\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

terça-feira, junho 19, 2007

Crónica de Nenhures

O direito à blasfémia
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Foi em Outubro de 1989 que a Dom Quixote fez sair a primeira edição de «Os Versículos Satânicos» de um indiano anti-ocidental de nome Salman Rushide. Esta obra vinha acompanhada de larga publicidade, devido à sentença de morte ao escritor, decretada pelo líder espiritual iraniano Ayatollah Ruhollah Khomeini em 14 de Fevereiro de 1989, pelo facto de nela ser insultado o Profeta Maomé.
Se não tivesse sido este caso, Rushide continuaria apenas conhecido daquela minoritária esquerda europeia e americana anti-ocidental e pouco mais. A sua obra, antes ou depois do «Versículos», não merece o adjectivo de obra-prima, pelo contrário, é de uma mediocridade assinalável.
Mas, graças ao politicamente correcto, a tradução portuguesa tem na página cinco, se bem que em caracteres minúsculos escrito:
_ “A Secretaria de estádio da Cultura apoia moralmente a edição e distribuição desta obra, com base nos artigos 37.º e 42.º da Constituição da República Portuguesa.”
A seguir, e ainda em caracteres mais minúsculos, escreve-se:
_ “Manifestaram igualmente o seu apoio a esta edição a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, a Associação Portuguesa de Escritores, o PEN Clube Português e a Sociedade Portuguesa de Autores”.
Hoje Salman Rushdie celebra o sexagésimo aniversário. E para comemorar a efeméride, por proposta do Governo inglês, a Rainha de Inglaterra vai condecorar o escritor com o título de Sir.
De imediato aconteceram manifestações hostis à decisão, e foi lembrado que a Fatwa de Khomeini continua em vigor.

Quando este incidente começou, era Rushdie um dos principais detractores de Magaret Thathcher. Mas foi a primeiro-ministro de Inglaterra que tomou a iniciativa de proteger a vida do blasfemo. Desde então vive em semi-clandestinidade, sendo um ícone mundial da luta pela Liberdade de Expressão, mas de uma Liberdade de Expressão que não é para toda a gente…
MM

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