\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Crónica de Nenhures

Causas & Consequências
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Causa a maior estranheza o facto da antiga colónia portuguesa de Timor ser tão cobiçada. As cobiças mais recentes aconteceram durante a Segunda Guerra Mundial por parte dos Japoneses, depois durante o processo da descolonização pelos Indonésios, e a estes seguiram-se os australianos.
Exíguo em termos de tamanho, densamente poupo povoado para região, sem interesse geoestratégico, então qual a razão de tanto interesse?
É o denominado Mar de Timor a única razão de ser deste Estado independente. As riquezas que esconde em hidrocarbonetos e gás natural, justificam por todos os motivos e mais algum, a cobiça estrangeira.
Como aconteceu em todas as colónias, à excepção do Brasil, Portugal nunca explorou em proveito próprio as suas riquezas naturais. Se delapidação houve, foi da responsabilidade das então potências marítimas, primeiro a Grã-Bretanha e depois os EUA, que aproveitaram a debilidade geopolítica de Portugal para na “qualidade” de “protectores” fazerem usura das riquezas indígenas.
Assim, Timor continuava virgem até que a Austrália se interessou pelas suas riquezas naturais. É então que a Comunidade Internacional se insurge contra a ocupação Indonésia, e que Timor alcança a independência sob o apoio de Portugal.
Mas de imediato Portugal é afastado pela Austrália. O próprio Governo de Timor, que resulta dos guerrilheiros da FRETILIN liderados por Xanana Gusmão, ainda nas matas, já estabelecera acordos económicos com Canberra. Hoje Timor não passa de um Protectorado Australiano!
E a tentativa de assassinato do Presidente José Ramos Horta e do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, perpetrada hoje em Dili, é consequência de “assuntos de família mal resolvidos”.

Por outro lado, questões
a propósito de “quem instrumentalizou quem”, fazem o maior sentido.
Não tem sido transparente a Democracia em Timor. A sucessão de Xanana na Presidência da República por Ramos Horta, e a sucessão de Ramos Horta como Primeiro-Ministro por Xanana Gusmão, não é aceitável numa “Democracia adulta”. Mas tal aconteceu em Timor!
Há uma grande promiscuidade entre economia e política. Não há transparência nos negócios de Estado, porque não há economia privada em Timor, e as multinacionais que exploram os recursos Timorenses.
E a tudo assiste a Presidência da República e o Governo de Portugal, sem que tenham a coragem de denunciar o que se passa em Timor. Este País continua sem Escolas, sem Hospitais, sem infraestruturas viárias, tão necessárias ao desenvolvimento de um País. A economia é fraca porque tudo depende de ajudas internacionais. A própria Igreja Católica que tão determinante foi no período anterior à independência, tendo vindo a perder protagonismo, confinando-se cada vez mais à gestão corrente das suas Paróquias.
Mesmo, felizmente, tendo fracassado o famigerado assassinato dos líderes máximos do País, a Paz em Timor não é um dado adquirido. Continua por lá muito medo e muito ódio. E muitos interesses inconfessáveis, económicos, principalmente. Que Timor nunca venha a ser comparada à italianíssima Sicília! A Sicília do Oriente.
MM

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