\ A VOZ PORTALEGRENSE: Janeiro 2007

quarta-feira, janeiro 31, 2007

A Entrevista

Em entrevista à revista Única do semanário Expresso do passado fim-de-semana, António dos Santos Ramalho Eanes saiu de além-túmulo para afirmar que se sente desaproveitado pelo Estado.
O ex-presidente da República tem a memória curta ou então a idade começa a pesar-lhe, afectando-lhe a memória. O seu comportamento enquanto político trouxe-lhe as maiores desconfianças à direita e à esquerda. Com o passar do tempo no Palácio de Belém viu afastarem-se apoiantes da primeira hora e outra gente que nele depositou confiança política.
Quem já esqueceu o processo da sua recandidatura? O primeiro mandato foi caracterizado por laivos de intolerância em relação aos partidos políticos, a ponto de se formarem Governos da sua iniciativa, como foi os de Alfredo Nobre da Costa, Carlos Alberto da Mota Pinto e Maria de Lurdes Pintassilgo (assinava só com um “s”). A ruptura com Francisco Sá Carneiro levou a que a direita o não apoiasse na recandidatura, o mesmo acontecendo em relação a Mário Soares, a título pessoal, facto que levou à maior crise interna da história do Partido Socialista.
Quis dividir o PPD-PSD e o PS, agrupando gente dessas duas áreas ideológicas num centrão, com a criação de um partido de tipo mexicano. O extinto Partido Renovador Democrático (PRD) foi por ele idealizado, e criado à sua imagem e semelhança, tendo tomado a sua presidência após o fim do segundo mandato. O fracasso eleitoral do PRD, levou-o a afastar-se, até que se afastou de vez da política activa.
Com lugar cativo no Conselho de Estado, fez esporádicas “aparições”, como no apoio à candidatura presidencial do Aníbal Cavaco Silva, sendo nesta última seu Mandatário nacional. Recentemente doutorou-se por uma Universidade castelhana. E o seu currículo público está feito.
Se no campo dos militares, não é figura grada, também o não é nos meios políticos. Daí a sua “inteligência” em manter-se afastada da cena política, pese embora este seu “arrufo”, para não dizer “oferecimento” à Causa Pública, no fundo a leitura mais importante que ressalta da entrevista.
MM

terça-feira, janeiro 30, 2007

Publicidade enganosa



Um Português na China

Tiananmen Square Massacre - The Unknown Rebel
This famous photo was taken on 5 June 1989 by photographer Jeff Widener, depicts a lone protester who tried to stop four advancing tanks until he was pulled into the crowd by several onlookers. When asked by Barbara Walters in a 1990 interview, Chinese leader Jiang Zemin said that he cannot confirm whether the man was arrested or not, but "the young man was never, never (sic) killed".
§
É a Economia, estúpido!
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O primeiro-ministro de Portugal está na China em visita de Estado. Esta é uma visita importante, como fora a do presidente da República, pouco tempo atrás, à Índia. Quer a China quer a Índia são duas potências regionais emergentes, juntando-se naquela área geográfica ao Japão. Todavia, a China caminha para a hegemonia naquela área, pelo que a breve trecho será considerada uma potência mundial, crendo alguns analistas de geo-estratégica, que poderá disputar com os EUA a hegemonia mundial.
Num tempo em que tanto se fala de alterações climáticas, em Direitos Humanos, em Democracia, que faz o primeiro-ministro de Portugal, país da União Europeia, da NATO, num país anti-democrático, onde vigora uma ditadura de partido único, a do Partido Comunista?
Embora a China tenha assinado o Protocolo de Quioto, é sabido que o não cumpre, sendo a par dos EUA um dos principais poluidores mundiais. Também a China não respeita a Declaração Universal dos Direitos do Homem, tendo prisioneiros políticos, proíbe partidos políticos, aplica a pena de morte e mantém a ocupação do Tibete. Quanto a direitos dos trabalhadores, estes não têm as regalias sociais que usufruem os seus colegas portugueses, por exemplo, sendo a mão-de-obra considerada mera mercadoria onde o salário está no limiar da subsistência.
Conhecendo-se toda esta realidade chinesa, não deixa de ser curioso que nenhuma força política, da extrema-direita à extrema-esquerda, denuncie esta visita. Mas também não se vê nenhuma central sindical a protestar pelas condições infra-humanas em que vivem, vegetam, milhões de trabalhadores chineses. E defensores de um Estado Palestiniano (e simultaneamente de Israel, como nós defendemos), não saíram à rua para lutar pelo Povo do Tibete, ou sequer denunciar a sua ocupação. E as organizações de Direitos Humanos também não vieram denunciar a existência de presos políticos chineses, nem lutar pela abolição da pena de morte na China. Nem as organizações ambientalistas saíram à rua em protesto contra o excesso da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global.
Enfim, apenas interesses de ordem económica são razão de ser desta visita de Estado à China. O resto, pragmatismo!
MM

A Direita em Portugal

Edmund Burke
(Dublim, 12 de Janeiro de 1729 — Beaconsfield, 9 de Julho de 1797)
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Infelizmente não existe um partido de direita em Portugal. Digo-o com tristeza, mas parece cada vez mais evidente.
O PND é um partido liberal que se apresenta em muitas matérias mais à esquerda do CDS. A liberdade de voto no aborto, a defesa das classes médias, algumas conversões maçónicas, a insistência na ideia de que não era um partido de direita...
O PNR também não é um partido de direita, veja-se a quantidade de ideias socialistas que por lá pululam. É tudo direitos dos trabalhadores, direitos materiais dos portugueses... Não há uma reflexão sobre o que é a Tradição Portuguesa. Então quando vem a conversa do Europeísmo e do país branco.
Fica o CDS que já foi Popular e agora volta a ser Democrata Cristão, que (partida do Portas) não pode voltar a sair do PPE e fica assim num limbo... Não pode ser soberanista, porque seria trucidado na Europa, não pode ser liberal porque os ditos estão no PSD.
E o futuro não está muito famoso, também! Faz falta um partido da direita que assumisse claramente a moral cristã desta terra, que a liberdade é essencial e o socialismo é um erro (o que obviamente não iliba o estado de responsabilidades de caridade e solidariedade, que se regem pela prudência e não por direitos universais), que temos o peso de quase mil anos de história e responsabilidades para com os mortos e com os povos que de nós dependeram e que o regime vigente abandonou.
_______
Post Scriptum – Chegou à caixa de comentários da
Crónica de Nenhures o texto que acima transcrevemos. Dada a sua excelência, e porque nem todos os dignos Visitantes deste Lugar vão ler comentários, tomamos a liberdade de o trazer como Postal.
É com contributos como este que será possível construir um pensamento de Direita em Portugal.
O Pasquim da Reacção tem uma História na defesa da Identidade Nacional. Que continue!
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Crónica de Nenhures

Os Estados Gerais da Direita
*
Este fim-de-semana, foram tornadas públicas sondagens que dão à esquerda maioria confortável de intenções de voto. Não deixa de ser curioso que Portugal, com um Governo de centro-esquerda a desenvolver políticas que lesam e muito a classe média, a alternativa a estas políticas e a este Governo seja encabeçada pelo PCP, que sobe nas sondagens, ao contrário do que seria natural, que era crescer o maior partido da oposição, o PSD.
Este facto político leva a que a Direita tenha que ser repensada. E seriam iniciativas como a que o Partido da Nova Democracia vai levar a cabo, que poderiam mudar ou ajudar a mudar este estado de coisas. Mas será que conseguiria?

Como pode um partido sem representação parlamentar ou autárquica, querer representar um espaço político onde já existe uma força política concorrente, essa sim com representantes eleitos nos órgãos do Estado?
Como conseguirá federar uma área ideológica sem ter representatividade junto da opinião pública.
Estas e outras questões podem legitimamente colocar-se ao Partido da Nova Democracia, que vai organizar no próximo dia 11 de Março o que denomina por “Estados Gerais da Direita”.
Se se apresentasse como um Grupo de Pensamento, seria fácil congregar gente representativa das diferentes Famílias da Direita portuguesa e a iniciativa seria uma mais-valia. Porém, ao ser um partido político, apenas conseguirá arregimentar os “suspeitos do costume” e mais uma ou outra “novidade”, o que é redutor.
Todavia, o Partido da Nova Democracia pode e deve aproveitar este debate, que será virado par dentro, para discutir o seu papel no actual organigrama da Direita em Portugal, contribuindo para uma clarificação deste espaço político.
Sem hipóteses de se coligar ao CDS em qualquer momento, recusando qualquer relação com o PNR, o PND está entre duas forças políticas que o “esmagam” em termos de opção de eleitorado.
Tendo falhado a estratégia da coligação junto do CDS de Ribeiro e Castro, que logicamente levaria a uma fusão com o partido do largo do Caldas, sem querer reconhecer o PNR, como é exemplo a recusa do convite para este ir ao Congresso, que alternativas existem para o PDN?
MM

