\ A VOZ PORTALEGRENSE: BD

sexta-feira, agosto 24, 2007

BD

Tempos atrás, a Marta colocou-me estas duas questões:
_ Será que o Cavaleiro Andante foi antes do Mundo de Aventuras?
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Qual veio a seguir ao Mosquito?
Então respondi que não sabia, mas que iria perguntar ao F. Santos.
Assim fiz, e recebi a resposta, só agora porque o F. esteve de férias.
Agradeço ao F., e desta forma posso responder, reproduzindo o texto do mail:
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O Cavaleiro Andante nasceu em 5 de Janeiro de 1952, tendo o último número saído em 25 de Agosto de 1962.
Já o Mundo de Aventuras saiu pela primeira vez em 18 de Agosto de 1949 e conseguiu resistir até 15 de Janeiro de 1987.
Para mais detalhes, incluindo reprodução de capas, consultar

http://www.bdportugal.info/Comics/index.html
no índice por colecções.
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Também o F., no seguimento do meu pedido, chamou-me à atenção para este Texto:
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Hoje não me apetece maçar-vos com as desventuras deste mundo. Hoje vou falar-vos de uma revista que preencheu o imaginário de várias gerações de crianças e jovens deste país.O "Mundo de Aventuras" surgiu em 18 de Agosto de 1949, resistindo até 15 de Janeiro de 1987! Nos tempos áureos (anos 50 e 60) chegou a ter uma tiragem superior a 50.000 exemplares, rivalizando com o "Cavaleiro Andante". Enquanto este último, fundado por Adolfo Simões Muller, publicava sobretudo banda desenhada europeia (francesa e italiana), de pendor mais "bem comportado" (muitos autores católicos), aquele era o órgão difusor por excelência da grande banda desenhada americana.
Grandes heróis como Rip Kirby, Flash Gordon (inicialmente saíu como Roldan, o Temerário!), Steve Canyon (Luís Ciclón - assim mesmo, à espanhola), Brick Bradford, Cisko Kid, Fantasma, etc., foram divulgados pela revista que dirigiu anos a fio José de Oliveira Cosme (que os mais velhos recordarão como o autor das saborosas "Lições do Tonecas").
Em meados dos anos 50 a censura apertou e muitas vinhetas foram preenchidas com enormes balões de diálogo, para esconder algumas cenas de ternura mais vaporosas, ou para ocultar cenas de violência. E os nomes dos personagens são aportuguesados: Brick Bradford passa a Brigue Forte, Big Ben Bolt a Luís Euripo e por aí fora.
Nos anos 60, em contraste com os inícios (formato tipo jornal "broadsheet"), adopta o formato de bolso e cada número passa a incluir uma história completa. Em 1973 aumenta o tamanho mas mantém a história completa. Após o 25 de Abril, tal como aconteceu com outras publicações, começa a passar por dificuldades, o preço do papel não pára de aumentar e a miudagem começa a virar-se mais para o cinema e a TV, tendo igualmente tido maior divulgação os álbuns de BD. Resiste estoicamente até 1987, já com saída quinzenal e papel de má qualidade.
Perdera muita audiência anos antes com a saída do "Tintin", exclusivamente dedicado à BD franco-belga e responsável pelo desconhecimento de muita muidagem da grande BD clássica americana, quanto a mim com desenhadores de muito maior qualidade. Aliás, sendo destinada aos grandes jornais (que publicavam uma tira diária), esta tinha um público alvo mais adulto, mais exigente.
Hoje já não se publicam em Portugal revistas de BD: há 4 anos acabou a excelente "Selecções BD" (que saía mensalmente) e hoje é difícil imaginar a nossa frenética juventude a contentar-se com 2 páginas semanais do seu herói preferido, aguardando ansiosamente pelo número seguinte da revista para ler a continuação.
Este que vos escreve dedicou-se há uns anitos a coleccionar revistas de BD antigas, o que, para além de ser um salto para a infância e primeira juventude, é uma forma de descobrir autênticos artistas como Alex Raymond (Rip Kirby, Flash Gordon), Harold Foster (Príncipe Valente), Jesús Blasco (Cuto), Eduardo Teixeira Coelho, Paul Cuvelier (Corentin) ou o extraordinário Franco Caprioli.
Recomendo-vos o site
BD Portugal, onde podem ver as capas de inúmeros exemplares de muitas revistas que se editaram em Portugal.
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Adenda:
_ "O Mosquito" surgiu muito antes! O primeiro número é de 14 de Janeiro de 1936. Chegou a vender 60.000 exemplares por número, recorde nunca ultrapassado por qualquer revista do género. (Ver "Os Comics em Portugal" de António Dias de Deus.)
Há meia dúzia de anos atrás uma colecção completa da 1ª série (1936-1953) de "O Mosquito" vendeu-se por 5000 contos...
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