
Ainda antes do regresso, novo café na Sociedade Progresso, e partida depois das nove da noite.
Antes de se chegar ao denominado, e perigoso, cruzamento da Alagoa, cortámos à direita para um caminho. É que se decidira fazer parte do regresso a Portalegre por caminhos de terra. Depois, atravessámos caminhos e cancelas, que abrimos e fechámos, tendo-nos perdido apenas uma vez. Chegámos aos Fortios, onde “entrámos” no alcatrão. Depois fomos para o Frangoneiro, e voltámos a entrar na terra até à Praça de Touros de Portalegre, continuando até à azinhaga das Caronas, onde o aparecimento do alcatrão “marcou” o fim da “aventura”, que terminou com mais um sumo de cevada no Clube dos Motards de Portalegre, na Rua Direita (5 de Outubro).
Foi um dia tão bem passado, que nos recordou outros idênticos, ao tempo em que éramos vice-presidente do Grupo Desportivo Portalegrense e responsáveis pela Secção Juvenil, junto com o nosso Amigo José Joaquim Ceia da Silva.
Por fim, duas notas. Embora anunciada, não houve a Prova de Vinhos, daí nunca termos “saído” do sumo de cevada. Encontrámos a Isabel, que há doze anos lectivos fora nossa Aluna na Escola Secundária Mouzinho da Silveira, acompanhada das duas Fillhas, a mais velha já no quarto ano..., o que nos fez sentir, menos novos...
Mário


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