Regicídio

domingo, janeiro 28, 2007

A Águia volta a voar

A primeira jornada da segunda volta da I Liga relançou o SL Benfica. De facto, ao ganhar em Belém, beneficiando da derrota do FC Porto em Leiria e do empate do Sporting CP no estádio do Bessa, no Porto, a equipa sobe ao segundo lugar da tabela, lugar ao qual ainda não tinha ascendido na presente época.
Se bem que o FC Porto tenha perdido o seu segundo jogo neste campeonato, o primeiro fora em Braga, mantém confortavel avanço de cinco ponto sobre o segundo e seis sobre o terceiro.
Em pior situação está o Sporting CP, que perdeu o segundo lugar que lhe daria acesso directo à Liga dos Campeões e às benesses financeiras consequentes.
Bem longe está o Sporting de Braga, que com a derrota com o Paços de Ferreira está agora a lutar por um lugar na Taça UEFA com a União de Leira, que tem os mesmos pontos e com Naval e Paços de Ferreira ambos com menos um.
Nos últimos lugares, Beira-Mar e Desportivos das Aves deram mais um passo em direcção à descida de Divisão, ao empatarem.
Amanhã, último jogo da jornada, o derby Nacional – Marítimo poderá juntar um dos clubes ao grupo dos que disputam o lugar na Taça UEFA.
Por fim, uma palavra sobre o clube de FSantos e do agora mediatizado Pedro Guedes da Silva, pelas melhores razões, diga-se. O clube da Cruz de Cristo, depois de uma pré-época complicada, está em confortável décimo lugar com 21 pontos, e a praticar um futebol agradável.
MM

Ravel & von Karajan

A Todos os Melómanos
Mário
Bolero - I Parte

Bolero - II Parte
Herbert von Karajan
(Salzburgo, 5 de Abril de 1989 – Anif, 16 de Julho de 1989)
Joseph-Maurice Ravel
(Cibourne, 7 de Março de 1875 – Paris, 28 de Dezembro de 1937)

José Agostinho de Macedo

Chegou-nos da Livraria Avelar Machado, Lisboa, este opúsculo de dezasseis páginas, «mandado imprimir por Bernardino das Neves Nunes, Amigo do mesmo Ilustre Falecido».
Dele transcreve-se dois sonetos, inseridos, respectivamente, nas páginas 13 e 14, com a ortografia actualizada.
Mário Casa Nova Martins
*
SONETO
.
Áureas portos do Olimpo omnipotente
Se abrem de par em par, por onde entrando
Vai o Cisne sonoro, que cantando
Deu glória, deu brasão à Lusa Gente.

Para encontrá-lo acode diligente
De antigos, Lusos Vates nobre bando,
Alegres, respeitosos saudando
O sublime Cantor do acesso Oriente.

“ Vem [ lhe dizem ] na Olímpica morada
” Cingir a fronte com perpétua rama,
” Que a Glória para ti tem destinada.

” E abrasado no ardor, que nos inflama,
” Conhecerás aqui que a vida é nada,
” Ou que a vida de Sábio é só na Fama! ”
*
SONETO
.
Debaixo desta campa sepultado
Jaz um peito, um que etéreo fogo ardia,
Que da Lusa Eloquência, e da Poesia
Será por longos Evos lamentado.

Deixou à Pátria alto Padrão alçado,
Enfeitando co’ as flores a Harmonia
A austera fronte à sã Filosofia,
Com exemplo entre nós não praticado.

Não indagues, Viandante curioso,
Da larga vida sua erro, ou defeito,
Da Morte acata o manto tenebroso.

Ele Homem foi, Homem não há perfeito;
E, deixando este valer lacrimoso,
Foi piedade buscar de Deus no peito.

Casa de Sarto

sábado, janeiro 27, 2007

Ave Azul

"poema a poema"
"
"
por Martim de Gouveia e Sousa

Feira de Velharias

Ultimo sábado do mês, manhã de Feira de Velharias no Mercado Municipal.
Desde que recomeçou este certame, foi o mais fraco de todos quer em termos de vendedores, quer, no caso que nos interessa, em livros.
Antes de se efectuar no Mercado Municipal, teve poiso em outros locais, mas em nenhum vingou. Tememos que agora volte a repetir-se este cenário.
Culpa ou culpas a atribuir a quem? Mais do que às autoridades promotoras, que têm divulgado a Feira, talvez aos vendedores que trazem produtos a maior parte das vezes sem qualidade e a preços exorbitantes, e ao fraco interesse das gentes de Portalegre, cuja apetência por produtos culturais é diminuta.
*
Apenas encontrámos «A Ceia das Sogras», uma comédia em um acto de Mário Marques.
Define-se como “Paráfrase à peça a Ceia dos Cardeais», de Júlio Dantas, e tem quatro personagens:
Dona Cornélia, 55 anos, cabelo grisalho, mosca e bigode. É a sogra que nós desejamos aos nossos inimigos…
Dona Sabina, a mesma idade da anterior. Palavrosa, engomada, insinuante. Modernista, - caneleira à «garçonne», vestido pintalgado, sorriso a cores…
Dona Prudência, 70 primaveras. Cabelo de neve, emoldurando uma face alegre, espelho da bondade que lhe vai na alma.
Criada, 22 anos.

Na sua estreia em 16 de Fevereiro de 1928, no Teatro de S. João do Porto apresentou como intérpretes:
Dona Cornélia – Maria Matos
Dona Sabina – Berta de Albuquerque
Dona Prudência – Rosina Rego
Criada – Miquelina Rodrigues

Nas representações iniciadas em 7 de Fevereiro de 1929, no Teatro Politeama, de Lisboa:
Dona Cornélia – Maria Matos
Dona Sabina – Palmira Bastos
Dona Prudência – Adelina Abranches
Criada – Maria Helena (na 1.º representação) e Miquelina Rodrigues (nas representações seguintes)
MM

Futebol

«Amor à Camisola... "esprit d'corps"» no BigMac

Terre et Peuple

SommaireTerre et Peuple
-Editorial
La clé ethnopolitique
-En bref
Faut-il brûler le téléthon ?
D’une lâcheté l’autre
-Nos traditions
Les fourneaux d’Epona
-Etudes Indo-Européennes
Les Indo-Européens et leur tradition
-Origines
Nos racines généalogiques
-Culture
Notes de lecture
Actualité de la BD
-Chronique
Chronique de la décadence
-Art dégénéré
C’est beau la France !
-Exposition
Par toutatis !
Religion et société en Gaule


sexta-feira, janeiro 26, 2007

António Sardinha

O suplemento “Mil Folhas” de hoje do jornal “Público” traz, por ser a última sexta-feira do mês, a lista de novidades editoriais a sair em Fevereiro.
De entre uma página cheia de ‘novidades’, realce para um livro:

António Sardinha (1887-1925) - Um intelectual no Século
Ana Isabel Sardinha Desvignes
Imprensa de Ciências Sociais
in, MIL FOLHAS 26 JANEIRO 2007 PÚBLICO, p. 16

Solidariedade Solidária

Apelo
*
É com esse sentimento solidário que nos associamos à mensagem, recebida via mail, intitulada «Solidariedade (novo apelo)», vinda de particular Amigo, e que se transcreve abaixo.
Apenas se recordará que ontem, 25 de Janeiro de 2007, foi o dia mais frio deste ano.
MM
*
Texto do mail:
_ Reclamamos por tão pouco...
Passamos a vida a lamentar a nossa sorte e não nos lembramos que existem pessoas nas ruas, com frio, seminuas e esfarrapadas; levando nas mãos sacolas de plástico com os seus poucos pertences.
Não gosto de enviar este tipo de e-mail, mas tenho a certeza que se virem a imagem ficarão tão comovidos como eu fiquei!
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Diamante de Sangue

Blood Diamond
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ESTREIA ‘Diamante de Sangue' de Edward Zwick

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Os diamantes são o inferno
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Leonardo DiCaprio, Jeniffer Connelly e Djimoun Hounsou são os intérpretes desta fita rodada em Moçambique, com fotografia de Eduardo Serra. Entre a aventura e a “mensagem"
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Eurico de Barros
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Os filmes ocidentais ambientados em África vêm inevitavelmente aparelhados com uma mochila de má consciência pós-colonial, um sermão edificante em kit pronto-a-usar e um manual de condenação de uma actividade nociva às populações autóctones, por parte de governos, companhias ou entidades europeias ou americanas, que para o efeito manipulam ou corrompem governos, movimentos ou entidades locais.
Diamante de Sangue, de Edward Zwick, passa-se na Serra Leoa dos anos 90 (foi rodado em Moçambique, com Eduardo Serra na áspera direcção de fotografia), dilacerada pela guerra civil e pelo tráfico de diamantes, e cumpre escrupulosamente com todos aqueles requisitos. Mas quando não está ocupado a denunciar a pilhagem do país pelos negociantes de pedras preciosas com o auxilio de milícias canibais, a desumanidade do recrutamento e (de)formação de crianças-soldado, e a insensibilidade dos mercenários contratados por aquelas para "limpar a casa", Diamante de Sangue revela-se um filme de acção bastante potável e convincentemente realista. Sem a carga "empenhada" e a ultraviolência contemporânea, até podia ser uma daquelas aventuras exóticas dos anos 50 e 60.
Leonardo DiCaprio está muito aplicado no papel do anti-herói cínico (aqui, um mercenário sul-afrieano com um passado familiar trágico e a escola da sobrevivência toda), Jennifer Connelly interpreta a consciência com carinha laroca (uma jornalista com "causa") e Djimoun Hounsou personifica o nativo "nobre" (um pescador a quem tiram o filho e separam da restante família).
Zwick é muito bom a filmar o caos, as carnificinas e a brutalidade cerrada da guerra civil na Serra Leoa, dos revoltosos que debitam arengas "revolucionárias" enquanto mutilam civis a torto a direito, até à resignação das populações para as quais os diamantes, em vez de eternos, são o inferno, passando pela figuração esbaforida dos media internacionais. É pena que o mensageiro se meta tantas vezes na frente do realizador, e o substitua no final.
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Eurico de Barros
'Diamante de Sangue' ..
. péssimo . mau .. razoável ... bom .... muito bom ..... Excelente
in, 6ª DN - 26 JANEIRO 2006

