\ A VOZ PORTALEGRENSE: Desabafos

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Desabafos

Com o mandato a meio, o governo do Partido Socialista liderado por José Sócrates já conta com três greves gerais. Será caso para dizer, recorrendo a um provérbio popular, que “não há fome que não dê em fartura”…
A última greve geral aconteceu precisamente há oito dias, e dela não há o mais pequeno resquício quer na comunicação social, quer na opinião pública.
É um facto que a dita greve geral, como aliás em anteriores, conseguiu juntar aos sindicatos ligados ao PCP outros ligados ao PS e ao PSD. Mas também não deixa de ser uma evidência que quanto a efeitos práticos poucos ou nenhuns se conhecem.
Apostando costumeiramente em determinado número de sectores, que ao estarem em greve acarretam ou impedem que outros trabalhem normalmente, os líderes das centrais sindicais fazem crer que a dita teve uma adesão que supera sempre as expectativas mais optimistas, que o governo é sempre perdedor e que irá capitular perante as exigências sindicais, tudo em defesa dos trabalhadores.
Contudo, a realidade é bem diferente. Há muito que a figura da Greve Geral está ultrapassada nas sociedades globalizadas e com forte desemprego. Parece que apenas os sindicatos não perceberam que a realidade sócio-profissional é diferente no tempo presente. Este tempo já não comporta os métodos sindicais de outrora. Como exemplo de modernidade das relações que se estabeleceram entre patronato e trabalhadores é o que se passa na Auto-Europa.
O exemplo das relações laborais como as da Auto-Europa começa a frutificar em muitas empresas portuguesas. E o caminho é esse. Que as centrais sindicais entendam os novos sinais, sob pena de se auto-aniquilarem.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 07/12/2007
Mário Casa Nova Martins

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