Música Portuguesa

Genocídio(s)

Desabafos

O Governo mandatou a administração dos CTT para processar judicialmente a anterior equipa de gestão. A empresa pode exigir aos ex-gerentes uma indemnização por alegados prejuízos pelos actos de gestão praticados durante o tempo do mandato, possibilidade consignada no código das sociedades comerciais.
Nos quase trinta e quatro anos que leva a III República, esta é a primeira vez que um Governo decide processar gestores públicos de um executivo anterior. Contudo, também nenhum Governo tomou esta medida sobre uma administração por ele nomeada, o que mostra que esta prática, a pecar será por defeito e nunca em circunstância alguma por excesso, como se demonstrou.
Ao longo dos anos, as denominadas empresas públicas são geridas por gente ligada aos partidos políticos que estão no Governo, sendo o critério da escolha o cartão partidário e nunca provas dadas enquanto profissionais. Os sucessivos prejuízos que essas empresas dão em todos os anos económicos, revela que o método de selecção é incorrecto, mas não há preocupação em alterar o status quo por parte da classe política.
Não se conhecendo casos semelhantes de processos judiciais a equipas de gestão de denominadas empresas municipais, será que nelas tudo corre no melhor dos mundos? Alguma vez uma Autarquia colocou em causa as administrações de empresas municipais que dão sucessivamente prejuízo, ou será que todas dão lucros?
Estas duas questões, de entre outras que se poderia muito legitimamente formular, tendo uma qualquer resposta, mostraria que há a preocupação de não lesar o Estado ou a Autarquia, e, acima de tudo transparência.
MCNM
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 26/01/07

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Et si Corto Maltese revenait?

O "novo" Corto
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E se Corto Maltese regressasse? A última notícia de Corto dava conta da presença dele em Espanha, em plena Guerra Civil. Desde então não voltou a dar notícias.
O tempo
esclarecerá esta dúvida.
Mário

Crónica de Nenhures

Que fazer
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Ao longo dos seus anos de vida, o Partido do Centro Democrático e Social tem passado por momentos difíceis, em que a própria sobrevivência tem sido colocada à prova. De todas as experiências negativas por que tem passado, o tempo do consulado cavaquista foi o mais penoso, até agora. Todavia, hoje a crise é a maior de sempre!
Paulo Sacadura Cabral Portas, dos escombros que Diogo Pinto de Freitas do Amaral deixou quando da sua segunda passagem à frente do partido, conseguiu dar um novo élan ao moribundo CDS. Idealizando uma estratégia populista, onde Manuel Monteiro era cabeça de cartaz, consegui que o então denominado Partido Popular alcançasse sucessivos bons resultados em eleições autárquicas, europeias e legislativas.
Mas a vil cobiça vai dar ponto final num projecto que era de sucesso a médio prazo. Querendo ocupar o lugar de Monteiro, Portas reúne “espingardas”, cria dificuldades ao líder e ao partido quando das eleições presidenciais, apoiando Cavaco Silva contra Jorge Sampaio, enquanto aqueles se mostravam neutros.
E Monteiro abandona a liderança e inabilmente chega a abandonar o partido para fundar um outro, o que o tempo veio mostrar ser um flop.
No último Congresso emerge um líder sem carisma, mal amado por “adrianistas” e “portistas”, em suma, incompetente. Agarrado ao poder, não percebeu que o seu tempo à frente do CDS findara, e mantém o partido em estado comatoso. O episódio, degradante, da indisciplina partidária do líder parlamentar, é o mais mediatizado, mas a nível nacional o partido deixou pura e simplesmente de existir enquanto estrutura concelhia ou distrital.
O tempo parece curto para que o CDS recupere a tempo de em próximas eleições seja uma força da Direita. E o seu putativo futuro líder Paulo Portas, em curta entrevista dada na televisão, situou o partido no centro-direita. Assim, nada a fazer!
MM

Disparates do Mundo

Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto, é de novo arguido no denominado processo “Apito Dourado” porque Catarina Salgado, ex-companheira do visado, descodificou as expressões ‘fruta’, ‘fruta de dormir’ e ‘café com leite’, as quais se ligam com a prostituição.
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As receitas do desporto escolar, provenientes do Orçamento de Estado (OE) e do totoloto, registaram uma diminuição nos últimos anos, revela o estudo “Desporto Escolar – Um Retrato”. A diminuição das apostas no totoloto, que contribui com 98% das receitas, e a descida das verbas do OE, que em 2002 ascenderam a 484 377 euros e em 2005 apenas a 42 500 euros, justificam este decréscimo.
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O Banco de Portugal prevê que os juros a pagar a credores estrangeiros e os lucros que saem do País em 2007 irão bater novo máximo. Em 2006, esse volume atingiu 1 100 milhões de euros/mês
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Portugal foi o país da União Europeia a 27 que menos cresceu no terceiro trimestre de 2006 e foi o único Estado membro a registar uma contracção da economia em comparação com o trimestre anterior, de acordo com os dados da Comissão Europeia.
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Nuno Melo demitiu-se da liderança do grupo parlamentar do CDS/PP com várias críticas à direcção do partido, liderada por José Ribeiro e Castro, mas assegurando que fica na Assembleia da República e não se recandidata ao cargo.
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A eurodeputada socialista Ana Gomes acusou o ministro Luís Amado de transmitir informações erradas à comissão do Parlamento Europeu que investiga o caso dos voos da CIA. Em carta que dirigiu a Carlos Coelho, eurodeputado do PSD que preside à comissão, refere-se ao enquadramento político-diplomático que Luís Amado deu a sete voos de e para Gunatánamo com passagem por Portugal que o próprio ministro confirmou terem acontecido.
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Uma taxa de alcoolemia zero para os jovens condutores e para os motoristas de veículos de transporte de passageiros e de produtos perigosos, é uma proposta do Parlamento Europeu num parecer, não vinculativo para os 27 Estados membros, aprovado em Estrasburgo.
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O líder venezuelano Hugo Chávez terá nos próximos dezoito meses pleno poder para legislar por decreto, uma medida aprovada no Parlamento onde a oposição não está representada. Chávez tinha anunciado a intenção de nacionalizar sectores como telecomunicações e energia, de forma a continuar a construção do “socialismo do Século XXI”.
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Um estudo norte-americano para a reunião anual da Sociedade Americana de Sociologia, revela que casar faz bem à saúde, fortalece o sistema de defesa do organismo e contribui para a resolução de problemas de depressão. Acrescenta que ser solteiro pode ser tão prejudicial para a saúde como ser fumador.

Grandes Portugueses

Publicou hoje a revista «Sábado» (N. 143 – 25 A 31 de JANEIRO DE 2007, p. 20) uma sondagem sobre quem foi “o maior português de sempre”.
Os dez primeiros foram:
_ D. Afonso Henriques
_ Luís de Camões
_ Fernando Pessoa
_ António de Oliveira Salazar
_ Marquês de Pombal
_ Vasco da Gama
_ Infante D. Henrique
_ Álvaro Barreirinha Cunhal
_ Aristides de Sousa Mendes
_ D. João II
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Como se compreende esta sondagem vale o que o leitor quiser que valha. [mj]

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Children of Húrin

John Ronald Reuel Tolkien
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O nosso particular Amigo Mac fez-nos chegar estes links para este e este postal sobre J.R.R. Tolkien e o seu livro póstumo «CHILDREN OF HÚRIN».
MM

Pela Liberdade de Expressão

Queima de livros, por Hartmann Schedel,
no seu Liber chronicarum (página XCII)
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Agora é que se vai ver quem tem força ou interesse em levar por diante a luta pela Liberdade de Expressão. A “Visão”, revista dita de 'referência', não publicou um trabalho de Rui Costa Pinto sobre os voos de aviões americanos com prisioneiros para Guantánamo, que passaram por Portugal.
Como irá responder a este atentado à Liberdade a intelectualidade indígena?
É esperar para ver.
Por quanto tempo não se sabe, mas a Blogosfera ainda vai resistindo aos ataques do politicamente correcto, e da censura mais ou menos encapotada. [mj]

A Europa no Mundo

“Entradas de leão saídas de sendeiro”, é um ditado popular que se pode aplicar a George W. Bush. A sua presidência ficará para a História como o princípio do fim da hegemonia mundial americana. As novas potências emergentes a breve trecho irão competir com a cada vez mais obsoleta tecnologia americana excessivamente dependente de energia fóssil, e ultrapassá-la. Os EUA usufruíram de uma moeda que foi durante decénios moeda-padrão, o que lhes permitiu ganhos fantásticos que utilizavam no controlo dos défices e como investimento interno.
Hoje, o dólar é uma moeda fraca, em oposição ao iene ou ao euro. E cada vez mais se fazem negócios entre Estados onde o dólar não entra, sinal de falta de confiança.
Nas duas guerras em que estão envolvidos directamente, uma unilateral no Iraque, a outra multilateral no Afeganistão, estão perdidas, o que vem demonstrar que não é a força das armas que vence uma guerra, vencendo, é verdade, apenas batalhas. E a sua entrada na Somália, por via indirecta, através dos etíopes, saldar-se-á em mais um fracasso, saindo o Ocidente enfraquecido em termos morais, estratégicos e económicos.
A este cenário tem que contrapor a Europa com uma política externa única, na defesa dos seus interesses geo-estratégicos, não “abandonando” os EUA, mas trabalhando em conjunto e incluindo a Rússia no seu seio.

Quanto a futuros alargamentos dentro da Comunidade Europeia, há o caso da Turquia. A Turquia tem que resolver os seus problemas internos, para a sua parte europeia um dia integre a Comunidade Europeia. A Turquia tem que entender que os tempos do Império não voltam. Tem que alienar o território que pertence ao Povo Curdo. Tem que sair do Chipre. Tem que se tornar num Estado laico. A Turquia é um mercado apetecível dado o valor numérico da sua população, mas esse facto, só por si, não é razão para fazer parte da Europa.
A Europa da Ibéria à Sibéria, expressão feliz, é a “verdadeira” Europa e neste universo é que o futuro assenta.
MM

Pela Liberdade de Expressão

Holocaust deniers in Tehran Photo: AFP
§
Holocaust Day void of substance
Harsh punitive measures need to be imposed on Holocaust deniers
Noah Klieger
Published: 01.23.07, 14:14
§
Several countries worldwide will be marking International Holocaust Remembrance Day over the weekend, after the United Nations decided three years ago to designate January 27th for this event – it was the day Soviet troops entered the Auschwitz death camp.
On this day various ceremonies, assemblies and exhibitions will be held, speeches and statements will be made in parliaments and institutions, plus TV programs will be aired.
Millions of people will perhaps be saddened for a few moments by the bitter fate of the Jewish people under German occupation during WWII, just as they are saddened by the victims of the bombing on Hiroshima and Dresden, or by the millions of victims in the former USSR under Stalin's rule. Later they will immediately resume their normal activities until next year's Holocaust Day.
Clearly this rare UN initiative is a blessing, as are the various texts delivered by the nations that will be marking the event. However, neither texts nor assemblies or TV shows will hinder the wave of anti-Semitism that is becoming increasingly rampant throughout most European nations and the world, and it certainly won't stop Holocaust denial.
This is the most dangerous affliction of all and it currently "enjoys" the participation of more and more so-called experts, researchers and historians who are not at all perturbed by laws that ban, in certain countries, Holocaust denial and incitement based on anti-Semitism.

'Enlightened Europe'
Why should Bruno Gollnisch, number two in Jean-Marie Le Pen's far right nationalist party, be concerned if punitive measures for denial of the Holocaust are just a three-month suspended sentence?
And why should British David Irving not ridicule Austria, whose appeals court released him last month after he had served just one year of his three year sentence?
And why should all those illusionists who flocked to Teheran last month for an international conference of Holocaust deniers not hold their countries' laws in complete disregard?
Why should they cease to spread their poison while the leaders of the European Union - an enlightened institution by its own definition – is unable to introduce common legislation against Holocaust denial just because several member states, who view themselves as even more enlightened, such as Britain and Denmark, oppose it adamantly in the name of so-called freedom of expression. Enlightened Europe indeed.
International Holocaust Remembrance Day will remain void of any real substance and will not achieve a thing as long as countries of the world and their leaders suffice with assemblies, conferences and speeches. The undertaking for change must begin from below, from the root cause.
It should commence with a long-term educational plan within the school systems such as special classes taught throughout the institutions of higher education, an ongoing "campaign" in the media, and an unyielding fight against racial incitement and xenophobia in all its forms.
In addition, laws should be legislated in every country and harsh punitive measures should be imposed on Holocaust deniers. Only such measures would bring about a drastic change. Only then would the UN's initiative have substance.

terça-feira, janeiro 23, 2007

A "mais"

Depois do Festival de Cerveja da Grã-Bretanha, em Londres, todos os presidentes das empresas de cerveja saíram para beber um copo.
O presidente da Corona senta-se e pede ao barman:
_ "Senhor, quero a melhor cerveja do mundo, a Corona".
O presidente da Budweiser diz:
_ "Quero a melhor cerveja, a Rainha das Cervejas, a Budweiser".
O presidente da Cors exclama:
_ "Quero a única cerveja feita com a água das Montanhas Rochosas... a Cors!".
Por fim o presidente da Sagres diz:
_ "Dá-me uma Coca-Cola, por favor".
Os outros olham para ele e em coro perguntam:
_ "Então? Não vai beber uma Sagres?"
E ele responde:
_ "Se ninguém está a beber cerveja, eu também não bebo..."
_______
Esta “saborosa” quanto “inocente” anedota chegou-nos via mail do nosso Amigo Manuel Trindade, também ele fervoroso adepto do Grupo Desportivo Portalegrense e do Sport Lisboa e Benfica.
E ela deu-nos a oportunidade de lembrar que desde os teen que a nossa Beer favorita é a Super Bock!...
MM

Crónica de Nenhures

O “pragmático”
§

Aníbal Cavaco Silva é “presidente de todos os portugueses” há um ano. Quarto presidente eleito da III República, os seus antecessores foram nomeados, suscitou ódios e amores quando da sua passagem pelo palácio de S. Bento, enquanto agora se prepara para passar outros tantos anos, uma década, no palácio de Belém
Quer isto dizer que a fase pública de Cavaco Silva, durará, se a lei da vida o não “atraiçoar”, duas décadas, o que é “obra” para um político não-profissional, como gosta de se definir.
A Direita que tanto o ama e que nele votou massivamente está cabisbaixa, enquanto a Esquerda que sempre o odiou e desprezou está eufórica. Condicionalismos de circunstância.
Aníbal Cavaco Silva irá ao longo deste primeiro mandato pactuar a sua presidência por uma relação estreita com o Governo, a fim de não hipotecar a reeleição. Tem sido uma medida tomada pelos antecessores à excepção de António Ramalho Eanes, que teve um primeiro mandato conflituoso, primeiro com Mário Soares e depois com Francisco Sá Carneiro.
Contudo, Cavaco Silva tem tido uma postura demasiado servilista em relação ao Governo de José Sócrates, deixando os seus eleitores “à beira de um ataque de nervos”, e os seus antigos opositores a conceder-lhe um continuado “estado de graça”. Mas, a afirmação da primeira-dama de que era de centro-esquerda, criou perplexidade à direita e gozo incontido à esquerda.
Será diferente a segunda parte da estada em Belém de Cavaco Silva. “Adepto” da teoria do eucalipto, que tudo seca em seu redor, e o então CDS sofreu na pele a consequência maior desta máxima, quererá reeditar a teoria de “todos os ovos no mesmo cesto”, e tudo fará para que Manuela Ferreira Leite venha a ocupar S. Bento e Durão Barroso lhe suceda em Belém.
Só o seu pragmatismo poderá inviabilizar este cenário.

MM

segunda-feira, janeiro 22, 2007

7 Maravilhas de Vila Viçosa

É com o maior prazer que anuncio que já está em marcha a eleição das 7 Maravilhas de Vila Viçosa.
Esta votação irá ser organizada pelo Terras de Mármore e contará com o apoio e divulgação dos nossos blogues individuais, A Interpretação do Tempo, Calipole – Vila Viçosa – Princesa do Alentejo, INFOCALIPO, Intervisão, O Restaurador da Independência e Tomar Partido, assim como do Neste Meu Alentejo e O Calipolense Taurino.
Esta iniciativa surge no âmbito da votação para as 7 Maravilhas de Portugal, na qual o Paço Ducal de Vila Viçosa está a concurso.
Assim com o intuito de chamar a atenção dos Calipolenses, dos Alentejanos, dos Portugueses e dos Cidadãos do Mundo para Vila Viçosa, o seu Paço Ducal e as restantes 20 Maravilhas que estão a concurso, o Terras de Mármore arranca com a votação para as 7 Maravilhas de Vila Viçosa.
Actualmente estão a concurso 61 monumentos do Concelho de Vila Viçosa (Vila Viçosa, Bencatel, Ciladas, São Romão e Pardais), que estão a ser estudados cuidadosamente pelos elementos do Terras de Mármore, pelos bloggers do Neste Meu Alentejo e O Calipolense Taurino e por mais algumas pessoas por mim convidadas.
Destes 61 monumentos, apenas 21 irão a concurso, o qual estará aberto a todos os quantos queiram participar nesta iniciativa e que desde já, convidamos a participar, não somente Calipolenses, mas sim também Alentejanos, Portugueses, Cidadãos do Mundo.
Para votar nas 7 Maravilhas de Vila Viçosa, basta enviar um e-mail para:
ou
referindo os 7 monumentos que acha merecedores de figurarem na lista das 7 Maravilhas de Vila Viçosa, assim como o seu nome e localidade.
Optamos por este metodo de votação de modo a evitar que haja pessoas a votar mais do que uma vez nos mesmos monumentos e para que a votação possa ser a mais dispersa possível.
Mais uma vez repito que todos podem votar, participar e divulgar!
À semelhança das votações para as 7 Novas Maravilhas do Mundo e 7 Maravilhas de Portugal, também o resultado das 7 Maravilhas de Vila Viçosa irá ser divulgado no dia 7 de Julho de 2007, dia esse que esperamos seja de festa em Vila Viçosa com a eleição do Paço Ducal de Vila Viçosa como Maravilha de Portugal.
Temos consciência de que a lista final de 21 monumentos não irá agradar a todos, mas infelizmente é impossível agradar a todas as pessoas. Contudo, pensamos que independentemente dos monumentos que venham a estar representados na lista final de 21 monumentos, irão ser uns dignos representantes de Vila Viçosa e do seu concelho por essa blogosfera fora!
Senhoras e Senhores, os dados estão lançados!!!
Nuno Faritas Lobo
§
Eis a lista dos 61 monumentos que estão actualmente em análise para a lista final de 21 monumento que irá a concurso:
Paço Ducal de Vila Viçosa
Castelo e Torre de Menagem de Vila Viçosa
Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa
Tapada Real
Terreiro do Paço
Estátua Equestre D. João IV
Paço do Bispo
Convento e Igreja dos Agostinhos
Convento e Igreja das Chagas
Convento e Igreja da Esperança
Convento dos Capuchos
Igreja de Nossa Senhora da Piedade
Igreja de Nossa Senhora da Lapa
Igreja de São Bartolomeu
Ermida de São Tiago
Igreja de Santo António
Igreja da Misericórdia
Ermida de São Luís de França
Ermida de São João Baptista
Cruzeiro de Nossa Senhora da Lapa
Cruzeiro de Nossa Senhora da Conceição
Pelourinho de Vila Viçosa
Fonte da Praça (antiga Fonte do Carrascal)
Fonte Grande
Fonte Pequena
Fonte da Biquinha
Varandinha dos Namorados e Rosa dos Ventos
Convento e Igreja de Santa Cruz
Capela Real
Ermida de São Bento
Ermida de São Jerónimo
Ermida de Santo Eustáquio
Ermida de Nossa Senhora de Belém
Capela de São Domingos
Convento de São Paulo (Antiga SOFAL)
Busto de Florbela Espanca
Busto de Públia Hortênsia de Castro
Busto de Henrique Pousão
Busto de Doutor Jeremias Toscano
Estátua de Doutor Couto Jardim
Estátua de Bento Jesus Caraça
Estação Ferroviária de Vila Viçosa
Porta dos Nós
Porta do Nó ou Porta da Vila
Rochas do Lago
Igreja Paroquial de Ciladas de São Romão
Ruinas de Ciladas
Igreja de Santa Catarina (Pardais)
Igreja de Santa Ana (Bencatel)
Ponte Romana
Chafariz d'El Rei
Estátua de Dom Álvaro de Abranches da Câmara
Palácio Sousa da Câmara
Paços do Concelho de Vila Viçosa
Palácio dos Matos Azambuja
Palácio dos Lucenas
Palácio dos Caminhas
Casa dos Mascarenhas
Casa de Peixinhos
Anta dos Apóstolos (Pardais)
Ermidas Místicas de São Pedro e de Nossa Senhora das Mercês (Bencatel)

Futebol

Toda a gente que de uma maneira ou de outra conhece o “mundo do futebol” sabe que hoje em dia o clube em que se joga é apenas o trampolim para um outro qualquer que pague mais.
Essa “máxima” foi elevada a um expoente máximo na pessoa do agora ex-jogador do Sport Lisboa e Benfica, de nome Ricardo Rocha.
Vindo do Sporting de Braga, desde os primeiros tempos no Glorioso que manifestou vontade de sair do Clube. O mesmo acontecera com o jogador Tiago, agora em França, que chegou também de Braga ao Estádio da Luz ao mesmo tempo.
Verdadeiro mercenário de um desporto onde o Amor à Camisola faz parte do passado, é com a maior alegria que, como Benfiquista, vejo o sr. Rocha fora da Catedral, rumando a Inglaterra!
Deseja-se o dobro da sorte que ele desejar à Instituição que tão bem o recebeu e que cumpriu escrupulosamente todas as cláusulas do contrato que o jogador assinou de livre vontade com esta entidade patronal.

Viva o Benfica!
Mário

Carta de uma Professora

Escola Secundária Emídio Navarro - Viseu
§
No número 1784 do Jornal Expresso, publicado no passado dia 6 de Janeiro, o colunista Miguel Sousa Tavares desferiu um violentíssimo ataque contra os professores (que não queriam fazer horas de substituição), assim como contra os médicos (que passavam atestados falsos) e contra os juízes (que, na relação laboral, pendiam para os mais fracos e até tinham condenado o Ministério da Educação a pagar horas extraordinárias pelas aulas de substituição). Em qualquer país civilizado, quem é atacado tem o direito de se defender. De modo que a professora Dalila Cabrita Mateus, sentindo-se atingida, enviou ao Director do Expresso, uma carta aberta ao jornalista Miguel Sousa Tavares. Contudo, como é timbre dum jornal de referência que aprecia o contraditório, de modo a poder esclarecer devidamente os seus leitores, o Expresso não publicou a carta enviada. Aqui vai, pois, a tal Carta Aberta, que circula pela Net. Para que seja divulgada mais amplamente, pois, felizmente, ainda existe em Portugal liberdade de expressão.
§
«Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ler textos escritos pelo jornalista Miguel Sousa Tavares. Anoto que escreve sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo quando depois se verifica que conhece mal os problemas que aborda. É o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a educação, com as escolas e com os professores. E pensava eu que o código deontológico dos jornalistas obrigava a realizar um trabalho prévio de pesquisa, a ouvir as partes envolvidas, para depois escrever sobre a temática de forma séria e isenta.
O senhor jornalista e a ministra que defende não devem saber o que é ter uma turma de 28 a 30 alunos, estando atenta aos que conversam com os colegas, aos que estão distraídos, ao que se levanta de repente para esmurrar o colega, aos que não passam os apontamentos escritos no quadro, ao que, de repente, resolve sair da sala de aula. Não sabe o trabalho que dá disciplinar uma turma. E o professor tem várias turmas.
O senhor jornalista não sabe (embora a ministra deva saber) o enorme trabalho burocrático que recai sobre os professores, a acrescer à planificação e preparação das aulas.
O senhor jornalista não sabe (embora devesse saber) o que é ensinar obedecendo a programas baseados em doutrinas pedagógicas pimba, que têm como denominador comum o ódio visceral à História ou à Literatura, às Ciências ou à Filosofia, que substituíram conteúdos por competências, que transformaram a escola em lugar de recreio, tudo certificado por um Ministério em que impera a ignorância e a incompetência.
O senhor jornalista falta à verdade quando alude ao «flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado». Tal falsidade já foi desmentida com números e por mais de uma vez. Além do que, em nenhuma outra profissão, um simples atraso de 10 minutos significa uma falta imediata.
O senhor jornalista não sabe (embora a ministra tenha obrigação de saber) o que é chegar a uma turma que se não conhece, para substituir uma professora que está a ser operada e ouvir os alunos gritarem contra aquela «filha da puta» que, segundo eles, pouco ou nada veio acrescentar ao trabalho pedagógico que vinha a ser desenvolvido.
O senhor jornalista não imagina o que é leccionar turmas em que um aluno tem fome, outro é portador de hepatite, um terceiro chega tarde porque a mãe não o acordou (embora receba o rendimento mínimo nacional para pôr o filho a pé e colocá-lo na escola), um quarto é portador de uma arma branca com que está a ameaçar os colegas. Não imagina (ou não quer imaginar) o que é leccionar quando a miséria cresce nas famílias, pois «em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão».
O senhor jornalista não tem sequer a sensibilidade para se por no lugar dos professores e professoras insultados e até agredidos, em resultado de um clima de indisciplina que cresceu com as aulas de substituição, nos moldes em que estão a ser concretizadas.
O senhor jornalista não percebe a sensação que se tem em perder tempo, fazendo uma coisa que pedagogicamente não serve para nada, a não ser para fazer crescer a indisciplina, para cansar e dificultar cada vez mais o estudo sério do professor. Quando, no caso da signatária, até podia continuar a ocupar esse tempo com a investigação em áreas e temas que interessam ao país.
O senhor jornalista recria um novo conceito de justiça. Não castiga o delinquente, mas faz o justo pagar pelo pecador, neste caso o geral dos professores penalizados pela falta dum colega.
Aliás, o senhor jornalista insulta os professores, todos os professores, uma casta corporativa com privilégios que ninguém conhece e que não quer trabalhar, fazendo as tais aulas de substituição.
O senhor jornalista insulta, ainda, todos os médicos acusando-os de passar atestados, em regra falsos.
E tal como o Ministério, num estranho regresso ao passado, o senhor jornalista passa por cima da lei, neste caso o antigo Estatuto da Carreira Docente, que mandava pagar as aulas de substituição.
Aparentemente, o propósito do jornalista Miguel Sousa Tavares não era discutir com seriedade. Era sim (do alto da sua arrogância e prosápia) provocar os professores, os médicos e até os juízes, três castas corporativas. Tudo com o propósito de levar a água ao moinho da política neoliberal do governo, neste caso do Ministério da Educação.
Dalila Cabrita Mateus,
professora, doutora em História Moderna e Contemporânea».

"Grandes Portugueses"

Bordéus, de Édouard Manet (1871)
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O “justo” injusto
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Parece que o país “parou”, não para ver “a banda passar”, mas para se preocupar com um concurso sem o menor critério científico, sem o menor valor pedagógico, em suma, um programa de entretenimento que “mistura” a seriedade com a mais descarada leviandade. Só assim se percebe que em cem “grandes Portugueses” figurasse gente como um entertainer alemão de sexualidade ambígua, um presidente de um clube de futebol a contas com a justiça, e toda uma série de gente menor de um país em forte crise de identidade.
Para “baralhar” ainda mais este espectáculo televisivo de nível circense, como o “vencedor” não agradava ao establishment, os organizadores inventaram uma “segunda volta”, na qual participam os dez mais votados.
De entre estes surge um nome que causou, à partida, a maior estranheza. De seu nome Aristides de Sousa Mendes, funcionário diplomático, conhecido em meios restritos, a primeira questão que se colocou é o porquê da sua votação.
Todavia, foi fácil perceber as razões de e para tal facto.
Aristides de Sousa Mendes era Cônsul na cidade francesa de Bordéus, em plena Guerra Civil Europeia. Perante o avanço das tropas alemãs em solo francês, um número crescente de gente fugia daquele cenário de guerra, procurando sair do país. Então, Aristides começa ininterruptamente a passar vistos para Portugal, sem o menor critério e à revelia das ordens do Estado português.
Eis que surge a “lenda”, na qual Aristides de Sousa Mendes “salva” mais de trinta mil judeus do holocausto nazi.
É verdade que com aqueles vistos muita gente a contas com os mais variados problemas foi salva dos invasores, mas também dos invadidos, uma vez que quem pudesse pagar, tinha direito ao dito visto. Quanto a nacionalidades dos indivíduos a quem foram passados vistos, eram as mais variadas, não sendo possível precisar o número correspondente a cada uma delas. Mas aqui entra a comunidade judaica mundial, ao defender aquele número de judeus salvos pelo dito.
Todo aquele não judeu que salvou judeus do holocausto é um “justo”, logo Aristides de Sousa Mendes é um “justo”.
Para recordar a “barbárie nazi”, nada melhor que aproveitar um concurso, mesmo de baixo nível intelectual, e levar aos “altares” o “justo” Sousa Mendes. E sendo uma comunidade em termos numéricos insignificante, se bem que em termos de influência política e económica determinante, há que gizar o estratagema para se conseguir os votos necessários para que o “desconhecido” Aristides surja em cena. Será que não houve moedinha ou cartão que não tivesse sido introduzida/o nas ranhuras de todas as cabines públicas por esse “mundo” fora? O certo é que Aristides aí está, e em boa companhia, o seu defensor é o advogado José Miguel Júdice.
Agora, o pior é a verdade dos factos! A insuspeita revista «Sábado», fala em crónicos problemas de dinheiro, o director do semanário «Expresso», sob pseudónimo, faz uma rábula sobre o “justo”, e apenas Jaime Nogueira Pinto parece defender Aristides. Mas será mesmo assim?
O que Nogueira Pinto escreve, “Sousa Mendes é uma figura menos polémica, com uma acção humanitária. Sem inimigos.», poderá ter duas “leituras”: uma conduz à diminuição da personagem, querendo dizer que ela é inócua porque quem não tem inimigos, será ou “invisível” ou “tonto”; outra é a desvalorização do acto, porque acções humanitárias qualquer um poderá tê-las feito num qualquer momento da sua vida, sem que para tal seja um "justo".
Por fim, recorde-se que o Estado português, considerando que Aristides de Sousa Mendes foi vítima do Estado Novo, concretamente de Oliveira Salazar, indemnizou a família Sousa Mendes, pecuniariamente. Contudo, que se saiba, o Estado de Israel ou qualquer comunidade ou entidade judaica, não proporcionou ao longo da vida de Aristides de Sousa Mendes, ou à sua família, qualquer apoio financeiro ou de qualquer espécie.
MM

domingo, janeiro 21, 2007

"Grandes Portugueses"

Cônsul português em Bordéus,
salvou perto de 30 mil judeus do exército alemão
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Aristides de Sousa Mendes
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IDADE QUE TERIA HOJE
122 anos
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NOME COMPLETO
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches
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ONDE NASCEU
Cabanas de Viriato, Viseu
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ESTADO CIVIL
Casado
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FRASE
“Era realmente meu objectivo salvar toda aquela gente, cuja aflição era indescritível: uns tinham perdido os seus cônjuges, alguns haviam visto sucumbir pessoas queridas sob os bombardeamentos alemães.”
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EPISÓDIO CURIOSO
Trancou-se no escritório entre 17 e 19 de Julho de 1940 para assinar os vistos de passagem para os perseguidos dos alemães
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POR SABER
Como conseguiu regressar de França, já ocupada. Diz-se que terá viajado em carros abandonados
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AMORES
A família
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ÓDIOS
O governo de Sidónio Pais. Era monárquico
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VÍCIOS
Gastava dinheiro em demasia e sempre se queixou do mau ordenado
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VIRTUDES
Coragem. Contrariou directas de Salazar e morreu na miséria por causa disso
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in, SÁBADO, N.º 141 – 11 A 17 de Janeiro de 2007, p. 48

sábado, janeiro 20, 2007

Cartas Abertas

CARTAS ABERTAS
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O que faz Aristides no meio deles?
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Lisboa (ou lá onde for), 15 de Janeiro de 2007
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Minha Cara Maria Elisa
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Recebi do meu querido amigo Aristides de Sousa Mendes uma carta para si, pelo que a remeto imediatamente. Não sei se sabe, mas o Dr. Aristides é um homem ocupado (na verdade, e aqui entre nós, ele leva uma vida dupla entre o paraíso católico e o paraíso judaico, uma vez que, depois de ter falecido, foi admitido nos dois), razão pela qual não perde tempo a contactar com simples mortais. Eu sou um dos poucos eleitos, e daí que a carta me tenha chegado às mãos.
Desde já a aviso que o Dr. Aristides está um pouco incomodado com a situação que lhe foi criada. E, se bem o conheço, quando ele, do alto sua excelente educação se diz «um pouco incomodado» deve ser lido «chateado como o raio» ou mesmo «fulo», expressões que nunca usaria. E o seguinte o teor da sua carta.
‘«Dona Maria Elisa:
Soube de um programa de TV onde surjo como um dos 10 portugueses mais ilustres de sempre. Poderá Vexa pensar que isso me honra - e sentir-me-ia honrado, sem dúvida, acaso fossem outras as circunstâncias -, mas tal não acontece. Na verdade, nunca gostei de más companhias - não me pergunte quais, pois não é de meu timbre descer a tais pormenores. Compreenderá, no entanto, a quem (ou aos quais) me refiro.
Aceite os meus cumprimentos,
Aristides de Sousa Mendes.»
Na verdade, cara Maria Elisa, eu subscrevo inteiramente a carta do meu amigo Aristides. Que raio faz uma pessoa de bem no meio dessa gente eleita para bons e ilustres portugueses? Um homem que morreu na miséria por ter salvo a vida a milhares de pessoas que não conhecia e aos quais nada o ligava, que foi o altruísmo e o espírito de humanidade em pessoa, que tem a ver com os restantes nove?
Analisemos os restantes:
Um - o D. Afonso Henriques - não só bateu na mãe como mentiu com quantos dentes tem na boca ao seu Rei e primo Afonso VII, além de ter inventado este rectângulo em que vivemos. Em caso normal seriam seis anos de prisão maior. Outro, o D. João II, matou com as próprias mãos, à facada, o Duque de Viseu no próprio palácio real. O Marquês de Pombal imaginou uma conspiração para mandar matar os Távoras (pai e filho) e o Duque de Aveiro; do Salazar já se sabe - Tarrafal, Peniche Aljube, por aí fora há mortos e feridos. Do Cunhal foi falta de oportunidade, senão também havia de certeza.
E só aqui vão cinco. Vejam, agora, os outros quatro.
Um, o Infante D. Henrique, diz-se que era um homossexual reprimido; organizou a conquista de Tânger e deixou lá o irmão D. Fernando, tão preso e tão só que ficou conhecido como Infante Santo (o que prova que o D. Henrique não era Santo nenhum). Outro, o Vasco da Gama, ainda organizou umas repressõezinhas na Índia, quando foi, brevemente, em 1524, o segundo Vice-Rei daquelas terras, já depois de Afonso de Albuquerque ter andado a cortar narizes e pernas ao pessoal.
Por último, há dois poetas, o que podia safar a coisa. Mas um é semi-invisual (repare como eu não disse semi-óptico), o Camões; e o outro tem problemas de personalidade, o Pessoa.
Ora, e sublinho o que lhe diz o meu amigo Dr. Aristides, que raio faz ele no meio desta gente?
Aceite os meus cumprimentos
Comendador Marques de Correia
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Que raio faz uma pessoa de bem no meio dessa gente?
in, ÚNICA 20 Janeiro 2007 Expresso p. 98

Concurso Televisivo

GRANDES PORTUGUESES
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Sousa Mendes é uma figura menos polémica,
com uma acção humanitária. Sem inimigos.
Jaime Nogueira Pinto
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Os Grandes Portugueses levantam polémica; o concurso, tratando de seleccionar e ordenar primeiro 100, depois 10 e finalmente uma hierarquia entre os 10 e um 1°, tem uma forte carga político-simbólica. E, nas sociedades pós-políticas como a nossa, onde tirando as questões fracturantes, como o referendo sobre a liberalização do aborto, há consenso ideológico nos principais partidos os símbolos e as batalhas da História são o refúgio da política. Aqui e noutros pequenos Estados do 'arco de tranquilidade' da UE.
Uma parte dos escolhidos — os pré-contemporâneos, usando o século XVIII como fronteira — não suscita grande polémica: D. Afonso Henriques fundou Portugal e o Infante D. Henrique, D. João II, Vasco da Gama e Camões trouxeram a dimensão universal da Expansão e dá Viagem, da sua celebração e dimensão universal. A sua escolha mostra a adesão à fundação e defesa da nação e à sua projecção ultramarina como critérios de grandeza. Faltou aqui D. Nuno Álvares Pereira, o herói da independência em 1385.
Já os modernos, com exclusão de Fernando Pessoa, são controversos, dividem. Pombal, para uns, é o grande centralizador e modernizador, que subordinou as classes tradicionais ao poder real, procurou criar elites a sério e modernizar o país. Para outros, um tirano que usou o terror para construir o seu poder pessoal.
O problema dos contemporâneos é esse: enquanto dos antigos fica só a obra e o símbolo, estes dividem: porque além de serem 'ideológicos' — o século XX de 1917 a 1991 foi um século de grandes conflitos ideológicos — estão próximas as memórias dos 'custos humanos' da sua obra. Isto tem a ver com Salazar e Cunhal. Sousa Mendes é uma figura menos polémica, com uma acção humanitária. Sem inimigos.
Salazar e Cunhal dividem, antagonizam, têm admiradores e detractores, apaixonados, simbolizam-se e excluem-se. Um simboliza o Portugal profundo, nacionalista, conservador, último império europeu e com uma guerra em África, cuja razão de Estado bloqueou mudanças políticas. Um tempo ou mito que empolgou uma parte de Portugal, a minha geração, na continuidade de política ultramarina, da Monarquia e da República. A outra, a parte do país que aderiu ao grande mito da Revolução Comunista — de Lenine a Estaline aos «partigiani» e resistentes. Passando pêlos «goulags» soviético e chinês.
Aceitei 'defender' Salazar porque foi um político honesto, competente, inteligente, que governou o país num século de guerras e crises. Conduziu-o com mestria internacionalmente, depois de encontrar uma solução financeira e institucional para o fracasso do parlamentarismo partidário — o 'governo da rua' na I República.
E porque os grandes homens — todos — têm que ser julgados à luz da História e dos desafios do seu tempo. E comparados com os tempos e modos semelhantes, e com as alternativas que se lhes colocaram. A principal alternativa a Salazar foi, como se viu, em 1945 e em 1974-75, Cunhal e o PCP.
Jaime Nogueira Pinto
Professor Universitário do ISCSP
in, Expresso, 20 de Janeiro de 2007
PRIMEIRO CADERNO, p. 26

Plano para salvar Portugal da crise

Passo 1:
Trocamos a Madeira pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Alberto João.
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Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário). A industria têxtil portuguesa é revitalizada. A Espanha fica encurralada pelos Bascos e Alberto João.
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Passo 3:
Desesperados, os espanhóis tentam devolver a Madeira (e Alberto João). A malta não aceita.
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Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco. A malta mantém-se firme e não aceita.
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Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência. Cada vez mais desesperados, os espanhóis oferecem-nos: a Madeira, Pais Basco e Catalunha. A contrapartida é termos que ficar com o Alberto João e os Etarras.
A malta arma-se em difícil mas aceita.
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Passo 6:
Dá-se a independência ao País Basco, a contrapartida é eles ficarem com o Alberto João. A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o Alberto João a Madeira torna-se um paraíso. A Catalunha não causa problemas (no fundo no fundo são mansos).
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Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta com o Alberto João, que entretanto assume o poder.
O País Basco pede para se tornar território português. A malta aceita (apesar de estar lá o Alberto João).
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Passo 8:
No País Basco não há carnaval. O Alberto João emigra para o Brasil...
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Passo 9:
O Governo brasileiro pede para voltar a ser território português. A malta aceita e manda o Alberto João para a Madeira.
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Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar do Alberto João), Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!
Alberto João enfraquecido pelos festejos do carnaval na Madeira e Brasil, não aguenta a emoção, e morre na miséria, esquecido de todos.
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Passo 11:
Os espanhóis, desmoralizados, e económica e territorialmente enfraquecidos, não oferecem resistência quando mandamos os poucos que restam para as Canárias.
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Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.
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Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida por um país que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico, de uma costa à outra e de norte a sul.
Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma pesada sobretaxa por termos de trocar os dólares em euros, constituindo assim um verdadeiro bloqueio naval que os leva à asfixia.
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Passo 14:
Eles querem-nos aterrorizar com o Ben Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Alberto João (que eles não sabem que já morreu).
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Perante tal prova de força, os americanos capitulam e nós tornamo-nos na primeira potência mundial.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Sarkozy

Seul en lice, Nicolas Sarkozy a été officiellement désigné candidat aux prochaines élections présidentielles par les militants de l’UMP dimanche 14 janvier 2007. Il a recueilli 98,1% des suffrages exprimés dans le cadre du scrutin interne organisé par le parti. Devant des dizaines de milliers de militants de la formation qu’il préside, il a prononcé un discours rassembleur, et volontiers rassurant… Le matin de son intronisation, un sondage publié dans "Le journal du Dimanche" avançait que Nicolas Sarkozy "inquiétait" 51% des Français.
Nicolas Sarkozy cite à la fois Jaurès et de Gaulle. Ses références appartiennent à la droite et à la gauche, les camps impossibles d’une France réunifiée. On devine alors le slogan de campagne : "Ensemble, tout est possible".
Dans ses relations avec la communauté juive de France, Nicolas Sarkozy a montré une certaine continuité dans son action. Il se présente volontiers comme un ami d’Israël. Et il s’est plus d’une fois engagé contre l’antisémitisme. Certains l’ont même qualifié de "candidat naturel des électeurs juifs"… La fin de la politique arabe de la France qu’il préconisait à l’occasion de son voyage en Israël au mois de décembre 2004 et son amitié sincère avec les Etats-Unis ne l’empêchent pourtant pas de critiquer l’intervention militaire en Irak. "Je veux être le Président d'une France qui ne transigera jamais sur son indépendance ni sur ses valeurs. Je veux rendre hommage à Jacques Chirac, qui a fait honneur à la France quand il s'est opposé à la guerre en Irak, qui était une faute. " Si Nicolas Sarkozy s'était fortement démarqué de Jacques Chirac au sujet des relations avec les Etats-Unis, c’était donc surtout dans la forme, la façon dont le président de la République et le ministre des affaires étrangères d'alors, Dominique de Villepin, avaient mené campagne, en 2003, contre la politique américaine.
Car, discours à l’appui, Nicolas Sarkozy aura montré que la forme compte. Le panache, le geste, le verbe, sont les premières armes politiques d’un homme qui s’engage.
Un discours engagé Parmi les dizaines de personnes citées dans un discours de quinze pages qu’il prononça pendant plus d’une heure le jour de son investiture officielle, celles qui l’ont inspiré et celles qu'il admire, Nicolas Sarkozy se retrouve d’abord dans les héros de la Résistance et de la France Libre, "ces hommes avec lesquels j'ai fait mes premiers pas en politique, ces hommes qui venaient d'une époque où la politique s'était confondue avec le patriotisme et l'épopée".
Puis il cite ceux qu’il a connus de près : Jacques Chaban-Delmas, Achille Peretti, Edouard Balladur, Jacques Chirac : "Ils m'ont enseigné, à moi petit Français au sang mêlé, l'amour de la France et la fierté d'être français. Cet amour n'a jamais faibli et cette fierté ne m'a jamais quittée." Nicolas Sarkozy, "Français au sang mêlé," fait ici référence à ses origines juives. Fils d’un immigré hongrois et d’une descendante de Juifs de Salonique, il pourrait devenir le premier Président français d’origine immigrée, un homme dont la conscience historique s’est enrichie à l’occasion de son voyage en Israël : "J'ai changé quand j'ai visité le mémorial de Yad Vashem dédié aux victimes de la Shoah. Je me souviens, au bout d'un long couloir, d'une grande pièce avec des milliers de petites lumières et des prénoms d'enfants de 2 ans, de 4 ans, de 5 ans prononcés à voix basse de façon ininterrompue. C'était le murmure des âmes innocentes. Je me suis dit alors que c'était cela la politique : faire barrage à la folie des hommes en refusant de se laisser emporter par elle. "
Pour Nicolas Sarkozy, la France a le visage de "ceux qui l’ont fait avancer". Elle a 58 ans et le visage de Zola quand il signe "J'accuse" pour défendre Dreyfus et la Justice. La France de Nicolas Sarkozy s’appelle aussi Simone Veil : "Elle a la voix, la figure, la dignité d'une femme, d'une mère, rescapée des camps de la mort qui s'écrie à la tribune de l'Assemblée" : "Nous ne pouvons plus fermer les yeux sur les 300 000 avortements qui, chaque année mutilent les femmes de ce pays". Nicolas Sarkozy redoute la barbarie des hommes. Il cite le frère Christian, enlevé puis égorgé par des fanatiques du GIA avec six autres moines de son monastère.
Contre l’antisémitisme "Véritable star chez les Juifs de France " selon Patrick Gaubert, le Président de la LICRA qui est aussi député européen, Nicolas Sarkozy s’est montré un ministre de l’intérieur très réactif aux violences antisémites. Promettant "la double tolérance zéro en matière d’antisémitisme et de racisme", le ministre de l’intérieur n’avait pas hésité à se rendre au chevet des victimes ou à recevoir de nombreux présidents d’associations juives pour leur dire que les Juifs de France seraient protégés. D’ailleurs, sur France 2 au mois de novembre 2003, face à Tariq Ramadan qui avait écrit un article controversé à propos de la position de certains "intellectuels juifs français" face au conflit israélo-palestinien, Nicolas Sarkozy s’était montré intransigeant : "Je n'ai pas aimé votre article, on ne se laisse pas emporter par la parole", a-t-il lancé. "Quand on écrit, on pense avec sa tête, pas avec sa race, a poursuivi le ministre. Votre article n'était pas une maladresse, c'était une faute. Parce que les Juifs, ce n'est pas comme les Auvergnats ou les Parisiens. Il y a eu la Shoah... Quand on parle du juif Lévy
Bernard-Henri Lévy ou du juif Glucksmann André Glucksmann, on fait l'impasse sur la Shoah et ses six millions de morts mais nous, nous ne l'avons pas oubliée", avait ajouté le ministre de l'intérieur.
Des efforts reconnus par la communauté : en 2003, le centre Simon Wiesenthal lui a remis son prix. Et David Harris, directeur du très influent American Jewish Committee, qui l'a reçu aux Etats Unis en 2004, voit en Sarkozy "un homme de charisme, de vision, de courage, de dynamisme."
Au mois de décembre 2004, alors qu’il était sans fonction ministérielle, Nicolas Sarkozy avait effectué une visite de quarante-huit heures en Israël. Devant la communauté française à Tel Aviv, il avait rappelé qu’Israël est une "démocratie amie de la France", et au contraire de relativiser la question de l’antisémitisme, il avait fait sien le combat contre la haine des Juifs : "L’antisémitisme ne s’explique pas, car il ne peut y avoir d’explications à l’inexplicable. L’antisémitisme, ça ne s’explique pas, ça se combat". Selon lui, "la question de l’antisémitisme n’est pas la question des Juifs. C’est la question de la République française. Chaque fois qu’un Juif est injurié en tant que Juif, c’est une tache sur la République", avait-il affirmé. Il avait également assuré que "ce serait faire trop d’honneur aux racistes et aux antisémites que de laisser penser que la France est un pays antisémite".
Le 31 mai 2006, après les incidents à caractère antisémite survenus à Paris de la part des membres de la "Tribu Ka", Nicolas Sarkozy a demandé au ministre de la Justice, Pascal Clément, d’interdire leur site Internet où des propos et des images antisémites sont diffusés. Deux mois plus tard, à son initiative, le Conseil des Ministres du 26 juillet 2006 dissout la Tribu Ka. Le Collectif des Antillais, Guyanais, Réunionnais et Mahorais ("Collectifdom") se félicitait alors de la dissolution de ce groupuscule afro centriste, raciste et antisémite, dirigé par un illuminé, d’origine béninoise, Kemi Seba (de son vrai nom Stellio Capo Chichi dit Capochichi), qui prônait ouvertement la haine des blancs, des juifs, des arabes, des métis...
Au mois de septembre 2006, à l’occasion de sa visite au président George W. Bush, alors vivement critiquée par Jacques Chirac, il avait rencontré à New York les principaux représentants des organisations juives américaines, dont le président du Congrès Juif Mondial, Israël Singer. Le ministre de l'intérieur a remporté le prix de l'homme politique de l'année décerné par l'Union des patrons et professionnels juifs de France (UPJF). C'est au cours du dîner de gala de l'UPJF, le 30 mars 2006 que la récompense a été décernée au ministre de l'intérieur que les organisateurs ont salué comme celui qui "saura sans doute redonner une nouvelle dynamique aux relations d'amitiés solides qui lient Paris, Washington et Jérusalem".
Nicolas Sarkozy confie un certain nombre de missions à Arno Klarsfeld. Le choix de « l’avocat de la vérité », pour reprendre la formule de l’historien Henry Rousso, n’est pas neutre. Avocat des parties civiles au procès de Paul Touvier, en 1998, Arno Klarsfeld représente l'association des Filles et fils de déportés juifs de France lors du procès de Maurice Papon. Il fait ensuite campagne, notamment dans les médias, pour la création de cours internationales afin de juger les criminels de guerre pour des massacres tels que le génocide au Rwanda et celui au Kosovo. En 2002, à trente-sept ans, il prend la nationalité israélienne ayant passé de près de dix ans la limite d'âge, Arno Klarsfeld s'engage dans les Magav, les garde-frontières de l'armée israélienne.
Nicolas Sarkozy avait demandé au mois de février 2005 à Arno Klarsfeld de mener un « travail approfondi sur la loi, l’Histoire et le devoir de mémoire », dans le contexte de la loi sur les bienfaits de la colonisation qui divisait les historiens. Le Président de l'UMP apparaissait alors comme un «rempart contre l'extrême droite» selon les termes d’Arno Klarsfeld. Au mois de mai 2006, le ministre de l’intérieur lui confie une autre mission : "un large travail de réflexion sur la délinquance des mineurs". Et puis au mois de juin dernier, Nicolas Sarkozy confie une "mission de médiation" à Arno Klarsfeld et accorde un nouveau sursis, jusqu'à la mi-août, aux étrangers en situation irrégulière, parents d'enfants scolarisés.
Défenseur d’Israël Après l’entretien qu’il avait eu avec Ariel Sharon au cours de son voyage en Israël en 2004, le Premier ministre israélien lui avait alors lancé : "Je suis certain que vous avez bien conscience de faire partie de nos amis" ; il s’agissait bien de consommer la rupture avec la politique arabe de la France. D’ailleurs Shimon Pérès, qui était alors dirigeant du Parti travailliste, avait jugé important de rencontrer Nicolas Sarkozy, un homme avec lequel il était possible de "regarder l’avenir"… Contrairement à la plupart des responsables politiques européens, Nicolas Sarkozy ne s’était pas rendu dans les territoires palestiniens.
Au début de la deuxième guerre du Liban, Nicolas Sarkozy désigne un "agresseur": le Hezbollah, "qui se comporte de manière invraisemblable", avait-il lancé sur TF1. "La situation est dramatique parce qu'il y a un risque d'escalade", d'engrenage" et de "généralisation", avait-il déploré, estimant qu’"Israël doit se défendre et a le droit de se défendre". M. Sarkozy conseillait toutefois à Israël de "garder son sang froid et de ne pas faire de la surenchère, de proportionner la réaction". Le Liban, quant à lui, "a le droit à l'indépendance et au respect de son intégrité et de son unité", a-t-il estimé. Or, "le comportement irresponsable du Hezbollah conduit aujourd'hui à la désagrégation" de l'Etat libanais. Et de conclure : "Il faut débarrasser le Liban des influences extérieures". Quant à l'Iran, Nicolas Sarkozy avait déclaré qu’elle se mettait encore un peu plus au banc de la communauté internationale, expliquant qu’il y a plus « que des soupçons sur les liens entre le Hezbollah et le régime iranien".
Nicolas Sarkozy comprend qu’au conflit israélo-palestinien, s’est substitué un antagonisme plus complexe encore, qui divise le Moyen Orient entre deux camps : celui des pays modérés, qui veut la paix, celui des pays extrémistes, qui la refuse.
Contrairement à d’autres responsables politiques de premier plan, Nicolas Sarkozy n’a jamais cherché à taire ses origines… Au contraire, le « petit Français de sang mêlé » a appris « l'amour de la France et la fierté d'être français. » La leçon est double.
Juif et Français, ensemble, cela redeviendrait possible ?
Nicolas Sarkozy veut devenir le Président de toute la France. On ignore si au soir du 6 mai, elle lui confiera son destin. Une chose est certaine : dimanche 14 janvier, l’art de dire la politique, s’est bien distingué.

Par David Bronner
pour Guysen Israël News
Mardi 16 janvier 2007
à 00:12

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